'Apodrecer na cama' pode ser o gesto mais produtivo deste fim-de-semana

Na minha cama com ela, a preguiça.

Domingo, dia de descanso: cama, conforto e 'bed rotting' sem culpa Foto: Susan Wood/Getty Images
06 de fevereiro de 2026 às 14:01 Safiya Ayoob

Não existe melhor coisa do que um domingo (ou outro dia qualquer, na verdade) passado na cama. A ideia de acordar, virar-se para o lado e pegar no telemóvel, levantar apenas para comer e voltar para a cama soa à melhor coisa que se pode fazer num dia de recarga. Um dia sem pressa, sem planos e sem culpa, vivido entre lençóis como forma de nos prepararmos - física e mentalmente - para o início de mais uma semana, muitas vezes vivida a correr.

É precisamente este prazer silencioso de não fazer nada que ganhou um nome próprio nas redes sociais: bed rotting. Literalmente traduzido como "apodrecer na cama", o termo popularizou-se no TikTok e tornou-se rapidamente parte do vocabulário da Geração Z, que o usa para descrever horas (ou dias em pior dos casos) passados na cama, acordados, entre séries reconfortantes, scroll infinito no telemóvel e pausas estratégicas para comer qualquer coisa.

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À primeira vista, o conceito pode soar a preguiça ou falta de ambição - sobretudo numa cultura que continua a glorificar a produtividade constante. Mas a forma como o bed rotting é apresentado nas redes sociais conta outra história. Para muitos jovens, este ritual não é sinal de desleixo, mas um gesto quase político: parar, desligar e recusar estar sempre disponível num mundo que exige presença permanente, rapidez e eficiência 24 horas por dia.

A Geração Z cresceu entre crises económicas, uma pandemia global, ansiedade climática, precariedade laboral e uma vida profundamente mediada por ecrãs. O cansaço que daí resulta não é apenas físico, é emocional. O bed rotting surge, assim, como uma resposta, ainda que imperfeita, a este desgaste coletivo. Não se trata propriamente de dormir, mas de permitir-se não produzir, não corresponder, não otimizar cada minuto.

No TikTok, os vídeos associados ao fenómeno mostram quartos em luz suave, pijamas confortáveis, mantas, computadores abertos em séries de conforto e legendas que falam de "dias de recuperação"ou "descanso sem culpa". Há uma estética cuidada que transforma a inatividade num momento quase ritualizado, aproximando-a da ideia de autocuidado. Ainda assim, a linha entre descanso necessário e fuga prolongada à realidade nem sempre é clara.

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Especialistas alertam que, embora descansar seja essencial, o bed rotting frequente pode também ser um sinal de exaustão profunda, ansiedade ou desmotivação. Quando ficar na cama deixa de ser uma escolha consciente e passa a ser uma incapacidade de sair, o problema passa a ser emocional. O fenómeno levanta, por isso, uma questão mais ampla: estamos realmente a descansar ou apenas a sobreviver entre picos de cansaço?

Talvez o sucesso do bed rotting diga menos sobre a cama e mais sobre o mundo fora dela. Uma sociedade obcecada com o "fazer" acaba por criar gerações que precisam de justificar o "não fazer". O facto de esta pausa ter de ser nomeada, filmada e validada nas redes sociais mostra o quão difícil se tornou simplesmente parar.

bed rotting não é necessariamente bom nem mau. É um sintoma. Um espelho de uma geração cansada, consciente do seu esgotamento e à procura de novas linguagens para falar de descanso, limites e saúde mental. Talvez a verdadeira tendência não seja passar o domingo na cama, mas começar, finalmente, a levar o descanso a sério.

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