Carla Bruni: Reservada ma non troppo
Será sempre a ex-primeira-dama do 23.º Presidente da República Francesa. Carla Bruni- Sarkozy saiu da ribalta política, mas os holofotes continuarão a segui-la.
Confessa-se ultrassolitária, tímida e caseira, embora seja mediática desde os 20 anos.
Os tabloides e revistas europeias adoravam fazer a primeira página com aquela que foi uma das top models mais bem pagas dos anos 90, ao lado de Claudia Schiffer, Kate Moss e Naomi Campbell. Carla Gilberta Bruni Tedeschi começou na moda e brilhou nas passerelles até ceder à sua verdadeira paixão, a música. Ou seria Nicolas Sarkozy? O badalado namoro de poucos meses consumou-se no enlace no Palácio do Eliseu em 2008. No mesmo ano, uma fotografia tirada por Michael Comte, em que Bruni aparece de pé, nua, em posição angelical a cobrir a púbis, foi leiloada na Christie’s por 91 mil dólares, vinte vezes mais do que o preço de licitação. A primeira-dama francesa fazia furor como nenhuma outra. As suas obrigações protocolares abafaram o seu lado artístico, exceção feita a uma cameo como guia do Museu Rodin no filme de Woody Allen, Meia-noite em Paris (2011). Não consta que tenha sido um sacrifício deixar a carreira musical na gaveta durante cinco anos, mas agora que tem todo o tempo do mundo, as letras – totalmente da sua pena – do quarto álbum, Little French Songs, emanam um estilo confessional. A balada J’Arrive à Toi soa literalmente a declaração de amor – J’arrive à toi par miracle/ Après de longues années/ Après des siècles d’obstacles/ Et des lundis tristes à pleurer – e Mon Raymond é quase uma ode comprometedora ao marido – chama-lhe bomba atómica, patrão e pirata... Não é de estranhar a revelação numa entrevista à Madame Figaro de que a música é a sua vida privada. Admite ainda que o seu estúdio de gravação em Paris, onde sobressai um piano Steinway, uma coleção de guitarras, algumas fotos de família e a harmónica oferecida por Bob Dylan, é mais vital do que o seu roupeiro. O que não lhe retira feminilidade, nem volúpia. Aliás, a sua voz aspirada segue um estilo popularizado por Serge Gainsbourg (uma das assumidas referências musicais de Bruni), que punha as atrizes Brigitte Bardot, Catherine Deneuve e Jane Birkin a sussurrar para o microfone, camuflando as suas limitações vocais. E para dissipar possíveis dúvidas, assume que a sua especialidade é fazer um álbum que a comova, em qualquer registo: folk, pop rock, blues e chanson française traditionnelle. Prestes a partir em tournée pela França e Europa, a cantora, mãe de Aurélien, 11 anos, fruto da sua relação com o escritor Raphael Enthoven, e de Giulia Sarkozy, um ano e meio, antecipa o desafio e confessa o medo: “A coragem é um assunto de medrosos. E eu sou muito medrosa.” A rock star com apelido Sarkozy defende-se bem e faz a apologia natural: When life goes wrong/ Try for a little french song.