Durante meses vi vídeos de mulheres a praticar LiBDO nas redes sociais. Até que percebi que havia aulas em Portugal - e, sem saber, estava prestes a descobrir uma parte do meu corpo que nunca tinha verdadeiramente explorado.
A primeira vez que ouvi falar do movimento LiBDO foi através do Instagram. Comecei a ser impactada pelos vídeos da Irina, a criadora deste método de treino feminino. Ela vivia no Cazaquistão e parecia quase impossível chegar até ela. Ainda assim, fui investigando. Percebi que dava aulas e workshops em vários países - Turquia, Dubai, um pouco por todo o lado - e tinha canais no Telegram com cursos e aulas online.
Estive muito perto de comprar as aulas digitais, mas hesitei. Sendo uma modalidade completamente nova, parecia-me arriscado começar sem uma aula presencial. E se a minha postura não estivesse correta? E se eu não estivesse a sentir aquilo que era suposto sentir?
Segui a Irina durante quase um ano, até que, em novembro de 2025, descobri inesperadamente um perfil português, @libdo.pt (que entretanto mudou de nome mas mantém o conteúdo). A Katerina estava a dar aulas em Portugal. Fiquei eufórica. Enviei-lhe imediatamente mensagens pelo Instagram a perguntar-lhe tudo: onde eram as aulas, quanto duravam, como funcionavam. Dois dias depois, lá estava eu a fazer autênticas maratonas logísticas - deixar o meu filho nas aulas de mandarim e correr para não perder um segundo desta experiência.
A minha primeira aula foi um verdadeiro desafio. Ver os movimentos no Instagram parece muito mais fácil. Na prática, é outra história. Estávamos a tentar seguir os movimentos da professora, coordenar respiração, postura, braços, joelhos… e, ao mesmo tempo, apertar e relaxar os músculos do pavimento pélvico no momento certo. É quase um exercício de alta performance mental.
Há também um detalhe importante: as aulas são feitas com um pequeno dispositivo colocado na vagina, o kGoal, que dá feedback sobre os exercícios de Kegel. Quando estamos a executar bem o movimento, ele vibra. Parece simples, mas rapidamente percebemos que concentrar tanta energia numa zona específica do corpo - a zona V - exige uma consciência corporal impressionante. É um treino exigente, mas também profundamente libertador.
As aulas aconteciam num pequeno estúdio de yoga, com luz suave e música envolvente. Antes de começarmos, a professora colocava-nos um elixir aromático nos pulsos e atrás das orelhas. Um aroma quente, quase afrodisíaco, que nos convidava a entrar naquele universo. Éramos apenas três mulheres - um ambiente íntimo, seguro e surpreendentemente poderoso.
A LiBDO é um método corpo-mente criado especificamente para mulheres. Combina movimento funcional, técnicas de respiração e ativação do pavimento pélvico para melhorar força, postura, flexibilidade e consciência corporal. Durante 90 minutos, estávamos totalmente focadas no nosso corpo. E isso muda tudo.
Saía das aulas com uma sensação de poder difícil de explicar. Há algo transformador em percebermos que conseguimos controlar músculos que normalmente ignoramos. Fortalecer o pavimento pélvico não é apenas uma questão de saúde - embora isso já fosse razão suficiente. É também uma experiência de reconexão com o corpo e com a nossa energia feminina.
A sexualidade faz naturalmente parte dessa equação. Não é o objetivo central da prática, mas é inevitável sentir-nos mais confiantes, mais conscientes e até mais sensuais quando descobrimos essa força interior.
Infelizmente, só consegui fazer quatro aulas presenciais. Quando descobri a Katerina, ela já estava a preparar o seu regresso à Bielorrússia. Hoje, continuamos a treinar online uma vez por semana.
O que me surpreende não é a dificuldade da prática, mas a dificuldade em atrair mais mulheres para experimentar. Em Portugal, ainda existe muito pudor quando falamos do corpo feminino. Muito tabu, muita comparação, muito receio.
Mas a verdade é que muitas mulheres vivem hoje completamente desligadas do seu corpo - stressadas, cansadas e afastadas da sua própria energia. A LiBDO oferece um caminho de reconexão. E essa reconexão também é saúde.
Fortalecer o pavimento pélvico melhora a postura, a estabilidade do core e pode prevenir vários problemas ao longo da vida. À medida que o debate sobre menopausa, envelhecimento feminino e bem-estar ganha finalmente espaço público, práticas como a LiBDO fazem ainda mais sentido. A conversa sobre saúde feminina está a mudar. E ainda bem.
Em breve, a Katerina regressará temporariamente a Portugal e estamos a preparar uma masterclass aberta a mulheres que queiram experimentar esta prática pela primeira vez.
Se há algo que aprendi nesta experiência é isto: o que mais me surpreendeu foi a confiança e o poder que uma aula de LiBDO pode despertar numa mulher. E, às vezes, basta uma única aula para começarmos a olhar para o nosso corpo de forma completamente diferente.
Masterclass The Feminine Core by LiBDO
Com coach certificada LiBDO — Katerina Lobava
9 e 10 de maio — 15h às 18h (local a confirmar)
Link de inscrição