Caso Lindsay Clancy. Durante as deliberações finais, fizemos o resumo de tudo o que aconteceu até aqui (do dia do crime às teorias da internet)
Lembrando que o que está em causa não é quem matou as crianças, mas quem era, mentalmente, aquela mulher naquele momento e até que ponto compreendia aquilo que estava a fazer.
24 de janeiro de 2023, uma terça-feira, por volta das 17h, em Duxbury, Massachusetts. Patrick Clancy, pai de três filhos e marido de Lindsay Clancy, sai de casa para ir buscar medicamentos a uma farmácia que fica a poucos minutos de carro e, depois, o jantar. Por volta das 17h15, Lindsay envia-lhe uma mensagem a pedir que compre o medicamento Pedia-Lax. Às 17h24, Patrick envia um email relacionado com trabalho. Mais tarde, as imagens de videovigilância mostram-no a entrar na CVS por volta das 17h32. Já dentro da farmácia, liga a Lindsay para confirmar se podia levar a versão genérica do medicamento. Ela não atende imediatamente, mas devolve-lhe a chamada pouco depois e confirma que sim. Patrick sai da CVS por volta das 17h37 e segue para o ThreeV, o restaurante para onde Lindsay tinha ligado previamente para encomendar o jantar. As câmaras registam-no no restaurante por volta das 17h54. Depois disso, regressa a casa, onde chega aproximadamente às 18h09.
Quando chega, depara-se com Lindsay no exterior da casa, caída no quintal e gravemente ferida depois de ter saltado de uma janela do segundo andar. Liga imediatamente para os serviços de emergência. Durante a chamada, pergunta-lhe onde estão os miúdos e Lindsay responde que estão na cave. Quando os primeiros socorristas chegam, Patrick entra em casa, desce à cave e encontra Cora, Dawson e Callan com bandas de exercício à volta do pescoço. Um dos agentes que testemunhou em tribunal recorda Patrick a gritar: "Ela matou o raio dos miúdos!".
Passaram-se mais de três anos desde o ocorrido. Patrick e Lindsay estão atualmente divorciados e Patrick começou a namorar com a atual mulher, um ano e um mês depois do ocorrido. Lindsay, por sua vez, tem estado, na prática, sob custódia enquanto recebe cuidados médicos e psiquiátricos. Não está numa prisão distrital convencional: encontra-se no Tewksbury Hospital, uma instituição hospitalar gerida pelo Estado, devido tanto às suas necessidades médicas como psiquiátricas. A queda da janela deixou-a paralisada da cintura para baixo e, atualmente, desloca-se em cadeira de rodas.
Em maio de 2023, já se encontrava no Tewksbury Hospital. Em setembro desse ano, um grande júri acusou-a formalmente de três crimes de homicídio, além de acusações relacionadas com estrangulamento. Ficou detida sem possibilidade de fiança e permaneceu em Tewksbury. Portanto, do ponto de vista jurídico, Lindsay está detida; porém, devido ao seu estado físico e psiquiátrico, essa detenção tem sido cumprida num ambiente hospitalar e não numa cadeia convencional.
Uma das perguntas que temos muitas vezes em casos como este é: porque é que demorou tanto tempo até chegarmos aqui? Uma das principais razões é que este não é um caso de homicídio típico em que a questão central seria descobrir quem cometeu o crime. A defesa de Lindsay Clancy não contesta que foi ela quem matou os três filhos. Aqui, não está em causa se foi Patrick ou uma terceira pessoa. A grande questão jurídica é qual era o estado mental de Lindsay no momento em que matou as crianças e se podia ser considerada criminalmente responsável ao abrigo da lei do Massachusetts.
