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Existe um “gene do amor”?

Uma investigação recente demonstra que o gene CD38 pode influenciar os nossos comportamentos e dinâmicas numa relação amorosa.

Foto: Photo by Joe Yates on Unsplash
25 de setembro de 2020 | Inês Esteves

Um grupo de investigadores, entre eles Gentiana Sadikaj, D. S. Moskowitz, David C. Zuroff e Jennifer A. Bartz realizaram um estudo, publicado na revista Scientific Reports, para perceber se através do gene CD38, relacionado com o comportamento de apego em roedores, seria possível prever as dinâmicas românticas no quotidiano de casais humanos.  

A investigação foi feita através do registo de eventos-contigentes (ECR: event-contingent recording) e incluiu 111 casais, ou seja 222 indivíduos, sendo que estes tinham de reportar os seus comportamentos e a percepção que tinham do comportamento do parceiro. Durante 20 dias, foi-lhes pedido também que reportassem como interagiam face a algum ajuste que fosse feito na relação. Dos 222, apenas 118 participantes autorizaram a análise do seu perfil genético.

No final, verificou-se que o gene CD38 (mais especificamente, uma variação do gene: CD38.rs3796863) estava associado ao comportamento comunitário (expressões de afeto) entre os indivíduos, nomeadamente à forma como interagem um com o outro. Esta variação de gene tem duas variantes, A e C, e pode estar presente na forma de três genótipos diferentes, AA, CC e AC. O estudo explica que, por exemplo, indivíduos com o tipo CC tinham expressões de afeto superiores ao dos indivíduos com AA ou AC, revelando assim que, os CC são mais suscetíveis a sentimentos negativos (ansiedade ou raiva) e, em contrapartida, tinham mais perceção de como estava o relacionamento.

Concluiu-se também que todas estas caraterísticas referidas  são afetadas não só pelo genótipo da pessoa em causa, mas também pelo do parceiro, o que significa que se ajustam.

Em nota de conclusão do estudo, os investigadores explicam: "(…) Nós mostrámos que a variação no CD38 desempenha um papel fundamental nos comportamentos de afiliação comunitária que apoiam a conexão entre seres humanos. Uma suposição básica da investigação sobre a neurologia da conexão é que os seres humanos evoluíram no sentido de terem uma propensão para a formação de laços em casal duradouros; o CD38 pode ter sido um fator importante neste processo. Está implícito no nosso trabalho que a noção destes comportamentos de afiliação comunitária facilita a longevidade da relação, mas é necessário trabalho futuro para avaliar diretamente os efeitos do CD38 na sobrevivência das relações românticas", lê-se no estudo.

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