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Moda / Tendências

Bonnie Tyler: "Usava tanta laca que me culpavam pelo buraco na camada de ozono"

Foi apenas uma piada, mas tornou-se uma das frases mais citadas da cantora. Falando a sério, a verdade é que poucos cabelos - e ainda menos mulheres - se tornaram tão emblemáticos na história da música como ela.

Bonnie Tyler em maio de 1986
Bonnie Tyler em maio de 1986 Foto: Getty Images
09 de julho de 2026 às 11:55 Patrícia Domingues Adicione como fonte preferencial no Google

Tenho um fraquinho por mulheres que respondem sem filtros. Ainda mais quando o fazem em entrevistas lidas por milhões de pessoas. Bonnie Tyler era uma delas. Aos 73 anos, perguntaram-lhe se recorria ao botox. Respondeu que sim, mas "só por cima dos lábios". Sem rodeios, sem discursos sobre envelhecer naturalmente e sem a habitual coreografia de Hollywood. "A idade é apenas um número", repetia sempre que insistiam em perguntar-lhe como conseguia manter aquela energia.

Bonnie Tyler em maio de 1986
Bonnie Tyler a atuar em Montreux, na Suiça, em 1984 Foto: Getty Images

Era exatamente essa frontalidade que fazia dela tão irresistível. A mesma mulher que garantia que "nunca quis ser famosa, só queria cantar" também transformava os acidentes da vida em histórias memoráveis. Depois da cirurgia às cordas vocais, os médicos proibiram-na de falar durante semanas. Não resistiu. "Comecei a falar demasiado cedo", contou várias vezes. O resultado foi uma voz rouca que acabou por se tornar a sua assinatura. "Se tivesse uma voz bonita, talvez nunca tivesse ficado famosa", ironizava.

Bonnie Tyler tornou o cabelo uma marca registada e parte da sua imagem
Foto: Getty Images
1 de 2 / Bonnie Tyler tornou o cabelo uma marca registada e parte da sua imagem
Aqui ainda numa versão mais contida, em 1977
Foto: Getty Images
2 de 2 / Aqui ainda numa versão mais contida, em 1977

O seu estilo seguia exatamente a mesma lógica. Bonnie Tyler nunca se vestiu para agradar aos críticos de moda. Vestia-se para ocupar espaço. Casacos de pele com ombros exagerados, calças de couro, botas de cano alto, pulseiras volumosas e um cabelo que parecia desafiar as leis da física - e, segundo a própria, também a camada de ozono. "Culpam-me pelo burcao na camada do ozono", brincava, numa referência às quantidades generosas de laca que usava nos anos 80. Poucas artistas conseguiram transformar um penteado numa assinatura tão reconhecível.

Num tempo em que a MTV ditava tendências tanto quanto as passerelles, Bonnie Tyler fez da estética glam rock a sua imagem de marca. Ombreiras, brilho, pele, collants de rede, silhuetas dramáticas e um cabelo XXL faziam parte de um visual que parecia gritar antes mesmo de ela abrir a boca para cantar "And I need you now tonight". Não era high fashion, nem queria sê-lo. Era uma moda vivida, sem cálculo, onde cada peça reforçava a personalidade de quem a vestia.

O disco look mais brilhante também fez parte das suas preferências
Foto: Getty Images
1 de 2 / O disco look mais brilhante também fez parte das suas preferências
Um dos seus looks mais icónicos, nos anos 90
Foto: Getty Images
2 de 2 / Um dos seus looks mais icónicos, nos anos 90

Ela própria explicou porquê: "Adorava usar aqueles grandes casacos de pele com ombros almofadados. Faziam-nos sentir poderosas, faziam-nos sentir que podíamos competir com os homens." A moda, para Bonnie Tyler, nunca foi um exercício de vaidade; era uma armadura. Uma forma de ocupar o palco e reivindicar espaço numa indústria ainda dominada por homens. É verdade que, anos mais tarde, confessou que alguns daqueles coordenados a fazem sorrir ou até estremecer. Mas nunca renegou a estética que ajudou a definir uma década. Uma era? Pelo contrário, sempre falou dela com o mesmo humor com que se ria do cabelo ou da voz.

A ligação à moda foi discreta, mas existiu. Em 1987, Bonnie Tyler foi a artista escolhida para atuar na apresentação da primeira coleção de relógios da Balmain. Na altura, pareceu um encontro improvável entre uma estrela rock e uma casa de luxo, mas hoje faz tanto sentido: ambas representavam uma década marcada pelo excesso, pela extravagância e pela confiança.

Pensar em cabedal é pensar em Bonnie Tyler
Foto: Getty Images
1 de 2 / Pensar em cabedal é pensar em Bonnie Tyler
Um look que espelha a sua personalidade audaz
Foto: Getty Images
2 de 2 / Um look que espelha a sua personalidade audaz

Bonnie Tyler nunca fez da reinvenção uma estratégia. Enquanto outras artistas mudavam de imagem a cada álbum, ela aperfeiçoou a sua. Manteve o cabelo grande, o couro, as ombreiras e a atitude. Percebeu, muito antes de a autenticidade se tornar uma característica em vias de extinção, que a verdadeira assinatura de estilo está na consistência. Essa é uma das razões pela qual continuará a ser uma referência. Bonnie Tyler nunca tentou ser um ícone de moda. Limitou-se a ser ela própria. 

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