Lisbon by Design. Quando o design é também um desígnio

Já começou a sexta edição de uma das mais aguardadas exposições de design e artesanato contemporâneo do ano. Com cerca de 60 artistas bem conhecidos e mais de 10 jovens artesãos, portugueses ou que vivem e trabalham cá, este evento celebra o que de melhor se faz neste país.

Lisbon by Design Foto: DR
29 de maio de 2026 às 14:20 Madalena Haderer

O Lisbon by Design está de volta. Até ao próximo dia 31 de Maio, o Palacete Gomes Freire, vai encher-se, de alto a baixo, com o melhor que o design made in Portugal tem para oferecer. Nesta sexta edição, a exposição conta com a participação de mais de 60 designers, na sua maioria portugueses, mas também muitos estrangeiros que vivem e trabalham em Portugal. No dia do evento dedicado à imprensa, quem fez as apresentações foi Julie de Halleux, fundadora e curadora do evento, visivelmente satisfeita por regressar ao espaço que viu nascer o Lisbon by Design, há seis anos, mas que desta vez, ocupa os dois pisos, o jardim e um anexo. Sinal de que o design português está bom e recomenda-se.

“Lisbon by Design é cada vez mais um laboratório de designers e criativos que moram e produzem em Portugal. Não são todos portugueses, temos uma mistura, mas a maioria são. E vêm aqui, todos os anos, apresentar peças únicas e inéditas, que foram feitas de propósito para a exposição ou que fazem parte de uma nova colecção”, explica Julie, dizendo que tem sempre o cuidado de fazer a sua curadoria de forma a chegar a um conjunto de participantes que consista “numa mistura de designers cutting edge, como Toni Grilo ou Joana Teixeira, que vêm das escolas de design, com artistas, ceramistas, marceneiros, e outros artesão que produzem, à mão, peças completamente originais”. Para ilustrar, dá o exemplo de Igor de Kerchove, designer e artesão belga, radicado em Lisboa, que apresenta peças de mobiliário que combinam madeira e sal marinho, e criou também uma instalação monumental no pátio – uma espécie de templo em madeira inspirado no jogo Kapla.

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A fundadora e curadora explica ainda que o evento inclui sempre “designers bem conhecidos, mas também novos designers, pessoas que apresentam o trabalho pela primeira vez. Gostamos muito de apresentar uma variedade de designers, mas também de técnicas, e todos os anos procuramos ter uma mistura cada vez mais ampla de matérias-primas: cerâmica, têxtil, madeira, mármore, pedra, etc. Aqui,” continua, “os artistas são livres de experimentar e tentamos ter o máximo de instalações e peças grandes porque o Lisbon by Design não é uma feira comercial para vender objectos, é, isso sim, um lugar onde os artistas podem mostrar o que conseguem fazer”.

A propósito de peças grandes, a Oficina Marques está de volta, pela terceira vez, e criou uma instalação que não passa despercebida, desenvolvida a partir de enormes cavaletes para curtir peles, com os quais fez quatro enormes cavalos, cada um alusivo aos quatro elementos. Peças idealizadas e construídas no estilo inconfundível da dupla de criativos Gezo Marques e José Aparício Gonçalves. 

Oficina Marques Foto: DR

Mas antes de chegar à sala da Oficina Marques, no primeiro piso, o visitante é recebido, logo à entrada do palacete, por um mural de grande escala que reinterpreta técnicas tradicionais de palha, num projeto desenvolvido pelo duo Macheia  com o apoio da Sassy Women Society – um clube sediado em Portugal, dedicado a mulheres criativas e curiosas, que promove a expressão artística, a conexão significativa e o diálogo cultural. Já que falamos de mulheres, vale a pena referir a colaboração entre as artista Henriette Arcelin, Fantasque e Mathilde Gallien, que dá origem a objetos híbridos e fantásticos, dignos de um mundo de fantasia, que cruzam cerâmica, têxtil e marcenaria, com apontamentos femininos que fazem lembrar um mistura de art nouveau com os azulejos de Raphael Bordallo Pinheiro.

De resto, este espírito colaborativo é central no Lisbon by Design, revelando encontros inéditos que exploram matérias, técnicas e abordagens complementares. Vale a pena destacar também a parceria Fuschini x Ferreira de Sá, que reinventa mobiliário e tapeçaria sob direção artística de Rosana Sousa; a colaboração entre Baptiste da Silva e OHXOJA, centrada na materialidade portuguesa, com especial foco na cortiça; e também Martinho Pita, GRAUº Cerâmica e João Guimarães se unem para criar uma instalação cenográfica, enquanto Kylie Marie e Acru exploram o diálogo entre mobiliário escultórico e têxteis de forte dimensão narrativa.

A grande novidade desta edição é a exposição coletiva, um espaço que reúne mais de dez designers, cada um apresentando entre uma e três peças colecionáveis, e que amplia o espaço dedicado a talentos emergentes e jovens criadores, alguns revelando a sua peça-assinatura, outros apresentando os primeiros capítulos de coleções ainda em desenvolvimento. Em muitos casos, são artistas que não teriam condições de criar uma grande instalação, mas que querem poder aproveitar a oportunidade de divulgar o seu trabalho. É o caso de Catarina Tudella, a artesã por detrás da marca Seda & Companhia e que faz questão de só usar seda nacional nos seus bordados.

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A grande novidade desta edição é a exposição coletiva Foto: DR

Em declarações à Máxima, Julie de Halleux conta de onde lhe surgiu o desejo de criar o Lisbon by Design: “Adoro visitar feiras de design e de antiguidades, como cliente, e vi que não havia nada em Portuga do género e decidi experimentar e criar este evento focado no design made in Portugal.” Julie explica ainda que, sendo belga, mas vivendo em Portugal já há 12 anos, está numa posição muito peculiar, que lhe permite ver o design nacional “com um olhar exterior, mas que é, ao mesmo tempo, um olhar interior, de quem já cá está há muitos anos”. Mais do que tudo, diz, “quis devolver a Portugal um pouco daquilo que me tem dado”. 

Onde? 

Palacete Gomes Freire, Rua Gomes Freire 98, 1150-179 Lisboa 

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Quando? 

De 27 a 31 de Maio 

Horário?

De quarta a sexta, das 17 às 21 horas;

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sábado e domingo, das 10 às 18 horas 

Preço? A entrada custa 12,50 euros

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