Celebridades

Um ano depois das acusações contra Harvey Weinstein, o que mudou?

Resumimos um ano de vozes que se levantaram, acusações que se formalizaram, consequências que se aplicaram.
Por Rita Silva Avelar, 08.10.2018

Faz hoje, 5 de outubro, precisamente um ano desde a publicação da investigação do The New York Times que haveria de mudar Hollywood. Harvey Weinstein Paid Off Sexual Harassment Accusers for Decades foi a reportagem do diário norte-americano que desatou "o nó" de acusações de abuso e assédio sexuais ao influente produtor Harvey Weinstein (detentor da empresa com o seu nome) e uma das figuras mais influentes da indústria cinematográfica. Destapou, assim, alguns dos mais obscuros segredos ligados ao assédio e abusos sexuais, mas também à violência, à desigualdade e às disparidades salariais de género.

Ao longo deste último ano, duvidou-se que Hollywood voltasse a ser a mesma. E não foi. Primeiro, emergiram vozes corajosas como as das atrizes Ashley Judd, Lucia Evans, Rose McGowan, Salma Hayek, Lea Seydoux ou Gwyneth Paltrow; depois surgiram declarações (mais tardias, mas igualmente emocionadas, algumas difíceis de acreditar) de nomes como  Meryl Streep, Natalie Portman ou Cate Blanchett. Por fim, as acusações multiplicaram-se de dia para dia, nesse mês mais intensamente e depois ao longo deste ano, contra Weinstein e não só. Louis C.K., Kevin Spacey, Chris Hardwick, Morgan Freeman, Ben Affleck, Junot Díaz, Patrick Demarchelier ou Terry Richardson são apenas algumas das 141 personalidades que a revista TIME reúne no artigo Here Are All the Public Figures Who’ve Been Accused of Sexual Misconduct After Harvey Weinstein, que reúne todas as acusações dos envolvidos neste enredo grotesco. Acusações que se estendem por mais de 130 anos e que abrangem várias áreas.

A pergunta que se impõe, hoje, é: fez-se justiça? Onde está Weinstein? Levantaram-se vozes, juntaram-se forças e fundaram-se movimentos como o Time’s Up e o #MeToo, apoiou-se a causa. Perdeu-se o medo e a vergonha e o tópico inundou a comunicação social e as associações de apoio às vítimas. Bill Cosby foi preso. Voltou-se a falar em Woody Allen e em Roman Polanski, já "casos adormecidos". Afastaram-se atores de séries que protagonizavam, como Kevin Spacey, ator principal de House of Cards. Weinstein foi automaticamente excluído para sempre da Academia dos Óscares. E Emmanuel Macron, Presidente francês, retirou a Menção de Honra que Harvey Weinstein recebeu em 2012 pela mão do ex-Presidente Nicolas Sarkozy.

No entanto, está ainda por apurar qual a pena de Weinstein. Os números revelados, que falam entre cinco a vinte e cinco anos, não chegam para fazer justiça às atrocidades feitas pelo produtor. Mas fica a confirmação de que se fez uma revolução histórica em nome das mulheres, destapando-se, finalmente, o véu aos abusos sexuais tantas vezes silenciados no último século. Revelaram-se nomes e impuseram-se movimentos feministas. Perdeu-se, acima de tudo, o medo de falar, não só em nome próprio mas sobretudo pelos outros.

Recorde os artigos publicados há um ano pela Máxima.

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