Para quê dizer “amo-te”?

Carolina, 34 anos, Leça da Palmeira

25 de novembro de 2015 às 11:36 Dra. Catarina Rivero

Qual o papel de dizer que se ama, quando se está numa relação de longa duração? Não sou muito de dizer estas coisas, nem de abraços e beijinhos… mas o meu marido (com quem estou há 8 anos) frequentemente reclama. 

 

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Cara Carolina, estar numa relação é naturalmente partilhar e expressar afetos, contudo tal é feito de formas diferentes e muitas vezes através pequenos gestos do quotidiano. Mais do que aqui falar de uma forma certa ou errada de estar numa relação, proponho uma reflexão sobre as diferentes formas de estar, ser e relacionar e de como as diferenças podem ser enriquecedoras e, em casal, transformadoras.

Escolher viver em casal é escolher viver um romance. Nos estudos realizados com casais muitas vezes percebemos que quando há elevada satisfação conjugal tende a haver uma elevada expressão de afetos, incluindo dizer que se ama, se deseja, se admira… Expressar mensagens românticas é uma forma de manter um espírito de conquista e enamoramento ao longo dos anos (ou mesmo décadas). Neste sentido, o mais importante pode ser não dar por garantida a relação, mas sim continuarem a cuidar do casal, considerando o bem-estar do outro, confirmando a sua necessidade de se sentir amado e permitir-se ser amada também. Alguns casais não se sentem confortáveis em dizer que amam, mas preferem escrever numa mensagem escrita ou bilhete deixado na mesa do pequeno-almoço. Não obstante estas verbalizações serem frequentes em muitos casais que se sentem felizes na relação, esta dinâmica não só não garante o bem-estar da relação (porque não é suficiente por si só), como existem outros casais felizes menos expressivos… embora atentos.

Assim, existem diferentes formas de cuidar da relação. Uma refeição que um ou outro fazem a pensar no que mais gosta, partilhar um momento de sofá, escutar com atenção uma preocupação, celebrar um momento particularmente agradável para o outro, facilitar a realização sonhos de cada um e conjuntos, são formas de expressar afetos. Mesmo o contacto físico, que é importante num casal, pode acontecer de diferentes formas – um casal pode não gostar de se abraçar e beijar em público, mas fazê-lo quando está a sós, ou antes de adormecer. Ainda assim, uma troca de olhares pode ser quanto baste para que se sintam ligados no meio de uma multidão.

Mais do que haver uma forma "certa" de estar em relação, haverá a forma de cada casal se encontrar. Se há "reclamações" do marido, pode ser tempo de se ouvirem sobre o que esperam e anseiam na vossa relação conjugal, numa conversa aberta que poderá passar por questões como: De que forma gostariam de se relacionar? Em que momento da vossa história se sentiram mais acarinhados e amados? O que podem melhorar no romance de todos os dias? Acima de tudo, o fundamental é cada casal se sentir no seu melhor, sempre que possível, e permitir que o passar dos anos traga desafios que permita a cada um se transformar na dança conjugal onde a realidade acontece a três: eu, tu e nós. Conversar, partilhar sonhos e possibilidades conjuntas, pode ser uma excelente forma de encontrarem a sintonia nos afetos expressos e sentidos.

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