Vamos contar-lhe um segredo
A Máxima esteve em Paris, durante a Semana de Moda, e traz-lhe o mais sumarento gossip da cidade. Mesmo quando são apresentadas as coleções do escaldante verão 2014, há espaço para tricô no closet do fashion crowd.
Novos projetos
Nem só de desfiles vive a semana de moda. Para celebrar o seu novo livro publicado pela Rizzoli, e que conta com textos de Diane Kruger, Hamish Bowles e Franca Sozzani, Giambattista Valli organizou um cocktail na galeria Jeu de Paume, onde não faltaram grandes nomes da moda como Alber Elbaz, Bianca Brandolini e Mario Testino. Para celebrar a estreia do documentário Mademoiselle C em França, filme sobre a sua pessoa, Carine Roitfeld organizou aquela que foi considerada a festa das festas (sorry, Mr. Valli). O local escolhido foi o mítico Pavillon Ledoyen e a lista de convidados incluiu Ciara, Kim Kardashian, Lenny Kravitz e Cara Delevingne. Imaginamos que Emmanuelle Alt, a diretora da Vogue francesa que veio substituir Roitfeld após a sua saída da publicação, não tivesse sido convidada...
Azzedine Alaïa conquista a cidade
É um dos criadores mais discretos, que esteve vários anos ausente do calendário de desfiles, mas o seu talento fez com que fosse o mais comentado criador da semana de moda. Primeiro, o Palais Galliera, o renovado museu da moda de Paris, dedicou ao trabalho do couturier tunisino a sua exposição inaugural, patente até 26 de janeiro (www.palaisgalliera.paris.fr). Depois, porque também durante a semana de moda, Alaïa, com 73 anos, abriu a sua nova imponente boutique de três andares na Rue de Marignan, junto à Avenue Montaigne. Desta vez, um espaço amplo e com enormes montras, ao contrário da discreta loja do criador no Marais, que nem janelas tem.
Multicultural (ou talvez não)
Numa estação em que as principais coleções apostaram em fortes inspirações étnicas, do Japão a África, o casting multirracial – e não apenas composto pelas clássicas amazonas brancas e loiras de Leste – foi tema de conversa na fashion week. Os desfiles de Valentino e Givenchy, sendo o último certamente o mais plural, chegaram a ser abertos pelas modelos negras Malaika Firth e Imaaan Hammam, respetivamente, sendo esta uma honra apenas reservada às maiores top models.
Apesar da novidade, contam-se pelos dedos de uma mão os nomes de modelos negras, asiáticas ou de outras etnias que tiveram hipóteses de singrar ao mais alto nível na moda. Tanto que as veteranas Naomi Campbell, Iman e Bethann Hardison uniram-se no sentido de tentar combater o racismo na indústria. E Iman tem sido tudo menos diplomática, tendo afirmado ao Evening Standard que fará um boicote a marcas racistas, como Celine, dirigida por Phoebe Philo, que nunca incluem modelos negras nos seus desfiles ou campanhas.
Saiam da frente!
Nenhuma semana de moda está completa sem a sua dose de drama e a apresentação das coleções do verão 2014 não foi exceção. A dar descanso aos ativistas pelos direitos dos animais que geralmente invadem as passerelles, desta vez coube a duas feministas ucranianas do grupo Femen interromper o desfile de Nina Ricci. Sem qualquer peça de roupa no seu tronco, no peito e na barriga das jovens lia-se: “Model don’t go brothel” e “Fashion dictaterror”. Quem não achou muita graça foi Hollie-May Saker, a jovem britânica que desfilava nesse momento e, com a sua “fabulosidade” habitual, seguiu o seu caminho após dar um safanão a uma das ativistas. A professora de inglês das Femen também não deve ter aprovado a má construção das frases de guerra. Independentemente disso, vale a pena procurar o vídeo no YouTube.
As hit girls mais hit (e o seu pedigree)
São jovens, deslumbrantes e sentam-se sempre na primeira fila, irrepreensivelmente vestidas. Tem uma favorita?
