Amor I Love You

 Estará o romance em vias de extinção? Até onde vamos por amor? A Máxima convidou seis personalidades portuguesas a refletirem sobre o tema e a revelarem alguns segredos do seu coração.

Amor I Love You
12 de fevereiro de 2014 às 07:00 Máxima

Experimente ouvir uma conversa de um grupo de jovens numa viagem de metro ou analisar o comportamento feminino numa saída num sábado à noite. Não há dúvida: as mulheres estão mais predadoras, seguras da sua sexualidade e, talvez, mais semelhantes aos homens na forma como se relacionam com o sexo oposto. Quando querem, vão à luta. Este é o culminar da crescente liberalização e afirmação do girl power, reforçado pelo novo ritmo e estruturas das relações modernas.

Com a ajuda da Internet, por momentos esquecemo-nos do romantismo de uma carta de amor, já que o outro, quase sempre, está à distância de uma mensagem de Facebook. A televisão também não ajuda, com o glorificar de personagens que, enquanto servem de espelho social, acabam por dar o exemplo. Veja o caso de Samantha, de Sexo e a Cidade, ou o twerk de Rihanna e Miley Cyrus. O caso torna-se mais grave quando falamos das gerações mais jovens. Segundo a American Academy of Pediatrics, não restam dúvidas de que as representações de comportamentos sexuais no entretenimento e na televisão contribuem para experiências sexuais precoces entre os adolescentes.

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No entanto, apesar do acesso ao sexo estar cada vez mais banalizado, nem tudo está perdido e o ser humano continua a procurar a paixão e o amor. Este pode até ser “um fogo que arde sem se ver”, mas nem isso faz com que a ciência se abstenha de tentar responder aos mistérios do coração. E, neste ponto, as teorias são muitas, desde os estudos que defendem que os homens se apaixonam pelas mulheres com uma medida de anca superior à medida da cintura (Universidade de Texas) às teorias que declaram que nos sentimos atraídos por rostos simétricos, pois são sinónimo de maior saúde. No entanto, “nunca há apenas um fator, como as feromonas ou a simetria”, afirmou o psicólogo e perito em comunicação americano Brian Grossman ao Huffington Post. Resta-nos então relaxar, não pensar no assunto e deixarmo-nos apaixonar sem tentar usar o raciocínio no lugar do coração.

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2 de 6 / De que forma está o romance presente na sua obra? Os meus três livros são todos romances, embora baseados em factos históricos. A base histórica fascina-me, mas é verdade que a possibilidade de romancear me seduz e permite-me construir um imaginário excecional sobre esse universo de reis e rainhas, já por isso extraordinário. Qual o episódio mais romântico da sua vida? Estávamos numa duna ao pôr do sol, junto ao oásis de Siwa, no deserto da Líbia ? no local exato onde Alexandre, o Grande, encontrou o Oráculo que lhe confirmou que ele era descendente dos Deuses e em cujas águas Cleópatra se refrescou ?, quando o meu marido me pediu em casamento... Foi há sete anos e o momento mais romântico de sempre...
3 de 6 / De que forma se manifesta ou não o romance e o amor nas suas obras? Não escrevo ?romances românticos?, se é que existem; embora, numa ou noutra altura, as personagens com que lido acabem por ser vítimas do problema do amor. Digo ?problema? porque, se não o fosse, não existiria tanta literatura e tanta conversa em torno dessa questão. O meu próximo romance gira em torno de um ?romance? inacabado ou abruptamente interrompido, do enamoramento obsessivo entre três personagens que termina de maneira trágica. Do meu ponto de vista, o amor ou o romance não é um problema a dois, mas a três ou a quatro, dependendo das múltiplas personagens que, dentro ou fora de nós, o vão conduzindo. Desta maneira, a tragédia está intimamente associada ao amor. Amar é sofrer. Uma das grandes provas de amor foi quando... Numa altura em que terminei um namoro, há sete ou oito anos, resvalei para um lugar muito parecido ao lugar que as minhas personagens normalmente habitam. É um lugar negro e cheio de armadilhas. O maior ato de romantismo em que estive envolvido foi o momento em que entreguei o meu primeiro manuscrito a um amigo (também ele escritor) e esse amigo o trouxe para Lisboa. Recordo-o como um ato de profundo amor: amor pelo meu trabalho (que não tinha até então), amor pela palavra e por aquilo que ela significa; amor pela aventura que era descobrir finalmente o meu ofício, que hoje me consome com as mesmas doses de prazer e dor do que uma relação de carne e osso.
4 de 6 / De que forma está o romance presente no seu trabalho? O meu universo criativo é totalmente feminino. É sobre mulheres fortes e para mulheres fortes. Mulheres que sentem e vivem intensamente as suas emoções e muito em particular o amor. O romance é, por isso, um dos componentes essenciais no meu processo criativo. É o romance e a paixão que move as mulheres, que as faz perder o ar, sentir de uma forma diferente o seu corpo, a sua pele? E o meu trabalho veste essas emoções, acompanha esses momentos, evoca o romance. E eu vivo-o também de uma forma intensa para que ele exista com verdade no que apresento. Qual foi a situação mais romântica onde já se viu? Marrocos? Era um dia de calor intenso em Marraquexe, no mês de agosto. Durante um passeio pelos souks, sem que eu me apercebesse, começou a chover intensamente e fugimos para o riad em que estávamos, o maravilhoso El Fenn. O dia tornou-se escuro e cinzento. O quarto verde, que tem uma banheira integrada no espaço aberto do quarto, tornou-se também mais escuro e apenas à luz de velas tomamos um banho de imersão, com o som da chuva a cair no terraço e os cheiros dos banhos hammam marroquinos? Foi, sem dúvida, o momento mais romântico que vivi até hoje. Inesquecível?
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6 de 6 / De que forma está o romance presente no seu trabalho? O romance está sempre presente no meu trabalho porque não posso fazer o que faço se não sentir paixão por isso. Ser-se artista plástico é das profissões mais difíceis do mundo porque nada é garantido, vivemos sempre com uma nuvem de instabilidade e insegurança sobre nós. É impossível viver e trabalhar nesta área, especialmente ao longo de quase vinte anos, como eu, sem ter realmente muito amor pelo que se faz. Qual foi o seu maior ato de amor? O projeto Trafaria Praia. Embarcar na grande aventura de levar o Trafaria Praia até às águas de Veneza, em representação de Portugal ? já esperava há anos por ter a oportunidade de representar o meu país ?, foi até ao momento um dos meus maiores atos de romantismo? E dos mais desafiantes também!
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