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Os mais felizes aprendem melhor

Cientistas portugueses coordenaram um estudo que mostra como a serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar e felicidade, afeta a aprendizagem.

05 de julho de 2018 | Aline Fernandez

A serotonina, neurotransmissor que é sobretudo responsável pelo humor e pela sensação de bem-estar e felicidade, acelera a aprendizagem. A descoberta é de uma equipa internacional de cientistas do Centro Champalimaud, em Lisboa, desenvolvido em conjunto com a University College London.

Os resultados da série de experiências realizadas com ratos foram publicados no fim de junho na revista Nature Communications. Sabe-se assim que a serotonina não tem apenas um papel agradável ou gratificante, desempenhando uma função muito mais complexa. No estudo ficou demonstrado que o neurotransmissor aumentou a velocidade de aprendizagem, quando estes foram ativados com luz laser – através de uma técnica chamada optogenética –, e os ratos conseguiram adaptar o seu comportamento mais rapidamente.

Já em 2015, os cientistas do Centro Champalimaud Madalena Fonseca, Masayoshi Murakami e Zachary Mainen publicaram um artigo na revista Current Biology onde se afirmava que, quanto mais serotonina um rato tivesse no cérebro, mais paciente o animal seria, ou seja, maior seria o intervalo de tempo em que ele iria esperar por uma recompensa. Este ano, o mesmo grupo, ao qual se juntaram Kiyohito Ligaya e Peter Dayan, ambos da University College London, descobriu novos dados sobre o neurotransmissor.

O próximo passo será o de aprofundar o quanto a serotonina influencia a aprendizagem e perceber como é que este efeito se relaciona com outros, como na promoção da paciência. Mas já podemos acreditar que a felicidade e o bem-estar também contribuem para o conhecimento.

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