Certos dogmas dos desfiles de moda não são para adotar de ânimo leve. E ninguém está a salvo de um contrassenso estilístico. Seguem-se conselhos para um visual imaculado.
Descodificar a Moda - Exercícios de estilo
09 de abril de 2013 às 06:00 Máxima
Será que devemos alegrar-nos com o regresso do SALTO MÉDIO?
É oficial, o mid heel está de volta após anos de tirania do stiletto. Como tudo o que é razoável, o mid heel tem incontestavelmente um lado meio sem estilo que é preciso contornar.
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Como devemos adotá-los? Para usar em versão agulha ou sandálias, um pouco rockabilly com umas calças 7/8 que deixam ver um belo tornozelo. O saltinho verdadeiramente amigável continua a ser o das low boots, que oferecem um passo seguro bastante bonito.
Será a SWEATSHIRT concebível quando já se passou os 17 anos?
Ninguém deve ignorar que este sobrevivente dos anos de escola se transformou num básico. Bem, é uma maneira de dizer... Entre a sua versão inspirada na ficção científica de Balenciaga, a opção tigrada lançada por Kenzo e as múltiplas formas de inspiração rétro, à mulher adulta custa imaginar-se enfiada dentro de uma.
Já para não falar na complicada questão do tamanho: demasiado pequena, demasiado grande, raramente para a nossa medida, é assim no presente a sweat de outrora.
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Como devemos adotá-la? “Também neste aspeto”, sublinha Isabelle Thomas, “não há que ser literal. Sobretudo, não usamos a nossa sweatshirt de forma casual, com umas jeans ou calças cargo. Tratamo-la como uma peça de cidade.” Embora a saia-lápis continue a ser a sua aliada ideal, podemos também usá-la com calças. E nunca sobre a pele! Mas por cima de uma camisa (de qualquer cor exceto branca), cujo colarinho abotoado se fique a ver. Se a sweatshirt for curta ver-se-á a fralda da camisa e isso preencherá a lacuna. Se for demasiado grande, pomos-lhe um cinto.
Só as excecionalmente magras poderão atrever-se a usar a versão comprida e sobre a pele, enfiando-a dentro das calças ou da saia marcando também a cintura.
Deve-se arriscar usar CALÇAS ESTAMPADAS?
Foram as rainhas dos desfiles outono-inverno. Radicalmente chiques de Haider Arckermann, geométricas da Vuitton, mais barrocas de Isabel Marant ou de espírito jungle de Paul&Joe. Nesta estação, as calças estampadas são uma tentação a que não temos de resistir. A opção de moda avançada é combiná-las com outros padrões para as integrar. Muito bonito, na verdade. Mas também um pouco angustiante... Bem conseguido ou ridículo? A linha é facilmente ultrapassada quando não se tem o mix and match no sangue!
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Como devemos adotá-las? Com um blazer preto ou azul-marinho e escarpins – dois básicos do nosso guarda-roupa –, estas calças tornam-se as melhores amigas, as que vão destronar as nossas slim cinzentas nesta estação... Na versão sensata, opta-se por uns escarpins e top sóbrio.
Na versão mais formal, a dupla camisa-escarpins é indispensável, evitando as partes de cima loose.
A COR DE VINHO pode tornar-se o novo preto?
Passadas duas épocas. O bordeaux tornou-se uma cor apreciável, até mesmo muitíssimo desejável, liberta agora da sua reputação de histórica aliada à fita de cabelo.
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Todavia, quando usada próximo do rosto esta cor pode, facilmente, conferir um aspeto macilento nos dias de pior forma física. Sobretudo se tivermos pensado em combiná-la com um batom mate…
Como devemos adotá-la? “A chave antierros: jogar com os materiais”, garante Isabelle Thomas. Seda natural de Lanvin, crepe de grande leveza de Valentino, caxemira sedosa de Jil Sander, combinada com umas calças vermelho-vivo: só o jogo de materiais consegue dar brilho e modernidade à cor de vinho, uma cor que é ainda “arriscada”. Optar por um casaco de veludo, um blusão de cabedal ou uma blusa em crepe, não muito escuros, permite contornar mais facilmente o perigo de parecer carregado do que se optar por uma camisola de lã.
Associado a uma écharpe que sobressaia (laranja, amarela), um batom fresco (grená transparente ou gloss) e já está. Mas é proibido sonhar com a estola camel para tornar o conjunto mais sóbrio...
A CLUTCH será um acessório it?
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Absolutamente. Caminhar na rua com passos largos e uma maxi clutch debaixo do braço é o novo sinal distintivo de um visual moderno. A tendência é aliviar a carga. Reduz-se o tamanho das carteiras e o seu conteúdo. Resta o problema de como a levar, pois por vezes precisamos das duas mãos...
Como devemos adotá-la? Segundo Isabelle Thomas, autora, juntamente com Frédérique Veysset, de You’re so French, um fantástico manual de estilo (La Martinière), e possuidora de um blogue (www.modepersonnelle. com), a maxi clutch é já um mal menor: pode lá enfiar-se mais do que um cartão de crédito! Optar-se-á, preferencialmente, por um modelo com uma pega discreta que se enrola em torno do pulso, em caso de necessidade prática.
As clutchs Céline, Proenza Schouler, Stella McCartney ou Acne são os grandes objetos de desejo do momento. O modelo Glove da jovem marca IRM (www.irmdesign.fr) com a sua mitene integrada seduzirá certamente as fashionistas pragmáticas. Quanto à pomposa clutch de cerimónia, também nela deverá haver um pouco de batota: muitas delas têm uma alça em corrente... Para desenrolar quando se pretende pegar num copo de champanhe sem problemas. E para retirar quando se posa para a fotografia...
Excusivo Madame Figaro
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Tradução de Ana Isabel Palma da Silva
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2 de 6 /Botins em pele e metal, Christian Louboutin