Bonnie Tyler: "Usava tanta laca que me culpavam pelo buraco na camada de ozono"
Foi apenas uma piada, mas tornou-se uma das frases mais citadas da cantora. Falando a sério, a verdade é que poucos cabelos - e ainda menos mulheres - se tornaram tão emblemáticos na história da música como ela.
Tenho um fraquinho por mulheres que respondem sem filtros. Ainda mais quando o fazem em entrevistas lidas por milhões de pessoas. Bonnie Tyler era uma delas. Aos 73 anos, perguntaram-lhe se recorria ao botox. Respondeu que sim, mas "só por cima dos lábios". Sem rodeios, sem discursos sobre envelhecer naturalmente e sem a habitual coreografia de Hollywood. "A idade é apenas um número", repetia sempre que insistiam em perguntar-lhe como conseguia manter aquela energia.
Era exatamente essa frontalidade que fazia dela tão irresistível. A mesma mulher que garantia que "nunca quis ser famosa, só queria cantar" também transformava os acidentes da vida em histórias memoráveis. Depois da cirurgia às cordas vocais, os médicos proibiram-na de falar durante semanas. Não resistiu. "Comecei a falar demasiado cedo", contou várias vezes. O resultado foi uma voz rouca que acabou por se tornar a sua assinatura. "Se tivesse uma voz bonita, talvez nunca tivesse ficado famosa", ironizava.
O seu estilo seguia exatamente a mesma lógica. Bonnie Tyler nunca se vestiu para agradar aos críticos de moda. Vestia-se para ocupar espaço. Casacos de pele com ombros exagerados, calças de couro, botas de cano alto, pulseiras volumosas e um cabelo que parecia desafiar as leis da física - e, segundo a própria, também a camada de ozono. "Culpam-me pelo burcao na camada do ozono", brincava, numa referência às quantidades generosas de laca que usava nos anos 80. Poucas artistas conseguiram transformar um penteado numa assinatura tão reconhecível.
Num tempo em que a MTV ditava tendências tanto quanto as passerelles, Bonnie Tyler fez da estética glam rock a sua imagem de marca. Ombreiras, brilho, pele, collants de rede, silhuetas dramáticas e um cabelo XXL faziam parte de um visual que parecia gritar antes mesmo de ela abrir a boca para cantar "And I need you now tonight". Não era high fashion, nem queria sê-lo. Era uma moda vivida, sem cálculo, onde cada peça reforçava a personalidade de quem a vestia.
Ela própria explicou porquê: "Adorava usar aqueles grandes casacos de pele com ombros almofadados. Faziam-nos sentir poderosas, faziam-nos sentir que podíamos competir com os homens." A moda, para Bonnie Tyler, nunca foi um exercício de vaidade; era uma armadura. Uma forma de ocupar o palco e reivindicar espaço numa indústria ainda dominada por homens. É verdade que, anos mais tarde, confessou que alguns daqueles coordenados a fazem sorrir ou até estremecer. Mas nunca renegou a estética que ajudou a definir uma década. Uma era? Pelo contrário, sempre falou dela com o mesmo humor com que se ria do cabelo ou da voz.
A ligação à moda foi discreta, mas existiu. Em 1987, Bonnie Tyler foi a artista escolhida para atuar na apresentação da primeira coleção de relógios da Balmain. Na altura, pareceu um encontro improvável entre uma estrela rock e uma casa de luxo, mas hoje faz tanto sentido: ambas representavam uma década marcada pelo excesso, pela extravagância e pela confiança.
Bonnie Tyler nunca fez da reinvenção uma estratégia. Enquanto outras artistas mudavam de imagem a cada álbum, ela aperfeiçoou a sua. Manteve o cabelo grande, o couro, as ombreiras e a atitude. Percebeu, muito antes de a autenticidade se tornar uma característica em vias de extinção, que a verdadeira assinatura de estilo está na consistência. Essa é uma das razões pela qual continuará a ser uma referência. Bonnie Tyler nunca tentou ser um ícone de moda. Limitou-se a ser ela própria.
Voltámos aos anos 80? A tendência de bronze 'tanmaxxing' desafia todos os avisos sobre o cancro da pele
Porque é que o bronzeado regressa como ideal de beleza numa geração que cresceu a ouvir falar de SPF e envelhecimento precoce?
Este corte de cabelo dos anos 80 vai dominar 2026
Uma forma fácil de dar nova vida aos cabelos compridos? Queremos.