Como saber se está numa relação que a suga
Não é, necessariamente, uma relação tóxica e ainda tem memória de se ter divertido muito com aquela pessoa. Mas algo mudou. Ou será que está tudo na sua cabeça? Uma psicóloga esclarece.
Há relações que parecem uma subscrição premium: caras, repetitivas e difíceis de cancelar. Outras que funcionam como aplicações abertas em segundo plano, que é como quem diz, mesmo quando não estamos a falar com a pessoa, continuam a consumir disponibilidade mental. Relações que nos fazem sentir um coelhinho Duracell sem pilhas. Ou que nos obrigam a ensaiar as conversas dentro da cabeça, de antemão, não vá dar-se o caso de dizermos alguma coisa que acabe em discussão ou que possa ser usada contra nós.
Isto é o que mais há, não é verdade? O pior é que a maior parte destas relações – excluindo a família próxima que, já se sabe, é uma roleta russa – não começa assim. Afinal, tirando os masoquistas e os autossabotadores, ninguém se atira de cabeça para uma relação desgastante. Seja porque razão for, o que é certo é que há relações que nos esgotam, mas, como nem sempre foi assim, tendemos a duvidar de nós próprias. Será que fomos nós que mudámos? Será que estamos só mais cansadas? Será que estamos a ver mal? Ninguém quer cortar relações por uma ninharia. Por outro lado, a vida já é difícil quanto baste sem darmos tempo de antena a pessoas que nos põem para baixo.
Foi precisamente com intenção de ajudar pessoas que estejam a viver este dilema que a psicóloga francesa Oriane Morand, escreveu um post no Instagram no qual deu a conhecer, de acordo com a sua experiência clínica, quais os sinais típicos de uma relação desgastante, e que, de resto, podem ser relações de amizade, entre colegas de trabalho, familiares, ou até dentro do casal.
O primeiro sinal é bastante óbvio: sente-se mentalmente fatigada depois de ter estado com determinada pessoa ou de ter conversado com ela ao telefone. Aliás, é comum ter um encontro marcado e ficar cada vez mais incomodada com a perspectiva de estar com aquela pessoa. Isso ou ver o ecrã do telemóvel acender-se com o nome dela e não conseguir evitar um sonoro suspiro. Ou ver notificações de mensagens e não ter vontade de responder.
Se a leitora for introvertida dirá que isto é uma ocorrência comum na sua vida – a quem o diz! – e que isso não significa que todas as pessoas que evita estejam a drenar a sua paciência de forma maliciosa. O que é certamente verdade. Mas o que também é verdade é que todos os introvertidos têm pessoas na sua vida que adoram ver e perto de quem se sentem energizados – mesmo que detestem sair de casa e fazer o caminho para ir ter com elas e que também não apreciem o esforço de trocar mensagens para marcar um encontro.
Outro sinal de que algo de errado se passa é que sempre que convive com determinada pessoa sai do encontro a sentir que deu muito mais do que recebeu. Ou porque a outra pessoa se comporta como se estivesse num filme em que os outros são meros figurantes, ou porque interrompe a sua história para falar dela mesma, ou porque desvaloriza as suas dificuldades, porque não a ouve, ou simplesmente porque a critica mais do que a apoia. Já a leitora, apoia, ouve, não interrompe, faz sugestões, oferece-se para ajudar, mas volta sempre para casa com uma mãe cheia de nada e a cabeça ainda a rebentar de inquietações, que não pode partilhar.
Também pode acontecer que não se reconheça numa determinada relação ou que sinta que não pode ser você mesma, que não pode dizer o que realmente lhe vai na alma, que não pode fazer o que tem vontade, que não pode usar a roupa que lhe apetece, que não pode rir à gargalhada, inscrever-se num curso de sapateado ou passar a ser vegetariana. Sente que se não encaixar na visão que a pessoa tem de si, isso vai ser um problema.
De acordo com Oriane Morand, o último prego no caixão é mesmo quando tem vontade de terminar a relação ou simplesmente de se afastar e passar menos tempo com a pessoa, mas “não o faz por culpa, hábito ou medo de desiludir”. Quando assim é, não resta qualquer dúvida de que está numa relação a esgota. Resta-lhe agora decidir o que fazer: cortar relações, impor limites ou arranjar uma desculpa para dar um tempo.
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