Intuição feminina existe? O que a ciência revela sobre o "sexto sentido"
Dizem que as mulheres têm um sexto sentido capaz de descobrir tudo aquilo que queremos e há quem lhe chame de magia. Plot twist: não é. Trata-se de um fenómeno neurológico que tem origem em diferenças estruturais e funcionais no cérebro, tão simples quanto isto.
As mulheres têm uma capacidade inexplicável de perceber emoções, intenções ou perigos antes mesmo de existirem provas concretas. Durante muito tempo, no universo masculino, isto foi visto como drama, loucura e excesso de sensibilidade. Hoje a neurociência começa finalmente a admitir uma possibilidade desconfortável: e se a intuição feminina for, na verdade, uma forma mais avançada de perceção?
Talvez a intuição feminina nunca tenha sido um mistério. Talvez tenha sido apenas um tipo de inteligência que demorámos demasiado tempo a levar a sério (provavelmente por estar ligado ao género feminino). Kayla Osterhoff, neuropsicofisiologista e especialista em saúde feminina, publicou no seu instagram, em linguagem que pessoas, como nós, consigam entender, alguns fatores neurológicos que contribuem para a tão misteriosa intuição feminina.
Tudo se resume a uma coisa: conexões inter-hemisféricas e é mais simples do que parece. As mulheres apresentam uma maior densidade de conexões entre os dois hemisférios cerebrais, em comparação com os homens. Estes, por outro lado, têm mais conexões dentro de cada hemisfério. Segundo um estudo publicado na National Library of Medicine, esta diferença permite às mulheres processar de forma mais eficiente a informação cognitiva. Ou seja, o nosso cérebro tem vias mais diretas para que os diferentes tipos de informação comuniquem entre si.
Para além disso temos o sistema de neurónios-espelho a nosso favor, que, por ser mais desenvolvido, nos permite ter um maior nível de atividade em regiões cerebrais associadas à interocepção (a capacidade de sentir e interpretar os sinais internos do próprio corpo) e ao processamento emocional.
Em linguagem acessível, as mulheres conseguem interpretar com maior precisão os sinais não verbais, antecipar melhor as necessidades dos outros e lidar com dinâmicas sociais complexas. Mas isto já todas sabíamos, certo? O estudo não acaba aqui e quanto mais descobrimos mais fascinante se torna. O cérebro das mulheres apresenta uma maior densidade de recetores de estrogénio em regiões que tratam áreas como o processamento emocional e a memória (isto explica o porquê de os homens não se lembrarem de metade do que lhes dizemos?).
Durante o ciclo menstrual, as flutuações nos níveis hormonais provocam alterações no tecido cerebral - e este ciclo treina o sistema nervoso. Não é místico, é a chamada “prática que leva à perfeição". Se alguma vez se perguntou de onde vem aquele sentimento familiar de “e se“ estamos aqui para esclarecer. Chama-se insula e é responsável por registar sensações físicas, reais e imaginárias, às quais as mulheres sempre demonstraram mais atenção que os homens. São pequenas alterações que muitas vezes passam despercebidas, uma mudança de temperatura, uma pequena alteração no batimento cardíaco ou na respiração.
Se isto contribui para uma melhor tomada de decisões? Não sabemos ao certo, mas a verdade é que as mulheres têm acesso a informação privilegiada. Isto não significa que a nossa intuição está sempre correta, está apenas a processar mais informação.
Está na altura de batermos o pé sempre que vêm com a conversa de que, por sermos um ser mais "emocional" (e está tudo bem com isso), as mulheres não são tão capazes de tomar decisões importantes, de forma racional. Isto porque, de acordo com a neurociência, as mulheres têm mais matéria cinzenta no córtex pré-frontal e no hipocampo, regiões associadas à função executiva e à tomada de decisões.
O subconsciente também tem mão nisto. No estudo feito por Joan Meyers-Levy, Gender differences in the use of message cues and judgments, percebemos que o cérebro da mulher processa mais informação de forma subconsciente. Por isso, da próxima vez que pensar “eu sabia que se estava a passar alguma coisa “, não é loucura, é apenas o seu cérebro a processar a informação mais rsapidamente do que o seu consciente e é por isso que não conseguimos perceber o porquê de termos essa sensação.
A conclusão de todos estes estudos é relativamente simples: o cérebro das mulheres apresenta diferenças estruturais e funcionais em regiões associadas ao processamento emocional, à consciência corporal e à integração de informação complexa. Os factos e os estudo são estes, agora se podemos chamar a isto de intuição já é uma conversa sobre semântica. Isto não são suposições, nem se tratam questões de interpretação. É ciência, está estudado. É visível em exames cerebrais.
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