Poder - As grandes anfitriãs da América
Nos bastidores do poder. Rima Al-Sabah, Juleanna Glover, Ann Walker Marchant... São as Society hostesses de hoje.
Kalorama, elegante bairro residencial de Washington. Vai ter início o cocktail em casa da estratega e lobista Juleanna Glover, uma das mulheres mais influentes da capital. Nessa terça-feira de Outono, personalidades da política, da comunicação social e dos think tanks, os laboratórios de ideias de Washington, despem os agasalhos na entrada, decorada com antiguidades. “Welcome!”, diz a anfitriã, recebendo-os com verdadeiros beijos ao estilo europeu.
O salão de Juleanna Glover, de 40 anos, condiz com a imagem da era Obama: jovem, ecléctico, simultaneamente chique e descontraído, com os filhos e o cão presentes. “Juleanna é a imagem da moderna anfitriã de Washington”, constata a comentadora de televisão Amy Holmes. “Juleanna é universal”, diz com exagero Jamal Simmons, um estratega democrata que participou na campanha de Obama.
Desde que George Washington se instalou à beira do rio Potomac, ou quase, que as “anfitriãs” desempenham um papel fundamental na vida política americana. Elegantes, instruídas e realizadas, estas mulheres cheias de tacto eram inicialmente herdeiras ou esposas de políticos, como Katharine Graham, antiga proprietária do Washington Post, ou Pamela Harriman (viúva de Averell Harriman, embaixador de Roosevelt em Moscovo. Grande organizadora de soirées para recolha de fundos para Bill Clinton, ela foi recompensada com o cargo de embaixatriz em França). Actualmente, muitas delas têm uma carreira a tempo inteiro embora a sua ascendência continue a ser indispensável.
A loura Sally Quinn, famosa jornalista do Washington Post, é casada com Ben Bradlee, o lendário director da redacção do mesmo jornal na época do Watergate. A muito glamorosa Rima Al-Sabah, cujos jantares atraem a nata de Washington, Nova Iorque e Hollywood, é a mulher do embaixador do Kuwait. Ann Walker Marchant é sobrinha do poderoso advogado Vernon Jordan, amigo íntimo dos Clinton. Foi à mesa desta profissional das relações públicas que, em 2004, Barack Obama, então senador do Estado de Illinois, conheceu aquele que viria a ser o seu ministro da Justiça, Eric Holder. Colocados um ao lado do outro, sentiram uma imediata empatia. A dificuldade hoje em dia está em atrair os convidados mais cobiçados: os membros do Governo Obama. “Com duas guerras, uma recessão e uma reforma do sistema de saúde debaixo de fogo, eles estão sobrecarregados de trabalho e são extremamente selectivos nos convites que aceitam”, lamenta Juleanna Glover.
Há todavia convites que não se recusam: os de Rima Al-Sabah. Antiga jornalista de guerra nascida no Líbano, elevou a arte de receber ao estatuto de profissão, graças a uma mistura de opulência, atrevimento e perfeccionismo.
Tendo chegado a Washington pouco tempo antes dos atentados do 11 de Setembro de 2001, fez intensos esforços de integração para mostrar uma outra imagem do mundo árabe. A sua gala anual de caridade no palácio da embaixada é comparada a um “mini-Davos” com a elite política, administradores de grandes empresas (frequentemente gigantes petrolíferas...) e celebridades de cariz humanitário. No seu salão destacam-se fotografias daquela a que toda a Washington se refere pelo nome próprio, Rima: trajando um vestido leopardo Dior com Leonardo DiCaprio e Hillary Clinton aquando da gala contra a desflorestação no ano passado; com o general Colin Powell e Angelina Jolie no jantar a favor das crianças iraquianas refugiadas... sem contar com membros do Governo, juízes do Supremo Tribunal e destacadas personalidades políticas.
“Para os meus jantares para 144 pessoas, sou capaz de passar três dias só a planificar as mesas”, confessa a anfitriã num francês impecável.
Desde a posse de Barack Obama que as maiores anfitriãs de Washington solicitam ao casal presidencial o prazer da sua companhia. “Receber um Presidente em casa é um pesadelo logístico”, refere Rima Al-Sabah. Ela recebera Laura e George W. Bush em 2007. O seu último jantar, em finais de Outubro, foi em honra do decorador dos Obama na Casa Branca, com convidados de todos os estados americanos que de repente consideram Washington “irresistível”. Juleanna Glover, por seu lado, declinou um convite para participar num novo reality show televisivo sobre “as mulheres de Toda a Washington”. “A discrição é de ouro” podia ser um outro lema da capital.
*Exclusivo Madame Figaro. Tradução de Maria Eugénia Colaço