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Máxima

Moda

A dança das cadeiras

Enquanto a música toca, as coleções desfilam e os criadores mudam de lugar, algumas cadeiras são roubadas e outras ficam mesmo desocupadas. Os génios criativos da moda têm andado numa roda-viva de alterações que nos fazem especular, expectar e até ansiar pela próxima coleção. 

A dança das cadeiras
A dança das cadeiras
30 de agosto de 2013 às 06:00 Máxima

As primeiras filas estavam esgotadas, uns de caneta em punho, outros ao telemóvel, todos com atenção redobrada. O frenesim que agitava os bastidores com a preocupação de que tudo tinha de estar perfeito era ainda maior. A expectativa respirava-se quase ao ritmo do rufar de tambores. Além da história que as casas Christian Dior e Yves Saint Laurent partilham, na semana da moda de Paris do passado outono, ambas se preparavam para apresentar não só as suas coleções de verão 2013 como também os seus novos criadores.

PASSAGEM DE TESTEMUNHO

A Hermès viu sair Jean Paul Gaultier e recebeu Christophe Lemaire que, por sua vez, deixou o seu lugar como diretor criativo da Lacoste para Felipe Oliveira Baptista. Mas há mais. Na Chloé, uma marca a ter sempre em atenção e por onde já passaram nomes como Karl Lagerfeld, Stella McCartney ou Phoebe Philo, é agora a vez de Clare Waight Keller. E na Balmain nasceu mais uma estrela: Olivier Rousteing assumiu a liderança com apenas 25 anos e desde a sua coleção de verão 2012 que tem provado ter uma assinatura própria e o respeito da crítica.

Um pouco à semelhança do que acontece no futebol, podemos mesmo dizer que o mercado das transferências da moda tem andado bastante agitado nos últimos anos. E agora que a época acabou começa uma especulação desenfreada que faz as maravilhas da imprensa desportiva. Na moda o mercado é bem mais pequeno, porque cada casa tem quase sempre apenas um criador e as fronteiras geográficas ainda têm algum peso. Quando o criador de uma grande casa de moda deixa o seu lugar vago abre-se a porta a opiniões, soundbites e apostas que circulam pela Internet e por algumas publicações a uma velocidade incontrolável. Por mais sonante que seja o nome da casa, público e críticos só parecem ficar satisfeitos quando veem outro nome carismático assinar por baixo, mas só ficam realmente saciados quando assistem ao desfilar da sua primeira coleção. E isto leva-nos de volta a Paris. Afinal, o que aconteceu a tais colossos da moda como Christian Dior e Yves Saint Laurent para se encontrarem num estado de suspense quase semelhante ao de um principiante?

Desde que Yves Saint Laurent se retirou, em 2002, a casa tem procurado um sucessor à altura. Primeiro foi Tom Ford, o irreverente americano que estava decidido a conquistar a Europa e já era também diretor criativo da Gucci na altura. Mas, em 2004, os fashionistas ficaram boquiabertos: Tom Ford saiu da Gucci e da Yves Saint Laurent, deixando duas das mais cobiçadas cadeiras do poder da moda livres, mesmo no início do milénio, quase metaforicamente abrindo a porta a uma nova era em cada uma destas casas. Na Gucci, Frida Giannini tem hoje uma liderança indiscutível. Na Yves Saint Laurent, seguiu-se Stefano Pilati que, depois de quase oito anos à frente da marca, saiu no ano passado e assinou pela Ermenegildo Zegna. Em comunicado, a marca francesa presta elogios e agradecimentos sem explicar o motivo da saída, mas diz-se nos bastidores que ele nunca teve o apoio do fundador. Agora, aquela que foi a primeira casa de moda a atravessar o Sena para a rive gauche é o reino de Hedi Slimane. O criador conhece muito bem os cantos da casa e até tem a bênção de Pierre Bergé, o eterno companheiro de Yves Saint Laurent que mantém o olhar atento sobre os negócios da casa e que o colocou na década de 1990 à frente das coleções YSL Rive Gauche Homme. Depois de algumas voltas, Hedi Slimane acabou por regressar à YSL, onde começou por mudar o nome (agora chama-se Saint Laurent Paris), decidiu desenhar a partir de Los Angeles, envolveu-se numa acesa polémica com a crítica de moda do New York Times, Cathy Horyn, mas a história acabou por ter um final (ou será um começo?) feliz já que a coleção de verão 2013 foi um sucesso!