E há aqui uma distinção jurídica importante. No Massachusetts, depois de a questão da responsabilidade criminal ser levantada, cabe à acusação provar, para além de uma dúvida razoável, que o arguido era criminalmente responsável. De forma simplificada, uma pessoa pode não ser considerada criminalmente responsável se, devido a uma doença ou perturbação mental, não tiver capacidade substancial para compreender a natureza criminosa ou errada dos seus atos, ou para controlar o comportamento de acordo com a lei. É precisamente à volta desta questão que todo o julgamento tem girado.
Foi também por isso que o processo demorou tanto. Foi necessário reconstruir um historial psiquiátrico excecionalmente complexo: os tratamentos que Lindsay fez antes das mortes, os internamentos, os diagnósticos considerados, os medicamentos prescritos e posteriormente interrompidos ou alterados, aquilo que disse aos profissionais de saúde antes e depois dos homicídios, os registos médicos, mensagens e pesquisas em dispositivos eletrónicos e, finalmente, avaliações realizadas por diferentes psiquiatras e psicólogos forenses.
O julgamento em si também foi adiado várias vezes. Inicialmente, estava previsto começar a 1 de dezembro de 2025. Depois passou para janeiro de 2026, mais tarde para 9 de fevereiro e, finalmente, para 20 de julho de 2026, data em que começou a seleção do júri. Os argumentos iniciais e os primeiros depoimentos começaram a 27 de julho.
Não restam dúvidas de que este se tornou um caso extremamente mediático, com uma atenção enorme nas redes sociais. E é aí que aparecem as várias opiniões dos espectadores, análises frame a frame, teorias e alegadas "inconsistências" que acabam por nos fazer questionar aquilo que pensávamos saber sobre o caso. Mas é também aqui que é preciso ter algum cuidado: uma coisa é identificar uma pergunta para a qual ainda não temos resposta; outra completamente diferente é transformar essa pergunta numa prova de que alguma teoria é verdadeira.
Patrick foi a primeira testemunha a depor no julgamento. Em tribunal, recontou os acontecimentos daquela noite, mas falou também do estado mental da então mulher nas semanas anteriores. Descreveu uma deterioração significativa no final de 2022, marcada por ansiedade, insónia, pensamentos suicidas e pensamentos intrusivos relacionados com os filhos. Na passagem de ano, levou Lindsay ao Massachusetts General Hospital e, já na madrugada de 1 de janeiro de 2023, ela foi transferida para o McLean Hospital, onde permaneceu durante cinco dias. Patrick contou ainda que Lindsay lhe tinha falado de pensamentos relacionados com a possibilidade de fazer mal às crianças ou de alguma coisa terrível lhes acontecer. No entanto, é importante fazer aqui uma distinção: vários profissionais que a avaliaram nesse período testemunharam que ela negava ter intenção ou um plano para matar alguém. Quando teve alta do McLean Hospital, a 5 de janeiro, a médica responsável disse não ter considerado Lindsay um perigo para si própria ou para terceiros naquele momento.
Há depois uma das partes mais importante - e também mais controversa - deste caso: 'a voz'. Numa ação judicial por morte injusta apresentada contra profissionais e instituições de saúde envolvidos no tratamento de Lindsay, Patrick alegou que ela lhe contou ter começado a ouvir uma voz masculina, única e desconhecida, que lhe transmitia a ideia de que aquela era a sua "última oportunidade" e que teria de levar os filhos consigo. Segundo essa versão, a voz dizia-lhe que devia morrer e que as crianças sofreriam se ela morresse e as deixasse para trás. Durante o próprio julgamento, especialistas chamados pela defesa relataram versões semelhantes dadas por Lindsay nas avaliações psiquiátricas posteriores.
Claro que, quanto mais tempo passa e quanto mais informação é partilhada online, mais as pessoas começam a questionar tudo. Uma das teorias que apareceu nas redes sociais foi: e se a voz que Lindsay dizia ouvir não fosse uma alucinação, mas sim Patrick? É uma pergunta que circula online, mas é essencial dizê-lo claramente: não foi apresentada em tribunal qualquer prova de que a voz fosse Patrick, nem de que ele tivesse ordenado a Lindsay que matasse as crianças. Neste momento, isso pertence ao campo da especulação da Internet e não ao das provas do processo. As teorias que acusam diretamente Patrick tornaram-se tão generalizadas que, já durante o julgamento, o seu advogado veio publicamente classificá-las como falsas e difamatórias.
