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Violência doméstica: há 8 estádios até ao homicídio

Um estudo da criminologista Jane Monckton Smith refere que existe um padrão comportamental comum aos homens que tiram a vida às suas companheiras.

Foto: IMDb
03 de setembro de 2019 | Marta Vieira

Num ano em que se tem falado mais do que nunca em violência doméstica, com um número considerável de crimes de morte a disparar, desde o ano passado, no nosso país, torna-se cada vez mais vital o estudo deste comportamento. Publicada no início de agosto deste ano no Violence Against Women Journal,  investigação  Intimate Partner Femicide: Using Foucauldian Analysis to Track an Eight Stage Progression to Homicide ajuda a compreender o fenómeno.

A autora do artigo, a criminologista forense, especialista em homicídios, Jane Monckton Smith revelou ter encontrado um padrão temporal de 8 etapas nos agressores ao examinar 372 mortes por violência doméstica, nos últimos anos, no Reino Unido. No seu estudo, a criminologista afirma que mais de 80% das vítimas mortas pelos seus companheiros são mulheres, sendo, na maioria das vezes, o seu companheiro um homem. Na investigação foram analisados casos do site Counting Dead Women e encontraram-se estádios comportamentais comuns aos homens que assassinam as suas companheiras, ao longo de uma linha temporal. No total são 8 etapas, definidas da seguinte forma:

1. O agressor tem um histórico de perseguição ou abuso antes do relacionamento.
2. A relação avança rapidamente de um romance para um relacionamento sério.
3. O controlo coercivo do agressor começa.
4. Este controlo do agressor é ameaçado, de alguma maneira por um gatilho: a relação termina ou começam dificuldades financeiras, por exemplo.
5. O comportamento coercivo sobe de nível, em escalada, através de atitudes de perseguição ou ameaças de suicídio.
6. Ocorre uma mudança de táctica e o agressor opta por seguir em frente através da vingança ou homicídio.
7. Como parte do plano são consideradas armas, bem como oportunidades de encontrar a vítima sozinha.
8. O homicídio realiza-se e o agressor considera fazer mais vítimas, como por exemplo os filhos da vítima.

Os casos em que o modelo acima não se verifica são aqueles em que os homens não chegam a passar pelo estádio 1, mas a criminologista explica que tal ocorre por não ter existido um relacionamento anterior. "Se olharmos para todos estes casos, há planeamento, determinação e, sempre, controlo coercivo".

Segundo a BBC, aproximadamente 30.000 mulheres foram mortas pelos actuais ou antigos parceiros, em todo o mundo, no ano de 2017. Com este estudo, Jane Monckton Smith, professora universitária em Gloucester, pretende que se identifique com maior facilidade, o risco de alguém ser morto às mãos do companheiro, num contexto de violência domestica. As vítimas e os profissionais envolvidos poderão identificar qual a fase em que o caso se encontra, havendo mais hipóteses de se evitar o desfecho trágico. Entretanto, o modelo já começou a ser apresentado a advogados, psicólogos e forças policiais, esperando-se que haja uma divulgação mais ampla do mesmo.
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