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Máxima

Beleza

Ponha-as a mexer!

J#225; ouviu falar de gin#225;sios para crian#231;as? Se n#227;o h#225; espa#231;o na rua, se o tempo n#227;o est#225; bom... n#227;o faz mal.

Ponha-as a mexer!
Ponha-as a mexer!
04 de junho de 2010 às 13:02 Máxima

"A primeira regra do ginásio é cair com o nariz no chão? Não! É cair com os dois.... pés!" São 11 da manhã de um sábado. Dentro de um ginásio, em miniatura, 15 miúdos entre os cinco e os seis anos "brincam", acompanhadas de três professores. Dão de comer a dinossauros, atravessam rios imaginários. O ginásio tem todos os aparelhos de um ginásio normal – barras paralelas, assimétricas, e até uma trave. Mas tudo adaptado ao tamanho de uma criança, quase parecem de brincar.

O pequeno-almoço do dinossauro foi "leite, cereais, torradas e um sumo de laranja natural", diz a professora. As crianças vão esticando uma corda, à medida que a barriga do animal vai ficando cada vez mais cheia. De repente, a barriga do dinossauro está tão cheia que rebenta. E elas correm para encolher a barriga do dinossauro.

"A ideia do programa é ser algo divertido", explica Rodrigo Viegas, director do Little Gym Portugal, um ginásio exclusivo para crianças com idades que vão desde os quatro meses aos 12 anos. "Este não é um programa competitivo", salienta. Aqui não se querem criar ginastas profissionais ou grandes atletas. A ideia é bem mais simples – criar hábitos de actividade física nas crianças, para que elas se habituem a inclui-los no seu dia-a-dia. "Se elas ganharem o hábito de se mexer nesta idade, ele irá acompanhá-las pela vida fora", explica. Mas não é só de ginástica que estamos a falar. A ginástica é um instrumento utilizado para chegar a outras áreas.

Uma das paredes do ginásio é de vidro. Do outro lado, os pais vão acompanhando os movimentos das crianças, sentados em cadeiras de plástico. Alguns, mais ansiosos, andam de um lado para o outro e vão espreitando de vez em quando. Outros, aparentemente mais relaxados, quase não ligam. Quase. Mas nenhum resiste a espreitar de vez em quando. O pai do Manuel é um deles. Inscreveu o filho na ginástica, há um ano, "para ele estar em contacto com mais crianças". O Manuel era um rapaz tímido e agora "está muito mais sociável", conta o pai, orgulhoso. "Ele era muito inseguro. Agora está mais seguro, mais à vontade, embora continue um pouco tímido."

O programa do ginásio pretende incidir sobre três áreas da criança – as componentes motora, social e emocional. A componente motora é a que está directamente relacionada com a ginástica em si, com os movimentos. A componente social está relacionada com as actividades de grupo – o saber estar em grupo, tanto com outras crianças como com outros adultos, o partilhar objectos, o ajudar os outros. Finalmente, a componente emocional tem a ver com os sentimentos das crianças. Rodrigo Viegas salienta a questão da autoconfiança e da auto-estima. "As crianças têm de acreditar que são capazes de fazer as coisas sozinhas, têm de ultrapassar os seus próprios desafios sem os pais a controlar todos os movimentos", argumenta.

MÀQUINAS SÓ PARA CRIANÇAS

Num outro ginásio, o Ricardo e o Pedro vão partilhando uma sala de máquinas exclusiva para jovens entre os oito e os 16 anos. Podem trabalhar os músculos das pernas, do peito, das costas, tal como os adultos fazem num ginásio. Levantam pesos. Têm máquinas para pedalar, para remar. Uma passadeira. O Ricardo tem oito anos, o Pedro tem 15. Com eles está Gustavo Leal, o instrutor, que vai dando indicações a um e outro sobre o que devem fazer. As máquinas, explica Gustavo, são iguais àquelas que podemos encontrar num ginásio para adultos. A diferença é que estão adaptadas ao corpo de uma criança. E os pesos utilizados são mais leves.

