Pele. O que faz um produto merecer o Prémio Máxima Beleza&Perfumes?
Eficácia, inovação, sensorialidade e sustentabilidade são alguns dos fatores que orientam as decisões do júri. Os especialistas explicam o que eleva uma criação ao estatuto de vencedora.
Catarina Cunha Moreira | Dermatologista
Quais são os principais critérios que considera ao avaliar um produto de beleza?
O principal critério é sempre a eficácia comprovada, idealmente sustentada por evidência científica e por uma formulação coerente. Avalio os ingredientes ativos, as suas concentrações, sinergias e o racional por detrás da fórmula. Em paralelo, considero a segurança e tolerância sobretudo porque na prática clínica lido diariamente com pele sensível, reativa ou com patologia.
A sensoralidade também é importante uma vez que é determinante para que um produto seja usado de forma consistente.
De que forma testa ou analisa um produto antes de emitir a sua avaliação final?
A avaliação é sempre feita em função do tipo de produto e do seu mecanismo de ação. Produtos hidratantes permitem uma análise mais imediata, enquanto fórmulas com ação renovadora ou de estímulo do colagénio exigem uma utilização mais prolongada, respeitando o tempo biológico da pele.
Também a tolerância é avaliada ao longo do tempo, uma vez algumas reações podem manifestar-se apenas com o uso continuado. Comparo sempre com produtos semelhantes com que trabalho na minha prática clínica.
O que define um produto de beleza verdadeiramente diferenciador no mercado atual?
É aquele que está ancorado em ciência. Sabemos hoje muito mais sobre os mecanismos do envelhecimento e sobre a fisiologia e da pele e, embora ainda exista muito por compreender, os produtos mais relevantes são os que traduzem esse conhecimento em soluções concretas e bem fundamentadas.
David Valverde | Médico de medicina estética e especialista em tricologia
Quais são os principais critérios que tem em conta ao avaliar um produto de beleza?
Os meus principais critérios passam, inevitavelmente, pela eficácia clínica, pela qualidade dos ingredientes e pela segurança da fórmula. Procuro produtos com ativos bem estudados, em concentrações eficazes e com uma lógica clara de formulação.
Valorizo também a inovação com propósito, isto é, quando a ciência acrescenta valor real e responde a necessidades concretas da pele. A experiência sensorial e a tolerância cutânea são igualmente essenciais: um bom produto deve ser eficaz, mas também confortável, agradável e fácil de integrar na rotina diária. A sustentabilidade, quando aliada à eficácia, é hoje um fator cada vez mais relevante.
De que forma testa ou analisa um produto antes de dar a sua avaliação final?
A avaliação é sempre feita com tempo e método. Testo os produtos durante um período adequado à sua função, respeitando os ciclos naturais da pele, e observo não só os resultados visíveis, mas também a sua tolerância ao longo do uso contínuo. Sempre que possível, considero diferentes tipos de pele e faço uma análise comparativa com produtos semelhantes já existentes no mercado. A coerência entre aquilo que a marca promete e os resultados efetivamente obtidos é um ponto-chave na minha avaliação final.
O que define um produto de beleza verdadeiramente diferenciador no mercado atual?
Num mercado altamente competitivo, um produto de pele destaca-se quando consegue unir ciência, eficácia e simplicidade. Hoje, o consumidor está mais informado e procura soluções que sejam claras, honestas e consistentes nos resultados. A verdadeira diferenciação está na capacidade de responder a problemas reais da pele, com fórmulas bem pensadas, comunicação transparente e benefícios que se mantêm a médio e longo prazo.
Helena Margarida Ribeiro | Professora Catedrática da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa
Quais são os principais critérios que considera ao avaliar um produto de beleza?
- Eficácia comprovada das formulações e dos ingredientes:São critérios mais determinantes. Avalio a formulação e as alegações. Uma boa história de marketing não substitui a eficácia científica. Dou especial atenção à evidência científica por detrás dos ingredientes.
- Formulação e inovação tecnológicaA inovação pode estar na tecnologia (categorias de formulação, texturas, experiências sensoriais ), na simplificação eficaz das fórmulas ou na adaptação a novas necessidades do consumidor. Inovar não é usar ingredientes “da moda”, mas aplicá-los de forma científica.
- Experiência sensorial Textura, espalhabilidade, absorção, fragrância e sensação pós-aplicação são cruciais para a adesão ao tratamento.
- Por fim e sempre que possível. Analiso a Sustentabilidade e responsabilidade não como fator isolado, mas como parte integrante da qualidade do produto.
De que forma testa ou analisa um produto antes de emitir a sua avaliação final?
A minha avaliação envolve várias etapas:
- Análise técnica da fórmulaComeço pela leitura do INCI, avaliando a lógica da formulação, a ordem dos ingredientes e coerência com as alegações.
- Teste prático prolongadoUtilizo o produto durante um período suficiente para avaliar o desempenho imediato e os efeitos a curto médio prazo. Avalio se a fórmula se mantém estável ao longo do uso, se a textura ou o odor se alteram e se a embalagem protege adequadamente o produto. A comparação com outras produtos da mesma categoria ou para a mesma função ajuda na ordenação final.
O que define um produto de beleza verdadeiramente diferenciador no mercado atual?
Um produto verdadeiramente diferenciador é aquele que:
- Resolve uma necessidade real do consumidor, muitas vezes de forma mais simples;
- Tem uma formulação bem pensada, coerente do ponto de vista científico e sensorial;
- Comunica de forma honesta e transparente, sem promessas irreais;
- Demonstra consistência entre produto, marca, valores e experiência.
Hoje, diferenciar não é fazer mais — é fazer melhor, com relevância para os consumidores.
Inês Rebelo | Facialista
Quais são os principais critérios que considera ao avaliar um produto de beleza?
A avaliação de um produto é bastante complexa mas, para mim, um dos principais critérios a ter em conta é a sensibilidade da pele ao produto e, logo de imediato, a eficácia do mesmo. Hoje vivemos com uma sensibilidade cutânea mais acentuada que o normal e muitas vezes quando recomendamos um cosmético, a preocupação vai ser se a pele o irá tolerar bem. Havendo uma boa tolerância, há uma boa formulação. E uma boa formulação, mesmo com ingredientes menos inovadores, entrega o resultado desejado. A dificuldade é que hoje temos muitos produtos inacreditáveis e é difícil criar um funil de avaliação apenas com estes dois parâmetros. Assim, acabo por usar outros critérios como a textura, absorção, espalhabilidade, sustentabilidade, etc.
De que forma testa ou analisa um produto antes de emitir a sua avaliação final?
Depende sempre muito do produto, principalmente se estivermos a falar de tempo de utilização por exemplo. Se for um hidratante de corpo basta 1 utilização, se for um sérum/creme para rosto para atenuar sinais de envelhecimento preciso de, pelo menos, 3 dias. Depois à medida que vou escolhendo os favoritos vou também, naturalmente, começar a compará-los. Essa comparação facilita! Os produtos totalmente incompatíveis com o meu tipo de pele e cabelo, depois de os experimentar e avaliar, dou a pessoas próximas com essas características para perceber os resultados.
O que define um produto de beleza verdadeiramente diferenciador no mercado atual?
Sem dúvida um produto que seja bem tolerado, que tenha uma formulação irrepreensível e que possa ser indicado para diferentes tipos e estados de pele, por forma a que se consiga construir uma rotina simples mas eficaz.