Nos meses que antecederam a morte dos filhos, Lindsay Clancy recebeu prescrições para uma longa lista de medicamentos psiquiátricos. Entre os fármacos que apareceram nos seus registos estavam antidepressivos, benzodiazepinas, medicamentos utilizados para o sono e antipsicóticos. Ao longo de aproximadamente quatro meses, entre setembro de 2022 e janeiro de 2023, terá recebido mais de 30 prescrições envolvendo cerca de 13 medicamentos psiquiátricos diferentes. Mas isto precisa de uma ressalva muito importante: não estava a tomar os 13 medicamentos ao mesmo tempo. Alguns foram experimentados e depois suspensos, outros substituídos e outros ajustados ao longo do tratamento.
Lindsay teve uma consulta de psiquiatria no dia 23 de janeiro de 2023, apenas um dia antes dos homicídios. Nessa altura, voltou a negar pensamentos suicidas ou homicidas e não foram registados sinais claros de psicose ou mania pela psiquiatra que a avaliou. O plano de medicação continuava, no entanto, a ser ajustado. Este ponto é particularmente importante porque acusação e defesa interpretam todo este historial de formas bastante diferentes: a defesa argumenta que Lindsay estava gravemente doente e que os sucessivos medicamentos contribuíram para o seu estado; a acusação sustenta que, apesar dos problemas psiquiátricos, isso não significa que estivesse psicótica ou incapaz de compreender aquilo que estava a fazer.
O julgamento revelou também um detalhe que tem alimentado bastante discussão: os comprimidos esmagados. Patrick disse que encontrou, no quarto do casal, resíduos de comprimidos esmagados num copo. Lindsay relatou posteriormente que tinha esmagado medicamentos e usado limonada para os engolir no contexto daquilo que descreveu como uma tentativa de suicídio. Este detalhe tornou-se ainda mais discutido porque os especialistas analisaram a forma como ela contou essa parte da história e os resultados toxicológicos. Ou seja, sabemos que existem declarações e provas relacionadas com comprimidos triturados; o que não podemos concluir a partir daí é que outra pessoa os tenha preparado ou lhe tenha administrado medicamentos secretamente. Naturalmente, os comprimidos esmagados deram origem a teorias de que Patrick, ou outra pessoa, poderia ter preparado ou administrado a medicação. Até ao momento, não foi apresentada ao júri qualquer prova que sustente essa acusação.
Outro ponto da investigação que fez os chamados "detetives da Internet" levantar as sobrancelhas tem a ver com o registo temporal de Patrick na noite de 24 de janeiro de 2023. Grande parte da especulação concentra-se nas imagens de videovigilância da CVS e do ThreeV, em alguns intervalos da cronologia e num email de trabalho enviado às 17h24.
Um dos pontos mais discutidos é a aparência de Patrick nas diferentes imagens de videovigilância. Há pessoas online que dizem ver diferenças nos sapatos, na roupa, na constituição física ou no aspeto geral entre as imagens da CVS e as do ThreeV. A partir daí surgiram teorias de que Patrick poderia ter mudado de roupa ou até de que não seria a mesma pessoa nos dois vídeos. O problema é que nenhuma dessas alegações foi estabelecida em tribunal. Não existe prova apresentada ao júri de que Patrick tenha trocado de roupa para esconder alguma coisa, de que outra pessoa se tenha feito passar por ele ou de que as imagens mostrem dois homens diferentes. As diferenças percebidas pelos espectadores nas redes sociais continuam, portanto, a ser interpretações das imagens - não conclusões forenses estabelecidas no processo.
