Celebridades

À conversa com Gregório Duvivier

Aproveitámos a passagem do humorista brasileiro por Portugal para falar sobre a tour que o traz por cá, sobre o peso do projeto Porta dos Fundos no seu percurso, e sobretudo da forma como vê as mulheres.
Por Máxima, 17.05.2016
Aos 30 anos, o humorista Gregório Duvivier, um dos nomes mais falados do momento na área do humor e teatro no Brasil, é também escritor, roteirista e até ilustrador. O projeto Porta dos Fundos, o coletivo de humor de que foi pioneiro ao lado de Antonio Tabet, Fábio Porchat, Gregorio Duvivier, Ian SBF e João Vicente de Castro, catapultou-o para o sucesso, mas tudo aquilo que já fez vai muito além do sucesso deste projeto. Já trabalhou como roteirista em projectos como "Louco por Elas" ou "As Brasileiras", já participou em mais de 20 filmes, e até já publicou vários livros, e o último, "Percatempos - Tudo Que Faço Quando Não Sei O Que Fazer", foi ilustrado por si. Bem aceite pela crítica, a colectânea poética "A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora", que lançou em 2008, recebeu críticas muito positivas e foi elogiado por reconhecidos nomes brasileiros como Millôr Fernandes e Ferreira Gullar.
 
Confessa-se tímido, mas a verdade é que hoje em dia parece ter deixado para trás a timidez, já que se prepara para fazer a tour da peça "Uma noite na Lua" (que lhe valeu o prémio de Melhor Ator, entregue pela Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro) onde protagoniza um monólogo de uma hora. No monólogo, Duvivier encarna a personagem de um escritor sem um único título publicado que luta para terminar uma peça sobre um homem solitário, ao mesmo tempo que vive atormentado pela recordação de Berenice, a sua ex-mulher. A peça é da autoria do escritor brasileiro João Falcão, pai de Clarice Falcão, com quem o humorista foi casado, e com quem contracenou em episódios do Porta dos Fundos. Para além estar em cena no Hotel Tivoli de 18 a 22 de junho, a peça percorre de Norte a Sul as salas de teatro portuguesas até 5 de junho.

Lembra-se do momento em que começaste a fazer humor?
Eu era uma criança muito tímida. Entrei no teatro por causa disso e acho que o humor foi quase acidental, e foi muito bom porque para uma criança tímida foi muito bom ver que eu conseguia comunicar com as pessoas, e que elas conseguiam rir de mim e foi essa troca de energia que acho que curou a minha timidez, com o humor. Ver que não é tão grave as pessoas rirem de você (…) e que o pior que pode acontecer é as pessoas rirem de você, é maravilhoso.

Como é que surgiu o projeto Porta dos Fundos?
Todos trabalhávamos na televisão, e tentávamos fazer o nosso humor, levar o nosso humor para a TV, mas não conseguíamos muito. As televisões queriam-nos, mas não queriam exactamente as nossa liberdade. Começamos a juntar-nos (…) e ficámos um tempo escrevendo, produzindo, gravando e editando para quando estreássemos tivéssemos tudo, uma série de sketches prontos, seis meses depois.

O que é que o desafia enquanto artista?
Buscar outras narrativas, por exemplo, agora fizemos um filme da Porta dos Fundos, que é a nossa primeira incursão no universo das histórias longas, e para nós isso é muito desafiador, porque estamos acostumados a contar histórias curtas – contámos 560 histórias curtas ao longo da nossa existência, em vídeos de três minutos.

Qual é o seu sketch favorito do Porta dos Fundos?
Eu gosto dos que são mais surreais, como o Barata no Banheiro, que acho muito divertido, e gosto quando são surrealistas e diria até absurdos! Ficam especialmente engraçados.

E acaba de aterrar em Portugal, de novo. De que é que mais gosta no nosso país?
A comida é a primeira coisa que me ocorre, depois a bebida claro, mas tanta coisa, os lugares, a arquitecturas, as vistas da cidade, todo o lugar a que se vai parar tem uma vista linda em Lisboa. E as pessoas, que também são muito acolhedoras, muito gentis, e a cultura, tem sempre muita coisa acontecendo, seja na música ou no humor. É um país muito, muito rico.

Está cá para a tour de ‘Uma Noite na Lua’. Fale-nos um pouco deste desafio.
‘Uma noite na lua’ é uma epopeia com uma hora de duração, acontecem muitas coisas no espectáculo e eu tenho que passar todas aquelas reviravoltas emocionais em uma hora. É uma coisa que para mim é especialmente desgastante, não é um espectáculo que eu consiga fazer tecnicamente, ele precisa de muita alma e emoção. É uma grande demanda emocional.

O que é que as mulheres mais gostam em si, já que grande parte do seu público é feminino?
Eu não acredito muito nas construções de género, eu não entendo gente que fala com homens, ou fala para mulheres (…) quando as pessoas procuram muito um público elas perdem-no (…) e quando se corre atrás de um público, eu acho que ele foge. Nunca fui propositadamente buscar esse público.

Quais são os maiores dilemas das mulheres?
Eu acho que a mulher tem mais dilemas que o homem por causa da sociedade machista. A liberdade, para os homens, quase não tem que ser conquistada, ela é dada de presente. A mulher, para ser livre, muitas vezes precisa de lutar contra a família, amigos, contra o trabalho até.

Como é que as pessoas mais pessimistas podem deixar de o ser, na tua perspectiva enquanto humorista?
A liberdade para mim é indissociável da liberdade. Eu não saberia ser feliz sem dizer o que eu penso, estar nos lugares de que gosto com as pessoas de quem gosto (…) e de todas as vezes que fiz coisas que não gosto fui muito infeliz. A liberdade é uma coisa que temos de conquistar todos os dias!

Por Rita Silva Avelar
Imagem e edição: Miguel Graça

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