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Beleza

Polinucleotídeos e Ultraformer MPT: valem a pena? Testámos os procedimentos que prometem um rosto mais jovem

Há uma nova gramática da beleza - feita de pormenores e resultados que não denunciam a sua origem. No rosto e no corpo, os procedimentos estéticos evoluem para territórios em que a intervenção se dissolve na aparência. Mas o que acontece quando essa promessa se traduz na prática?

Procedimentos estéticos
Procedimentos estéticos Foto: Getty Images
27 de julho de 2026 às 18:43 Rosário Mello e Castro e Patrícia Domingues Adicione como fonte preferencial no Google

Polinucleotídeos 

Numa era em que se caminha para tudo o que é natural, os polinucleotídeos são um belo exemplo de uma abordagem assente na medicina regenerativa. Em vez de pintar por cima dos erros com um corretor que nem sequer tem a mesma cor da página, existem hoje procedimentos que são autênticas borrachas para “erros” de genética ou de mau comportamento. “Mais do que corrigir sinais de envelhecimento, procura-se prevenir e atuar na fisiopatologia e na biologia cutâneas. Vamos estimular os mecanismos biológicos da pele, e fazê-lo de forma menos inflamatória e com menor possibilidade de efeitos secundários,” explica a Dra. Catarina Guerra, especialista em medicina estética na Skinboutique by LMR, em Lisboa. Conhecidos nas redes sociais por conterem um derivado do ADN de salmão, são claramente muito mais do que um hashtag. Conseguem acelerar a regeneração celular, trazendo mais firmeza e reduzindo pequenas rugas e ainda consegue ensinar a pele a produzir colagénio. Ótimas notícias porque a minha faz questão de aprender a ter menos de 40 anos para sempre.

Após alguns minutos de anestesia, a Dra. Catarina percorre o meu rosto com injeções estratégicas, sempre acompanhadas das melhores explicações estéticas. São picadas ligeiramente desagradáveis, mas suportáveis por qualquer força de vontade feminina. A minha pele, normalmente muito sensível, reagiu com alguma vermelhidão e pontos de inchaço, mas tudo se dissipou até ao dia seguinte, sem grandes consequências para a minha vida prática. Os resultados chegam ao longo das semanas e meses seguintes (são precisas três a cinco sessões) – provavelmente melhores consoante o médico for acertando nos tratamentos complementares.

“Cada passo depende da intenção do tratamento como um tudo,” continua a Dra. Catarina Guerra, “que neste caso também é atuar na qualidade da pele, na uniformização do tom, não só na componente vascular e inflamatória, mas também na questão do fotoenvelhecimento e da hiperpigmentação de dano solar”. Para isso (e porque faltam poucos meses para chegar aos 40, tornando a missão ainda mais desafiante), a médica juntou sessões de Forever Young BBL (BroadBand Light), um tratamento de fotorejuvenescimento avançado que complementa a intenção principal e um bioestimulador de colagénio, o Harmonyca, que aqui foi usado para definir o contorno do rosto e não para preencher. 

Por último, e porque a paciência nunca foi o meu forte, a médica aplicou o botox Relfydess, a última geração da toxina botulínica, que promete (e segundo a minha experiência cumpre com distinção) resultados mais rápidos e mais duradouros, mas que, alerta a Dra. Catarina, não é solução para todas as peles. Aqui, a precisão fez a diferença, menos foi mais e notei imediatamente o olhar mais descansado – e não há nada melhor para a pele do que parecermos pessoas despreocupados.

Ultraformer MPT 

Há algo no Ultraformer MPT que foge à lógica da transformação imediata. Em vez disso, trabalha de forma silenciosa, quase impercetível - como um mecanismo que vai restaurando, pouco a pouco, aquilo que o tempo altera. Mal entrei no consultório da Avenue Clinic lembrou-me, de forma inesperada, o robot WALL·E, do filme animado da Pixar: não só pela imagem, mas, fiquei depois a saber, pela persistência discreta. No rosto, o efeito traduz-se mais ou menos assim: menos numa mudança evidente, mais numa sensação de estrutura, firmeza e equilíbrio que regressa gradualmente. 