"Nós quando éramos pequenos íamos para a rua brincar. Os miúdos agora já não vão para a rua. Já não fazem exercício", diz o instrutor. Os exercícios que se fazem neste ginásio servem para pôr os músculos a trabalhar, "mas não é nada puxado". Gustavo garante que os movimentos que se fazem nas máquinas correspondem aos mesmos que se fazem em brincadeiras de rua. As máquinas servem apenas para estimular os músculos de maneira natural, no sentido em que eles foram desenhados para mexer. "Todos os músculos têm uma orientação", explica, "nós só estamos a fazer o músculo trabalhar dentro dessa orientação".

O Ricardo começou a aula na passadeira, agora passou para a bicicleta. O instrutor pergunta-lhe se já fez os trabalhos de casa. Ele responde, com pouco entusiasmo. Veio para a ginástica "porque a mãe também vinha e não queria ficar sozinho em casa". E gosta de cá estar. Está há pouco tempo, nem sabe bem quanto. Parece estar pouco empenhado a fazer os exercícios. Gustavo Leal já está habituado a trabalhar com crianças. "Os mais novos têm períodos de energia. No início são mais explosivos. Depois têm de parar, e quando regressam já vêm outra vez com mais energia."

 

O Pedro, mais velho, vai alternando entre as máquinas de levantar pesos. Treina as pernas, os braços. Já levanta trinta quilos com as pernas. Veio com os amigos para o ginásio. Gosta e está ansioso por passar ao "ginásio dos mais velhos", o que vai acontecer ainda este ano, assim que fizer 16 anos. "Quando chegam a estas idades é que os miúdos começam a querer trabalhar mais os músculos", conta Gustavo Leal. Até lá, "querem é brincadeira".

O que faz as delícias do Ricardo é uma placa colocada na parede, o shokk target, com diversos círculos coloridos. Os círculos vão-se iluminando, alternadamente, à medida que o Ricardo toca neles, dando pelo meio uma corrida até ao cone colocado a uns quatro ou cinco metros de distância. Depois repete o exercício, mas atirando uma bola para acertar nos círculos. Depois cansa-se. É altura de mudar de "jogo". Vai para o remo. As primeiras remadas são rápidas, aparentemente eficazes.

"O ideal é as crianças praticarem exercício assim todos os dias", diz Gustavo Leal, "mas nós sabemos que muitas vezes não é possível. Tentamos que elas venham ao ginásio duas vezes por semana, para sessões de uma hora". As horas nem sempre são passadas só a fazer exercício. "Às vezes, vêm para cá estudar. Quando vêm em grupos. E vão-se ajudando uns aos outros", acrescenta. Quando vêm em maior número, aliás, é mais fácil mantê-los "a mexer". Agora, o Ricardo e o Pedro, porque têm idades tão diferentes, terão de ir fazendo os exercícios sozinhos. Algo que para o Pedro parece não constituir problema, uma vez que está entretido com as máquinas. Mais difícil é manter o Ricardo ocupado. Depois de cinco minutos no remo já está cansado outra vez e ganha um último fôlego quando lhe dizem que só faltam mais dez segundos. As últimas dez remadas são feitas com a mesma força do início.

OBESIDADE, A DOR DE CABEÇA DO SÉCULO 

A Organização Mundial de Saúde considerou-a a epidemia global do século XXI. Michelle Obama, a primeira dama dos Estados Unidos, definiu o combate à obesidade infantil como uma prioridade sua e é protagonista de uma campanha contra a doença nos Estados Unidos. A obesidade tem vindo a crescer a um ritmo alarmante nos últimos anos e, o que é mais preocupante, sobretudo entre as crianças. Por trás disto está a falta de um padrão alimentar adequado e também um estilo de vida cada vez mais sedentário. Os miúdos passam demasiado tempo fechados em casa, parados em frente à televisão ou à playstation.

Em Portugal, 30 por cento das crianças com idades entre os dois e os cinco anos são obesas ou estão num estado considerado de pré-obesidade. Esta é uma das taxas mais altas da União Europeia. Sandra Valente, pediatra no Hospital de Santa Maria, considera essencial que as crianças comecem a praticar exercício a partir dos dois/três anos e sublinha que a escola não é suficiente. "Aconselho sempre actividades extracurriculares", diz.

