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O amor tem dress code? O 'Swag Gap' pode estar a mudar a forma como escolhemos os nossos parceiros

Dizem que os opostos se atraem, mas será que a maneira como nos apresentamos em público não tem mesmo influência naquilo que sentimos?

Benny Blanco e Selena Gomez no jogo dos New York Knicks
Benny Blanco e Selena Gomez no jogo dos New York Knicks Foto: getty images
16 de julho de 2026 às 16:11 Rita Pinto da Silva / com Patrícia Domingues Adicione como fonte preferencial no Google

Na era do digital, das fotografias perfeitas no Instagram e das contas de casal com milhões de seguidores, a maneira como nos vestimos e apresentamos é, naturalmente, comentada e observada por muita gente. A tendência Swag Gap começou no TikTok e refere-se à diferença notória no estilo e aparência de um casal. Resumidamente, é o que pode apelidar um casal quando uma pessoa parece saída de uma campanha da Miu Miu e a outra parece ter escolhido a roupa de olhos fechados, cinco minutos antes de sair de casa. 

Um dos maiores exemplos de Swag Gap que temos na atualidade é Justin Bieber e Hailey Bieber (sim, sim, super irónico vindo do homem cujo nome do último álbum é precisamente SWAG) e, neste caso, é mesmo uma questão de estilo. Ou falta dele, porque ainda não nos esquecemos do outfit que Justin decidiu usar no lançamento da Rhode.

Benny Blanco e Selena Gomez no jogo dos New York Knicks
Justin Biber e Hailey Biber no lançamento da marca RHODE Foto: getty images

Outro exemplo bastante citado é Selena Gomez e Benny Blanco. Ela frequentemente muito mais bem vestida do que o produtor musical, que não se parece importar muito com isso (nem com a higiene, porque, mais uma vez, a nossa memória não nos deixa apagar o momento de um podcast que gravou onde mostra os seus pés sujos). 

Embora o Swag Gap se refira ao estilo no sentido literal, também pode ser utilizado para falar da energia, personalidade, estatuto social ou confiança da pessoa - e é exatamente aqui que as coisas ficam complicadas. À primeira vista, tudo isto parece superficial. E, em parte, é. Mas também diz muito sobre como é que encaramos a questão da atração. Há muito que a estética deixou de ser apenas uma expressão individual para passar a fazer parte da identidade do casal. Já não basta sermos compatíveis temos também que o parecer (o que me leva a acreditar que os romances onde o nerd se apaixona e conquista a rapariga mais gira da escola não iriam sobreviver aos dias de hoje). 

As redes sociais habituaram-nos a consumir relações como consumimos campanhas de moda: imagens perfeitas, matching outfits e uma quantidade preocupante de videos de casais sempre felizes. Quando o amor é constantemente comparado com um feed impecavelmente curado, é difícil não reparar quando alguém aparece de meias e Crocs (por vontade própria).  

Niloufar Esmaeilpour,fundadora do Lotus Therapy and Counselling Centre, em Hamilton, Ontário, explica ao The Kit, que “as diferenças de estilo ou de hábitos de higiene pessoal não causam necessariamente problemas na relação, mas podem surgir conflitos quando os parceiros atribuem significados diferentes a essas atitudes". Se um dos parceiros interpretar o interesse do outro pela sua aparência como vaidade, ou a falta de interesse na higiene pessoal como preguiça, podem surgir desafios no futuro.

Amber Chow, jornalista do Coveteur que aborda o tema no artigo The Problem With “Swag-Gap” Relationships, fala com Moe Ari, terapeuta matrimonial e familiar e especialista em amor e relacionamentos na aplicação Hinge: “Quando um dos parceiros se sente ameaçado pela diferença, em vez de sentir curiosidade por ela, esta torna-se um ponto de comparação, acabando por resultar nas dificuldades de um relacionamento”. Segundo o mesmo especialista,o exterior não é o problema, a menos que se cruze com a insegurança, a comparação ou o controlo.

O grande problema, e aquilo que acaba por afetar o sentimento de atração num casal, é quando um dos envolvidos tenta forçar o outro a mudar. “Em termos de compatibilidade, o respeito mútuo e a compreensão são muito mais importantes do que encontrar alguém com quem se partilhem interesses ou gostos semelhantes”, afirma Esmaeilpour. Embora haja sempre casais com gostos estéticos muito díspares, não há razão para que isso não possa conduzir a uma relação forte e emocionalmente segura para ambas as partes, defende.

Também existe uma certa ironia nesta obsessão. Dizemos que o amor não liga a aparências, mas passamos dez minutos a analisar um vídeo para perceber como é que aquela rapariga absolutamente impecável acabou com um homem cuja peça de eleição continua a ser uma t-shirt promocional de um festival de 2018. Hoje, a maneira como nos vestimos transmite gosto, acesso e reconhecimento. O estilo tornou-se uma linguagem social e, inevitavelmente, começámos a aplicá-la também nas nossas relações. Como diz o velho ditado: “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és" e o tanto que há para dizer sobre uma pessoa que ama alguém, mesmo quando insiste em dizer que aquela camisa de manga curta com estampado de palmeiras "fica bem com tudo". 

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