O que é mais concreto é que existem intervalos na cronologia que as câmaras do interior dos estabelecimentos, por si só, não explicam. Lindsay enviou a mensagem sobre o Pedia-Lax por volta das 17h15. Patrick disse que a CVS ficava a aproximadamente três minutos de carro de casa. As imagens mostram-no a entrar na farmácia cerca das 17h32. Durante o contrainterrogatório, foi confrontado com esse intervalo. No entanto, há uma nuance importante: Patrick disse que não conseguia afirmar com exatidão se já tinha saído de casa quando recebeu a mensagem das 17h15. Portanto, podemos dizer que existe um intervalo entre a mensagem e a sua entrada na CVS; não podemos afirmar, como facto, que existem 14 minutos durante os quais se sabe que ele estava fora de casa mas cuja localização é completamente desconhecida.
Existe depois um segundo intervalo. Patrick sai da CVS aproximadamente às 17h37 e aparece no ThreeV às 17h54. São cerca de 17 minutos entre as duas imagens, embora Patrick tenha descrito o trajeto como demorando aproximadamente dez minutos. É perfeitamente legítimo perguntar o que explica os minutos adicionais. O que não existe, até agora, é qualquer prova apresentada em tribunal de que Patrick tenha regressado a casa durante esse período. Um intervalo numa cronologia pode justificar perguntas; não prova, por si só, que tenha ocorrido algo criminoso.
E depois temos o email das 17h24.
Durante o depoimento, Patrick foi confrontado com um email de trabalho enviado naquele horário. O advogado da defesa perguntou-lhe se tinha sido enviado através do Microsoft Surface Pro existente em casa. Patrick respondeu que não sabia e acrescentou que poderia tê-lo enviado através do iPhone. Mais tarde, a acusação voltou ao assunto e Patrick confirmou que tinha o telemóvel consigo quando foi filmado na CVS e no ThreeV. Esta distinção é importante porque algumas teorias online apresentam o email das 17h24 como se fosse uma prova definitiva de que Patrick ainda estava em casa naquele momento. As provas apresentadas ao júri não permitem fazer essa conclusão. Sabemos a hora a que o email foi enviado. Pelo depoimento público, não ficou estabelecido de forma conclusiva que tenha sido enviado através do Surface Pro nem que esse dispositivo estivesse necessariamente dentro da casa quando a mensagem foi enviada.
Para transformar o email numa prova precisa da localização física de Patrick seria necessário outro tipo de informação digital que ligasse o envio a um dispositivo e, depois, esse dispositivo a uma determinada localização - por exemplo, metadados do aparelho ou da rede. Pelo menos com base naquilo que foi apresentado publicamente durante o julgamento, não foi demonstrado ao júri que o email das 17h24 tenha sido enviado a partir da casa dos Clancy.
O Surface Pro chamou também a atenção por outro motivo. Durante o julgamento foram discutidos registos de atividade no computador meses antes das mortes, incluindo atividade associada à conta de Lindsay, pesquisas e páginas relacionadas com suicídio. Patrick foi interrogado sobre essa atividade e disse não se recordar de parte dela.
As teorias online mais extremas - incluindo sugestões de que Patrick teria mudado de identidade, de que outra pessoa apareceria em seu lugar nas imagens ou de que teria regressado secretamente a casa para participar nas mortes - não foram sustentadas por provas apresentadas em tribunal. Mais importante ainda: a própria defesa de Lindsay não está a alegar que Patrick matou as crianças. A estratégia de Kevin Reddington tem-se concentrado no estado mental de Lindsay e na questão de saber se ela podia ser considerada criminalmente responsável quando matou os filhos.
Foram semanas em tribunal, com o caso exposto ao escrutínio público e praticamente cada depoimento, reação e imagem analisados por milhares de pessoas. E, no meio de toda essa atenção, surgiu uma personagem inesperada: Kevin Reddington, o advogado de defesa de Lindsay Clancy.