Bianca Brandolini
Tem sangue aristocrata (é filha dos Condes Ruy e Georgina Brandolini d'Adda) e é uma das musas de Dolce & Gabbana.
Gaia Repossi
É Diretora Criativa da Repossi Joailliers e filha única de Alberto Repossi, o atual proprietário da marca fundada em 1925.
Olivia Palermo
Foi uma das estrelas de um reality show americano, mas hoje o seu nome é sinónimo de uma marca poderosa de moda. Além de colaborar com diferentes designers, assina o site www.oliviapalermo.com.
Miroslava Duma
Antiga jornalista da Harper’s Bazaar e filha de um senador russo, é uma das favoritas dos blogues de street style, como Sartorialist e Garance Dore.
Cantinas trendy
Não são propriamente novidade (nem baratos), mas é lá que todos competem por uma mesa em plena semana de moda. No animado Hotel Mathis (www.paris-hotel-mathis.com) pode jantar ou apenas beber um copo no barroco e pequeno bar, correndo o risco de se ter de sentar ao colo do “vizinho” do lado. Se gosta da combinação vodka e caviar, rume ao conceituadíssimo Caviar Kaspia (www.caviarkaspia.com), o restaurante que o habitué Carlos Souza, o popular relações-públicas da Valentino, chama de “cantina” no seu Instagram. Depois de um dia esgotante de desfiles, nada como a comida chinesa de Davé (Rue de Richelieu, n.º 12). Apesar do aspeto absolutamente corriqueiro do espaço, Davé foi um dos melhores amigos de Yves Saint Laurent e vale a pena perder algum tempo a observar as paredes do restaurante, cobertas com imagens tiradas no local dos seus fiéis clientes como Madonna, Kate Moss, Tom Ford ou Anna Wintour.
Olá e... adieu!
Depois de Christian Lacroix ter relançado a Schiaparelli com uma coleção one shot apresentada durante a passada semana da Alta-Costura, a icónica marca francesa aproveitou a mais recente fashion week para comunicar que caberá a Marco Zannini, até à data Diretor Criativo da Rochas, traçar os novos destinos estilísticos Schiaparelli. No constante jogo das cadeiras da moda, o assunto mais quente foi a partida de Marc Jacobs da Louis Vuitton, que terminou a sua colaboração de 16 anos com um dos desfiles mais grandiosos da estação. O seu substituto será Nicolas Ghesquière, cuja saída da Balenciaga, há algumas estações, foi tudo menos amigável. “Balenciaga sucked me dry”, declarou o criador numa entrevista à System, o que resultou num processo por quebra de contrato de 9,2 milhões de dólares.
O casal-sensação
Onde quer que estivessem, todas as câmaras se viraram na sua direção. Seja num passeio descontraído (dentro dos parâmetros de Hollywood) pelas ruas da cidade, na concorridíssima red carpet ou na primeira fila da Givenchy. Os recém-papás Kim Kardashian e Kanye West foram o casal mais mediático da semana de moda. Até perdoamos a Kim o desconhecimento da regra “nunca usar transparências pretas, a menos que se trate de renda, quando sabe que vai ser fotografada com flash”....
Com arte
Caso tenha faltado a alguma aula de História de Arte, saiba que este é o momento para voltar a pegar nos livros. E quem não consegue dominar uma conversa em que se fale de Marina Abramovic, Anish Kapoor ou Francesco Vezzoli irá perder o comboio. Mesmo! Especialmente numa estação em que as principais marcas se colaram de uma forma bastante literal às artes plásticas. Enquanto a coleção de Celine foi uma homenagem à street art, no Grand Palais, Karl Lagerfeld criou uma das cenografias mais comentadas da estação, tornando a passerelle da Chanel uma galeria de arte ao estilo das feiras Basel ou Frieze, com os ícones da marca esculpidos em versão XL. E como Lagerfeld não é de subtilezas, enquanto as modelos desfilaram, nas colunas rompia Picasso Baby, de Jay-Z. Toca a estudar...