Uma peça de roupa carregada de história, uma carteira de alta-costura feita à medida dos nossos desejos, um casaco comprido futurista...
QUE PEÇA USAR PARA SAIR?
Esqueça os vestidos de noite e adopte o luxo do dia com um casaco de alfaiataria comprido, com um estilo discreto, mas imparável. O casaco comprido estilo mulher de negócios usado sobre os ombros deve ser num material como a caxemira, a fazenda de lã riscada ou o tweed. Quanto mais simples for, melhor se admira o seu corte impecável e melhor é.
SERÁ O VINTAGE O NOVO “À MEDIDA”?
As peças personalizadas feitas à sua medida continuam a ser desejadas, mas os objectos raros que têm já uma vida, e, por isso, um pequeno suplemento de alma, incitam os desejos de reciclagem couture. Sonha com uma carteira Hermès? Esteja atenta às iniciativas da Artcurial, um espaço em Paris que vale a pena a deslocação (junto aos Campos Elísios, é um espaço multifunções, um restaurante, uma livraria e uma galeria de arte que organiza também vendas privadas e leilões). No mês de Novembro organizou um leilão de vintage Hermes. Uma ocasião para oferecer-se a si própria uma carteira Kelly ou uma Birkin em pele de crocodilo. Deseja um fragmento de uma lenda de Hollywood? Siga em direcção a Nova Iorque no início de Dezembro para a venda das jóias de Elizabeth Taylor, na Christie’s. Quilates e sonho, algo que não tem preço.
SERÁ QUE O LUXO SE FECHOU A SETE CHAVES?
Sim, e com duas voltas, graças ao cadeado jóia, primo couture longínquo daqueles que encontramos nos estojos de ferramentas dos serralheiros. Na passerelle de Louis Vuitton, Marc Jacobs propôs uma versão sulfurosa, com as braceletes algemas douradas, de um chique muito sadomasoquista. Porém, num registo mais suave, podemos preferir as cuffs Kelly, em malha milanesa em ouro rosa com diamantes castanhos Hermès (colecção de peças de excepção) ou também as novas peças da célebre linha Locks, da Tiffany, inteiramente em pavé de diamantes. A chave do estilo para o Inverno.
SERÁ PRECISO BRILHAR EM SOCIEDADE?
Não. Nem tudo o que brilha pertence à medonha categoria do bling-bling. Podemos cintilar com classe graças a uma escolha criteriosa de jóias. Tudo o que possa parecer-se com uma herança de família, ligeiramente (e falsamente) manchado, em ouro amarelo ou em prata dourada, ou até mesmo em metal dourado (as jóias de fantasia couture não são de negligenciar), exibem-se com orgulho uma vez que o amarelo precioso é a nova tonalidade da estação. Uma boa táctica: misturar peças de épocas e estilos diferentes, usar tudo em cacho, de forma sabiamente combinada, sobre um fundo monocromático negro (opção mais fácil) ou um fundo em tons de pedra preciosa (mais na moda, mas também mais arriscado).
O QUE USAR NA CABEÇA?
Um toque de estilo francês, como uma pequena boina com a assinatura do norte-americano Marc Jacobs (um must-have), um bibi estilo anos 30, como se viu em Dior, ou um chapéu de abas em tweed forrado, com plumas, criado pela Maison Michel para o último desfile Chanel Alta-Costura. Um detalhe ideal para conferir um estilo parisiense elegante.
QUAIS SÃO OS NOVOS MATERIAIS DO LUXO?
Cansada de crocodilo ou de jacaré? Farta de pele de tubarão? Não necessariamente, mas podemos ser curiosas também e procurar outros efeitos de luxo diferentes. Menos animal, mais transgénico, a tendência está nos efeitos plástico, os eruditos (ou os convencidos) dirão policloreto de vinil [N.T.: habitualmente designado pela sigla inglesa PVC]. Em todo o caso, os criadores mais arrojados e inovadores jogaram com estas texturas estranhas nas suas colecções de Inverno. Os casacos compridos com escamas em rodóide, de Miuccia Prada, rivalizam em singularidade couture com os looks em látex de Marc Jacobs. Os mais discretos combinarão peles exóticas com estes novos invólucros do chique.
O ARMÁRIO DAS CURIOSIDADES ESTÁ FORA DE MODA?
Não, o luxo singular tem sempre o seu lugar. Bestiário maravilhoso e inquietante, crânios e objectos que fundem a Natureza e o fantástico povoam o imaginário dos criadores. A galeria de alta-joalharia de Lydia Courteill, célebre pelas suas jóias góticas couture, foi recentemente remodelada pela arquitecta Roxane Rodriguez, que deu um maior destaque à zona dedicada à exposição de jóias daquele espaço. Tal como o bestiário embalsamado de Deyrolle, escolhido pela Vuitton durante a semana dos desfiles para a sua exposição de pequena marroquinaria transformada em animais. A mistura? Surrealista e desajustada. Do outro lado do Canal da Mancha, a multimarca de culto Browns alberga uma loja pop-up excêntrica para a qual Manolo Blahnik criou uma árvore de sapatos em pele de crocodilo e folhas de seda. Definitivamente, o bizarro é belo.
O HIGH-TECH CAUSA EMBARAÇO?
Fez fila para comprar um iPhone 4? Assuma, não há mal nenhum nisso. Em contrapartida, em casa, o high-tech reveste-se discretamente em madeira, um pouco old school, de preferência. Atenção, não se trata de esconder a televisão num móvel chinês como havia em casa da avó, mas antes de investir em peças de design. A consola MinuSkull, de Kuntzel + Deygas, por exemplo, acondiciona os melhores componentes electrónicos numa arca em nogueira, uma nova tendência ultrachique.
ONDE ENCONTRAR A SUA CARTEIRA ALTA-COSTURA?
Para oferecer-se uma nova carteira por encomenda, experimente o novo serviço de alta-marroquinaria da Louis Vuitton. Uma escolha feita entre modelos (Lockit, Noé, Triangle, Trapèze e Berlingot), oito tipos de pele e 27 cores diferentes, para uma peça única, a qual será posteriormente produzida pelos ateliers de Asnières. Resultado: toda a gente terá a impressão de reconhecer a sua carteira... Sem a reconhecer de facto. O luxo reside precisamente nessa imprecisão artística.