As redes sociais rapidamente se encheram de comentários sobre ele. Houve quem brincasse que não tinha previsto, no seu “bingo de 2026”, ver um advogado criminal de 75 anos tornar-se inesperadamente popular na Internet. Mas Reddington está longe de ser um desconhecido no Massachusetts. Exerce advocacia há cerca de cinco décadas e construiu uma carreira sobretudo na defesa criminal, representando arguidos em vários casos mediáticos. Durante este julgamento, chegou a dizer que o caso de Lindsay Clancy poderá ser um dos mais memoráveis e difíceis da sua carreira.
Durante os contrainterrogatórios, tornou-se conhecido pela forma direta e, por vezes, agressiva com que confronta testemunhas e especialistas da acusação. Interrompe, insiste quando considera que uma pergunta não foi respondida e não esconde a irritação quando discorda da forma como um depoimento está a decorrer. Um dos momentos que mais circulou aconteceu durante o contrainterrogatório do psiquiatra Avram Mack, chamado pela acusação. Quando Mack pareceu sorrir durante uma troca mais tensa, Reddington interrompeu-o: "Isto não tem piada, senhor". O juiz William Sullivan teve de intervir várias vezes durante o confronto, chegando a recordar ao especialista que era o advogado quem fazia as perguntas.
No entanto, os momentos que talvez mais tenham alterado a imagem pública de Reddington não foram os confrontos. Foram os pequenos gestos captados pelas câmaras entre ele e Lindsay. Durante alguns dos depoimentos mais difíceis, foi visto a aproximar-se dela, a consolá-la e a dar-lhe a mão enquanto chorava. A 12 de agosto, durante o depoimento dos médicos-legistas sobre as lesões sofridas por Cora, Dawson e Callan, Lindsay começou a soluçar de forma audível e disse que não conseguia continuar. O julgamento teve de ser interrompido e o júri retirado temporariamente da sala. Essas imagens, juntamente com outros momentos em que Reddington aparece a tentar acalmá-la, espalharam-se rapidamente pelas redes sociais e ajudaram a criar esta imagem quase inesperada do advogado: extremamente combativo quando está de pé a interrogar uma testemunha, mas bastante protetor quando se volta para a cliente.
E é precisamente aqui que o julgamento chega ao seu ponto mais importante.
A defesa apresentou especialistas, entre eles o conhecido psiquiatra forense Phillip Resnick, que concluíram que Lindsay estava psicótica no dia das mortes e que as alegadas alucinações de comando afetaram de forma profunda a sua capacidade para compreender ou controlar aquilo que estava a fazer. Resnick chegou a descrever o estado de Lindsay como se ela estivesse a agir quase como uma “marioneta”, controlada pela voz que dizia ouvir.
A acusação apresentou uma interpretação completamente diferente. Especialistas como Avram Mack, Kirk Heilbrun e Gregory Saathoff reconheceram que Lindsay sofria de problemas psiquiátricos graves, mas rejeitaram a conclusão de que estivesse psicótica ao ponto de não ser criminalmente responsável. Saathoff, a última testemunha prevista da acusação, testemunhou esta quarta-feira, 26 de agosto, que acredita que Lindsay conseguia distinguir o certo do errado no dia em que matou os filhos.
É isso que o júri terá agora de decidir. Não se Lindsay matou Cora, Dawson e Callan - isso não está verdadeiramente em disputa -, mas quem era Lindsay Clancy, mentalmente, naquele momento e até que ponto compreendia aquilo que estava a fazer.
Os argumentos finais estão previstos para hoje, quinta-feira, 27 de agosto, e espera-se que o júri comece as deliberações amanhã, sexta-feira, 28 de agosto - poderá durar de minutos a semanas. Portanto, qualquer publicação que diga neste momento que Lindsay já foi considerada culpada, inocente ou não criminalmente responsável está, simplesmente, a adiantar-se ao processo.
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