Realizado na Avenue Clinic, o protocolo foi totalmente personalizado, tendo em conta a estrutura do meu rosto e aquilo que procurava melhorar, essencialmente firmeza, definição e uma sensação geral de “pele mais presente”. Como explica o Dr. Rodrigo Tapadas, trata-se de um tratamento de HIFU (ultrassom focalizado de alta intensidade), uma tecnologia que utiliza energia semelhante à das ecografias, mas altamente concentrada, para atuar em profundidade sem comprometer a superfície da pele. 

“Esta energia cria pequenos pontos de calor controlado em diferentes camadas, estimulando a produção de colagénio”, explica. É precisamente essa capacidade de atuar para lá da superfície que distingue o Ultraformer MPT de abordagens mais tradicionais. Ao contrário de técnicas que se limitam à camada mais visível da pele, aqui é possível trabalhar de forma multicamada, desde planos mais profundos - onde estão as estruturas de suporte - até níveis mais superficiais, responsáveis pela textura e qualidade cutânea.

Esta abordagem reflete uma mudança clara na forma como se pensa o envelhecimento. “Hoje sabemos que é um processo tridimensional”, refere o médico. “Tratar apenas uma camada limitaria o resultado final.” Ao atuar em diferentes profundidades no mesmo procedimento, o tratamento permite não só melhorar a firmeza da pele, mas também promover um reposicionamento subtil dos tecidos, o que se traduz num efeito de lifting progressivo e natural.

Na prática, isso reflete-se de forma interessante ao espelho. Não há uma sensação de “pele esticada” no sentido artificial do termo, mas sim uma melhoria global: contornos mais definidos, textura mais uniforme e uma certa leveza na expressão. Em alguns casos, pode ainda haver uma redução de pequenas acumulações de gordura, contribuindo para um resultado mais equilibrado.

Uma das vantagens mais evidentes do Ultraformer MPT está precisamente na sua versatilidade. O plano é sempre ajustado, tanto na profundidade como na intensidade e número de disparos, o que permite adaptar o tratamento a diferentes necessidades e fases da pele. Além disso, não envolve agulhas, substâncias injetáveis ou tempo de recuperação significativo, tornando-o particularmente apelativo para quem procura resultados sem interrupções na rotina.

Num contexto em que a naturalidade se tornou um dos principais critérios, esta tecnologia responde de forma bastante coerente. “Ao não alterar a anatomia do paciente, conseguimos preservar a expressão e promover melhorias de forma progressiva”, explica o Dr. Rodrigo Tapadas. 

Os resultados também seguem essa lógica de evolução gradual. Pode existir um efeito imediato de maior firmeza, mas é ao longo dos meses seguintes que o tratamento revela todo o seu potencial, à medida que o colagénio é produzido e a estrutura da pele se reforça. É aqui que a analogia usada pelo médico faz mais sentido: “Podemos ter uma casa com um exterior impecável, mas se a estrutura estiver fragilizada, o resultado não é duradouro.” Ao trabalhar também essas “fundações”, o Ultraformer MPT permite construir resultados mais consistentes e sustentáveis. 

Mais do que uma solução isolada, este tipo de tecnologia reflete uma mudança clara na forma como se pensa a medicina estética. A urgência dá lugar à consistência, a correção cede espaço à estrutura, e os resultados deixam de ser imediatos para se tornarem progressivos - e, por isso, mais naturais. Tratar apenas a superfície já não chega - a verdadeira evolução passa por perceber que é na profundidade que a pele - e tudo o que a suporta - realmente se transforma. Uma forma mais inteligente e madura de acompanhar o tempo, em vez de tentar apenas contrariá-lo. 

 

 

 

 

 

 

 

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