Os jogadores mais giros, perdão, altos, perdão, talentosos do Mundial
Só estes homens para nos fazerem querer saber o que é um ponta de lança, cabeceamentos e remates. Terem todos mais de 1,80 m pode ou não ajudar.
Há uma forma aborrecida de fazer uma lista dos homens mais giros do Mundial: abrir fotografias, suspirar, ordenar por maxilar e publicar. Esta não é essa lista. Ou melhor, é um bocadinho essa lista - não vamos fingir que somos feitas de pedra -, mas com critérios ligeiramente mais evoluídos. Beleza, sim, claro, mas o que é beleza? Cof cof. Presença, história, feitos, carisma, capacidade de marcar quando interessa, cabelo que sobrevive a 90 minutos de humidade e aquela qualidade indefinível de parecer que a câmara o encontrou por acaso, quando obviamente o procurou.
Chamemos-lhe uma avaliação científica sem qualquer validade científica. Uma mistura de futebol e utilidade pública. De nada.
Jude Bellingham
Há jogadores que parecem bons. Jude Bellingham parece inevitável. O que o torna giro não é só a cara de protagonista ou o facto de ter 1,86 m - é a compostura. Aos 22 anos, já teve a camisola retirada pelo clube onde se formou (a homenagem maior que um jogador pode receber - isto é, mais ninguém irá usar aquele número), ganhou o Golden Boy, a Kopa Trophy, a LaLiga, a Champions e ainda foi eleito jogador da época em Espanha.
Cho Gue-sung
Cho Gue-sung venceu um Mundial paralelo há alguns anos: o Mundial da internet. Dois cabeceamentos, um rosto cinematográfico, uma aparição em capas e editoriais e, de repente, o mundo inteiro descobriu que a Coreia do Sul tinha um avançado com energia de estrela de K-drama - com 1,89 m - e impulsão de ponta-de-lança. Em 2022, marcou dois golos de cabeça contra o Gana e tornou-se o primeiro sul-coreano a fazê-lo num jogo de Mundial.
Micky van de Ven
Micky van de Ven é um central - um 'grande central' com 1,93 m (OMG) - que parece ter sido desenhado para contrariar a ideia de que os defesas são apenas força e choque. É alto, elegante e absurdamente rápido (chegou a bater o registo de velocidade da Premier League e de batimentos cardíacos dos nossos corações). Há qualquer coisa muito apelativa nesta contradição: uma 'parede' (como é apelidadado), sim, mas uma 'parede' que corre.
Lucas Bergvall
Tem aquela beleza de miúdo escandinavo que parece ter sido descoberto por acaso numa campanha de malhas minimalistas, mas o currículo já começa também a fazer barulho. O charme está no potencial: ainda há qualquer coisa em aberto, em construção, em "daqui a três anos vamos todos fingir que já sabíamos". É giro (muito giro e com 1,87 m) como são giros os começos - perigosos, promissores e ligeiramente insuportáveis para quem gosta de dizer "eu avisei".
Jürgen Locadia
Há uma beleza particular nos jogadores que já atravessaram várias versões de si próprios. Locadia não entra nesta lista por ser apenas fotogénico e ter 1,85 m. Traz um outro interesse: o de uma carreira vivida. Foi campeão pelo PSV Eindhoven, passou por várias ligas e recomeçou mais vezes do que o futebol costuma permitir sem crueldade. Não entra aqui só por ficar bem à frente das câmaras; entra por ter aquela presença de jogador adulto, com estrada, quedas, reinvenções e uma espécie de calma conquistada.
Ferran Torresre
Ferran Torres tem a qualidade rara de parecer sempre limpo. Não no sentido higiénico - embora também - mas no sentido estético: linhas simples, a barba sempre aparada, futebol sem excesso de teatro. Já ganhou títulos por clubes grandes e pela seleção espanhola, e há qualquer coisa de muito eficaz no seu charme - será o 1,80 m? Às vezes, o mais giro é mesmo quem não força.
Rúben Neves
É o nosso representante nacional na categoria "homem que remata de longe e, por isso, merece respeito". Há nele uma sobriedade muito portuguesa: passe longo, cara séria, ar de quem sabe exatamente o que está a fazer. Aos 18 anos, tornou-se o mais jovem capitão titular num jogo da Liga dos Campeões. É giro porque parece fiável - e a fiabilidade, no meio de um Mundial cheio de histeria, é praticamente erótica. Já dissemos que tem 1,80 m?
Kenan Yildiz
Ou mais conhecido como a nova crush da internet. Yildiz - de, já sabem o que vem ai, 1,87 m! - tem aquela confiança jovem que só funciona quando há talento a sustentá-la. Na Juventus, o seu nome começou rapidamente a vir acompanhado de comparações grandes demais, o que normalmente seria injusto, mas também diz alguma coisa. É giro pela promessa, pelo gesto técnico, por parecer ainda no início de uma história que já nasceu com expectativa.
Leon Goretzka
Goretzka é para quem gosta de estrutura. Um homem alto (1,87 m), atlético, alemão, com currículo de elite - títulos importantes pelo Bayern, incluindo a Liga dos Campeões - e ar de quem sabe montar uma estante sem ver o manual. E num Mundial onde tudo se descontrola, há muito a dizer por alguém que parece saber exatamente onde pôr o corpo.
Haji Wright
Haji Wright tem nome de herói secundário que acaba por salvar o filme. O apelo dele está na escala: é grande (1,91 m para quem precisa de descrições mais visuais) com aquela energia de avançado que não pede desculpa por ocupar espaço. Marcou pelos Estados Unidos num jogo a eliminar do Mundial de 2022, contra os Países Baixos.
Mehdi Taremi
Mehdi Taremi é a elegância tardia. Durante muito tempo, o futebol europeu fingiu que só havia um caminho legítimo para o estrelato: academia famosa, transferência precoce, hype aos 18. A sua carreira não seguiu o caminho mais óbvio. No FC Porto, foi figura, melhor marcador do campeonato português e autor de uma bicicleta contra o Chelsea que ficou como um dos grandes golos europeus da época (sim, tivemos de fazer pesquisa). É giro - com 1,87 m - porque parece sempre dizer: ainda não acabei.
Youssef Amyn
Youssef Amyn entra na lista pelo encanto dos nomes que talvez ainda não estejam em todos os cartazes, mas deviam estar nos nossos radares. Nascido na Alemanha e internacional pelo Iraque, traz consigo essa biografia moderna de futebol feito entre países, sistemas e escolhas. É giro - tem 1,75 m - não pela fama acumulada, mas pela possibilidade de se tornar uma história nova no torneio.
Elijah Just
Elijah Just tem a vantagem injusta de ter um nome que parece manchete pronta. “Just in time”, “Just enough”, “Just perfect” - os editores agradecem. Internacional pela Nova Zelândia e com 1,74 m, pertence a essa categoria de jogadores que tornam o Mundial maior do que as superestrelas. Há sempre alguém que chega de uma seleção menos óbvia e se recusa a ser figurante. Giro, aqui, é isso: transformar improbabilidade em momento.
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