Atual

As músicas da minha vida: A escolha de Capicua

Desafiamos artistas a elegerem que músicas ou artistas marcaram a sua vida. Conheça as escolhas de Ana Matos Fernandes.

Foto: André Tentugal
15 de maio de 2020 | Rita Lúcio Martins

Natural do Porto, Capicua (Ana Matos Fernandes) é uma referência incontornável do hip hop nacional, mas é muito mais do que isso. Voz ativa na sociedade civil, é uma convicta defensora das causas ecológicas e dos direitos das mulheres, desdobrando-se entre causas e projetos, deixando sempre uma marca própria. São muitas as parecerias artísticas que tem vindo a desenvolver desde 2004, altura em que editou os primeiros trabalhos. Madrepérola, editado no início do ano, é o seu mais recente álbum. E estas são as músicas que ajudam a contar um pouco da sua história.

Canção de Embalar, de José Afonso

Era a música que o meu pai me cantava para adormecer e até hoje me acalma. Sei a letra de cor e canto para o meu bebé, ao meu estilo desafinado. Também a mencionei na letra da "Vayorken" pelo seu impacto na minha infância e pela afetividade que me criou em relação ao Zeca (um dos meus heróis mitológicos). 

A Cena Toda, de Dealema

É um hino do Hip Hop do Porto (a minha escola) e um hino da minha adolescência. Sempre fui muito fã dos Dealema, vi centenas de concertos deles ao longo dos anos e servem para mim de grande exemplo e inspiração. Não apenas porque representam a fundação da cena do Porto, mas porque têm representado durante todos estes anos o espírito do grupo de adolescentes que fomos, juntos. É só ouvir a letra e arrepio-me.

Lost Ones, de Laurin Hill

É o tema mais poderoso do meu disco favorito. The Miseducantion of Laurin Hill é um álbum de exceção que me marcou enquanto mulher e enquanto mulher do Rap. Poderia ter escolhido qualquer outra música desse disco mas esta é a que mais head banging permite e a que tem o Rap mais rasgado.

Barco Negro, de Amália Rodrigues

Descobri Amália tardiamente porque os meus pais não tinham o hábito de ouvir fado, mas assim que percebi o poder da sua voz, a sua profundidade de alma, a sua inquietação, o seu rasgo e a sua coragem, fiquei rendida. Amália é daquelas artistas sem paralelo e este tema, que tem uma história muito particular, é um dos que mais gosto. Quando ela diz "São Loucas" e a sua voz reverbera, ora aguda, ora grave, o meu corpo estremece. É sublime.

A Construção, de Chico Buarque

Uma letra genial, uma voz especial e a bênção de sermos contemporâneos de Chico Buarque. A sua escrita é, de facto, irrepreensível e nesta canção desdobra-se em múltiplos e sempre novos significados, à medida que se vão trocando as palavras, de forma aparentemente aleatória. Parece fácil e é precisamente por isso que é perfeita.

Saiba mais Música, A escolha, Laurin Hill, Capicua, Porto, Ana Matos Fernandes, Dealema, Amália Rodrigues, Rap, Chico Buarque, artes, cultura e entretenimento, música
Relacionadas

Mayra, a diva rebelde

Conversámos com Mayra Andrade e debruçamo-nos sobre esse conceito, tantas vezes indecifrável, que é a continuidade na mudança. A cantora fala-nos de Manga, o seu mais recente álbum, retrato lusófono de uma mulher inteira e livre que ainda sorri como uma menina.

Mais Lidas