Caso Epstein. Como o poder protegeu um predador em detrimento das mulheres
Um resumo aprofundado sobre um dos casos mais notórios do momento.
Foi graças à pressão feita pelo The New York Times que a nota, alegadamente escrita por Jeffrey Epstein, predador sexual condenado, veio finalmente a público. O financeiro, que terá mantido uma rede de tráfico sexual durante vários anos, suicidou-se na prisão em 2019, mas as teorias da conspiração sobre a sua morte continuam. A carta, que não foi autenticada, inclui várias expressões usadas por Epstein nos emails divulgados.
Ao mesmo tempo, sublinham Rosário Mello e Castro e John Wolf, reforçam todas as falhas da Justiça norte-americana neste caso. Destaca-se a triagem seletiva dos nomes e dos documentos divulgados, que tem prejudicado sobretudo as vítimas, ou as audiências à porta fechadas de nomes como Howard Lutnick, Secretário do Comércio de Donald Trump, que na última quarta-feira declarou ao Congresso não ter uma relação próxima com Epstein, apesar dos ficheiros divulgados indicarem o contrário.
Dois dias antes, a 4 de maio, quatro vítimas do predador sexual partilharam as suas histórias no capitólio de Nova Iorque, como parte de uma proposta democrata para alterar as leis de tráfico sexual. O objetivo será criminalizar sócios e colaboradores que possam ser cúmplices de Epstein e ainda permitir que as vítimas os possam processar. Ainda assim, a sessão, que incluiu questões sobre as motivações das vítimas para só falarem agora, evidenciou a impunidade - criminal e não só - que atravessa o caso.