HEDI SLIMANE

Depois de deixar a YSL Homme, Hedi Slimane passou pelo departamento de moda masculina da Christian Dior onde não só deixou a sua marca como também ganhou um CFDA, pela primeira vez entregue a um designer de roupa de homem. Depois de ter rejeitado um lugar na marca Jil Sander e de se ter especulado sobre a sua contratação para substituir John Galliano, também na Dior, Hedi Slimane acabou por regressar à YSL.

O mundo da moda pode ser, por vezes, palco de uma verdadeira dança das cadeiras. Quando a música para de tocar, ou quando as coleções estão prontas a desfilar, há um criador que decide mudar de lugar, provocando alterações, ou pelo menos especulações, em muitos outros. O caso de John Galliano foi, provavelmente, o mais mediático e podemos até dizer que o criador não mudou, mas caiu da cadeira. O vídeo amador que o mostra num café parisiense num claro estado desnorteado e a fazer comentários antissemitas foi o suficiente para que a casa Dior lhe retirasse uma cadeira (ou mesmo um trono) que lhe pertencia há 15 anos. Logo em fevereiro de 2011 o caso foi entregue à justiça e Galliano foi atirado para a opinião pública, bem como afastado de uma das joias da coroa da Alta-Costura e da sua própria marca, já que ambas pertencem ao grupo LVMH. E isto foi apenas o início de um ano bem recheado de novidades, em Paris e não só. A mudança de criador de uma grande casa de moda implica um enorme risco e uma cuidada estratégia por parte dos maiores grupos empresariais de luxo, como LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy) e PPR (Pinault Printemps Redoute), que a partir deste mês de junho passa a chamar-se Kering. Nesta área, parece que por detrás de um grande génio deve haver uma grande empresa e é por isso mesmo que, perante a polémica do caso de John Galliano, a Dior tremeu, mas não cedeu. Durante 13 meses, o n.º 30 da Avenida Montaigne manteve a cadeira de diretor criativo à espera de um digno herdeiro que veio a ser Raf Simons. Na verdade, apesar da agitação causada na apresentação da coleção de prêt-à-porter verão 2013, o criador já tinha feito a sua estreia em julho, com uma coleção de Alta-Costura e uma sala recheada de milhares de rosas. Será arriscado começar logo a jogar na liga mais exclusiva da moda, a Alta-Costura? Para Maria Grazia Chiuri e Pier Paolo Piccioli também parece ter resultado. Foi necessária uma dupla de criadores com três nomes cada um para preencher o vazio deixado pelo lendário “imperador” que conhecemos apenas pelo nome próprio, Valentino. Tal como a Dior, também a casa Balenciaga se despediu do seu criador-estrela depois de 15 intensos anos. Nicolas Ghesquière saiu e como esta é uma das casas mais emblemáticas da história da moda do século XX não se pouparam esforços e foi-se mesmo buscar um novo criador ao outro lado do Atlântico. Alexander Wang era um dos criadores favoritos de Nova Iorque e protagonizou mais uma das raras situações em que um criador americano se torna o homem forte de uma marca francesa e traz-nos à memória o caso de sucesso de Marc Jacobs na Louis Vuitton. Depois da palpitante estreia no passado mês de fevereiro, com apenas um mês de trabalho, o jovem Alexander Wang já provou ter estudado bem as origens da marca, por isso aguardamos para ver mais deste americano em Paris. Assim como aguardamos para ver Christian Lacroix regressar às passerelles, desta vez com uma coleção para a ressuscitada marca Elsa Schiaparelli e durante a próxima semana de Alta-Costura, já em julho. E ainda quem substituirá Nicola Formichetti na casa Thierry Mugler e Lydia Maurer na Paco Rabanne?

Como vimos, andam por aí criadores à procura de novas oportunidades para mostrar a sua genialidade e, afinal, ainda nos lembramos da morte trágica de Alexander McQueen que acabou por mostrar ao mundo o brilhantismo de Sarah Burton. Mas há uma marca, um império, que tem passado ao lado de toda esta dança. Karl Lagerfeld celebra este ano 30 anos ao leme da casa Chanel. Apesar dos 78 de idade, a sua sucessão parece estar para breve, mas é certo que dará muito que falar!

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