Não existem relações perfeitas. Ninguém é perfeito, mas existem relações que se vão construindo gradualmente, relações que se tornam mais fortes à medida que o casal cresce individual e conjuntamente. Não há um livro que nos ensine a amar, mas as The 5 Love Languages de Gary Chapman está lá perto. Lá, o autor, orador e psicólogo explica-nos como podemos construir uma relação saudável a partir de linguagens de amor, a nossa e a do nosso parceiro.
A forma como uma pessoa gosta de ser amada não é necessariamente a forma como o outro gosta de ser amado e, por isso, o tipo de amor que um quer receber nem sempre é o melhor tipo de amor para dar, e vice-versa. Aqui surge o clichê 'relacionamentos com falta de comunicação não funcionam', mas, queiramos ou não, é a mais pura das verdades. Como diz Gary Chapman: “No final de contas, somos todos diferentes, com necessidades e desejos distintos nas nossas diversas relações. Trata os outros como gostarias de ser tratado” é uma ótima forma de garantir que não estamos a ser injustos ou descuidados. Mas, nas relações pode ser ainda mais eficaz considerar tratar os outros da forma como eles gostariam de ser tratados.”
Não é suposto fazermos tudo o que o nosso parceiro quer e esquecermo-nos do nosso amor próprio. No entanto, a partir do momento em que amamos alguém, vamos querer ouvir essa pessoa e tratá-la da forma que ela gosta e merece. “O objetivo do amor não é obter algo que desejamos, mas fazer algo pelo bem-estar de quem amamos”, afirma Chapman.
Linguagem de Amor #1 – Palavras de Afirmação
“Elogios verbais, ou palavras de apreciação, são comunicadores poderosos de amor. Estes expressam-se melhor em declarações simples e diretas de afirmação, como: “Estás tão elegante com esse casaco.”; “Uau! Ficas linda com esse vestido.”; “Adoro estas batatas. Aposto que és a melhor cozinheira do mundo”; “Fiquei muito feliz por teres lavado a louça hoje.”; “Obrigada por teres levado o lixo de manhã.” O que aconteceria com o clima emocional de um casamento se o casal ouvisse estas palavras de afirmação regularmente?” Não precisamos de Gary para responder: usar este tipo de linguagem ao longo do relacionamento vai trazer confiança e afirmação de sentimento. Mas claro, não é suposto ser usado com o intuito de querer algo em troca, não é esse o objetivo do amor.
Ainda assim, tal como refere Gary: “É um facto que quando recebemos palavras afirmativas, estamos muito mais propensos a sentir-nos motivados a retribuir.” Uma pessoa cuja linguagem do amor são palavras de afirmação dá grande importância a expressões verbais ou até mensagens de carinho e reconhecimento - a comunicação verbal é essencial na relação. Demonstra afeto através de elogios, palavras de encorajamento, agradecimento ou palavras de apoio. Da mesma forma, sente-se verdadeiramente amada quando recebe afirmações consistentes e sinceras, que lhe transmitam segurança e valorização.
Linguagem de Amor #2 – Tempo de Qualidade
“Um aspeto central do tempo de qualidade é a companhia. Não me refiro apenas à proximidade... A companhia tem a ver com atenção concentrada. Tempo de qualidade não significa que temos de passar os momentos juntos a olhar nos olhos um do outro. Significa que estamos a fazer algo juntos e que estamos a dar toda a nossa atenção à outra pessoa”, explica Chapman. Para quem assume como a sua linguagem de amor o tempo de qualidade valoriza, acima de tudo, momentos partilhados com alguém que esteja verdadeiramente presente, de corpo e mente. Para estas pessoas, o simples facto de estarem juntas e reservarem tempo uma para a outra tem mais significado do que palavras ou objetos materiais. “Sentar-se no sofá com a TV desligada, olhar um para o outro e conversar, dar atenção total um ao outro. Dar um passeio, só os dois, ou sair para comer, olhar um para o outro e falar” são algumas das pequenas coisas que caracterizam ‘tempo de qualidade’ numa relação afetiva.