O combate à obesidade passa, acima de tudo, por uma aprendizagem que tem de ser feita tanto pelas crianças como pelos pais. É preciso mudar hábitos alimentares e criar uma cultura de prática de exercício físico. Uma prática que não tem de ser muito intensa, mas que deve ser continuada. Na opinião de Sandra Valente, se as famílias saírem todos os fins-de-semana, e durante uma hora e meia estiverem ao ar livre a "mexer-se", isto já fará diferença.

Prevenir a obesidade nas crianças é essencial. Uma criança obesa tende a ser um adulto obeso e isso pode trazer vários problemas para a saúde – a obesidade está associada à diabetes, a complicações cardíacas, problemas com o sono e também com alguns tipos de cancro.

"BRINCAR" É PRECISO

De volta à sala de máquinas, o Ricardo já abandonou o remo. Está agora a tentar equilibrar-se em cima de uma placa de um –, que por sua vez está pousada sobre um eixo de madeira quadrado. O Pedro continua a saltar de máquina em máquina. Olha-se ao espelho de vez em quando. Estará a pensar no Verão?

"Sei de uma coisa impossível", diz de repente o Ricardo, já farto de estar em cima do skate. Mas, apesar de saber que será impossível, tenta demonstrá-la. "posso estar assim", explica, ainda em cima do skate improvisado, "atirar a bola contra a parede [o shokk target], ir apanhar a bola, correr aqui em cima [aponta para a passadeira], voltar para cima do skate..." Gustavo ri-se. Ricardo imaginou uma maneira de juntar todos os "jogos" num. A hora de aula está a chegar ao fim. Pedro e Ricardo colocam-se lado a lado a fazer alongamentos. Um, muito concentrado. O outro, tenta imitar desajeitadamente os movimentos do parceiro. Por agora, a brincadeira acabou. 

CRIANÇAS DEVEM PASSAR MAIS TEMPO FORA DE CASA 

Sandra Valente, pediatra no Hospital de Santa Maria, considera fundamental que as crianças comecem a praticar exercício desde tenra idade. O ideal, considera, é praticarem meia hora por dia.

Qual a importância do exercício físico para as crianças?

O exercício físico é extremamente importante, sobretudo numa altura em que temos uma alta taxa de incidência de obesidade infantil. O ideal é começar a partir dos dois/três anos, proporcionar à criança hábitos de prática de exercício ao longa da vida.

 

O exercício praticado na escola não é suficiente?

Não. Duas, três horas por semana não chegam. Aconselho sempre às crianças uma actividade extracurricular.

 

Porque é que o problema da obesidade infantil tem vindo a crescer?

As crianças já não vão brincar para a rua, como acontecia antigamente. Estão confinadas às suas casas, paradas em frente ao computador, à televisão, à playstation. Outra das principais causas é o padrão alimentar. Claro que os pais têm responsabilidades, é a eles que as crianças vão buscar os modelos.

 

Os pais têm culpa?

Na consulta de obesidade, nós tentamos mudar o padrão alimentar da criança. Mas, muitas vezes, os pais querem pôr as crianças a comer uma dieta, que é rígida, e depois fazem as coisas mais disparatadas do mundo, comem imensas calorias e sentam-se a ver televisão durante três horas.

 

Em relação à actividade física das crianças, o que aconselha?

Costumo dizer aos pais para acompanharem mais os filhos. Saírem com eles. Fomento muito as actividades em família. Uma hora e meia de exercício ao fim-de-semana, ao ar livre, por exemplo, é bom para as crianças e também para a família.

 

Quanto exercício acha que uma criança deve praticar?

Por semana, no mínimo, cinco horas, cinco horas e meia. O ideal é praticarem pelo menos meia hora por dia.

GINÁSIOS PARA CRIANÇAS

Little Gym Portugal – Ginásio para crianças a partir dos quatro meses

http://www.thelittlegym.pt

Tel. 217 269 464

Programa Shokk no Holmes Place – máquinas para crianças entre os oito e os 16 anos

Cascais

Tel. 214 825 700

Algés

Tel. 214 152 620

Braga

Tel. 253 201 870

http://www.holmesplace.pt/hp/pt/home

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