Estas pessoas sentem-se amadas quando existe contacto visual, conversas profundas e atenção sincera. Como é lógico, pessoas que valorizem esta linguagem de amor não apreciam distrações constantes com o telemóvel, planos cancelados à última hora ou a sensação de que a outra pessoa está fisicamente presente, mas emocionalmente ausente (é mais comum do que aquilo que pensamos). Segundo Gary: “Muitos de nós somos treinados para analisar problemas e criar soluções. Esquecemo-nos de que o casamento é um relacionamento, não um projeto a ser concluído ou um problema a resolver. É preciso aprender a linguagem da conversa de qualidade: comece por observar as emoções que sente longe de casa”.
Linguagem de Amor #3 – Receber Presentes
“Um presente é algo que se pode segurar na mão e dizer: "Olha, ele estava a pensar em mim" ou "Ela lembrou-se de mim." É necessário estar a pensar em alguém para lhe dar um presente. O próprio presente é um símbolo desse pensamento”, explica Chapman. Ao que parece esta linguagem de amor não é a mais em conta - mas um presente não precisa de ser algo extremamente caro, aliás, um presente nem precisa de ser algo comprado. Para quem valoriza este tipo de atos, até um desenho numa folha é visto como um ato de amor. Porquê? Porque alguém parou, tirou 10 minutos do seu dia, agarrou numa folha e em lápis de cor e desenhou a pensar na pessoa que ama.
“Não importa se custa dinheiro. O que é importante é que pensaste nele. Sem presentes como símbolos visuais, posso questionar o teu amor. Os presentes podem ter todos os tamanhos, cores e formas. Alguns são caros e outros são gratuitos. Para a pessoa cuja principal linguagem do amor é receber presentes, o preço do presente terá pouca importância”, assegura o conselheiro matrimonial. O que importa é a intenção, o cuidado e o significado que está por trás desse gesto. Extra points se o presente for algo que a pessoa veja e pense: ‘é mesmo a cara dele/a’. A atenção aos detalhes é essencial. Por outro lado, estas pessoas podem sentir alguma tristeza ou desvalorização quando o parceiro se esquece de aniversários ou datas especiais.
Linguagem de Amor #4 – Atos de Serviço
“Procuramos agradar e servir os nossos parceiros, para expressar o amor que sentimos, a fazer coisas por eles: como cozinhar uma refeição, pôr a mesa, lavar a loiça, aspirar, limpar uma sanita”, são apenas alguns dos atos de serviço que podemos (e devemos) fazer pelo nosso parceiro, enumerados por Gary Chapman na sua obra. Este tipo de atos de serviço fazem com que as pessoas que sentem ser esta a sua linguagem de amor se sintam amadas através de gestos concretos de ajuda e dedicação. Para estas pessoas, nenhuma boa ação é demasiado pequena para passar despercebida. Para além disso, estão constantemente a pensar em formas de facilitar a vida de quem amam. Em contrapartida, sentem frustração quando precisam de pedir constantemente ao seu parceiro para fazer algo ou para ajudar nas tarefas domésticas, para elas as ações falam sempre mais alto do que as palavras. “Os pedidos dão direção ao amor, mas as exigências interrompem o fluxo do amor”, reforça Gary.
Linguagem de Amor #5 – Toque Físico
“Há muito tempo que sabemos que o toque físico é uma forma de comunicar amor emocional. O toque físico pode fazer ou desfazer um relacionamento. Ele pode comunicar ódio ou amor”, refere Gary. Para as pessoas cuja linguagem de amor é o toque físico, é normal que se sintam amadas quando o parceiro exprime os seus sentimentos através de contacto corporal ou gestos de proximidade. Em todas as relações afetivas, o toque funciona como um elo emocional forte e reconfortante. É uma das formas mais imediatas de transmitir segurança e afeto pelo outro. Dar um abraço, um beijo, andar de mãos são atos de amor muito valorizados por estas pessoas.
“Quase instintivamente, em tempos de crise, abraçamo-nos uns aos outros. Porquê? Porque o toque físico é um comunicador poderoso de amor. Em tempos de crise, mais do que qualquer outra coisa, precisamos de nos sentir amados. Não podemos mudar os acontecimentos, mas podemos sobreviver se nos sentirmos amados", explica o autor. As desilusões fazem parte da vida - e a coisa mais importante que podemos fazer pelo nosso companheiro ou companheira é amá-lo ou amá-la, abraçá-lo ou abraçá-la. "Os teus toques carinhosos serão lembrados muito tempo depois da crise ter passado. A tua falha em tocar pode nunca ser esquecida."