Francisca Nabinho apresenta "LUCKY" na ModaLisboa: "Vestir pode ser uma forma de explorar a identidade"
Antes de sabermos exatamente quem somos, muitas vezes começamos por experimentar através da roupa. É esse momento inicial - livre, intuitivo e cheio de tentativas - que inspira a nova coleção da designer portuguesa.
No âmbito da edição Pebbling da ModaLisboa, conversámos com Francisca Nabinho sobre LUCKY, a nova coleção que apresenta nesta temporada e sobre a qual partilhou com a Máxima um primeiro olhar em exclusivo. Partindo da ideia de que a roupa pode ser um dos primeiros espaços de descoberta da identidade, a coleção explora o momento inicial em que o gosto ainda está a formar-se e o vestir se torna um gesto de experimentação e liberdade.
Ao longo do desfile, essa narrativa evolui: as silhuetas passam de um registo mais intuitivo e exploratório para uma linguagem mais definida e segura, acompanhando também o amadurecimento da própria marca. A coleção integra ainda colaborações especiais, entre as quais a reinterpretação da filigrana portuguesa com a Joalharia do Carmo, que transporta uma técnica tradicional para um novo contexto criativo dentro do universo da coleção.
Podes falar-nos um pouco sobre a nova coleção que apresentas nesta edição da ModaLisboa? Qual é o ponto de partida conceptual?
Esta coleção fala sobre aquele momento em que começamos a descobrir quem somos através da roupa. Quando ainda estamos a experimentar tudo, sem muitas regras. Gosto dessa fase porque é muito livre e intuitiva. Ao longo do desfile, essa ideia vai evoluindo: os looks começam por ser mais experimentais e vão-se tornando mais claros e seguros.
Pebbling fala de pequenos gestos que criam ligação. Que sensações esperas que as tuas peças transmitam?
Liberdade, sobretudo. A ideia de que vestir pode ser uma forma de explorar e brincar com a identidade, sem ter tudo totalmente resolvido. Espero que as peças transmitam uma sensação de liberdade e de curiosidade.
Que referências influenciaram o teu processo criativo desta vez?
Foi um processo muito intuitivo e pessoal. Interessa-me muito esse momento em que o gosto ainda está a formar-se. Ao mesmo tempo, tento sempre trabalhar a partir de técnicas ou linguagens mais tradicionais e depois desconstruí-las ou colocá-las num contexto inesperado. Nesta coleção fiz isso com a Joalharia do Carmo, reinterpretando a filigrana portuguesa dentro do universo da coleção.
“It takes a village” para criar uma coleção. Quem é a tua aldeia?
As pessoas que me acompanham no processo criativo: família, amigos, colegas, fornecedores. Nesta coleção também houve colaborações muito especiais: a Joalharia do Carmo, com quem trabalhei a filigrana, e a Helena Mar, que desenvolveu o calçado do desfile.
Quais foram os momentos mais conturbados desta coleção?
Quando tens muitas ideias ao mesmo tempo e precisas de perceber quais fazem realmente sentido juntas.
E os mais felizes?
Quando começo a ver as peças juntas e percebo que a coleção está finalmente a ganhar forma.
Que materiais ou técnicas marcaram esta coleção?
Era importante para mim que tudo fosse original: roupa, calçado e joias. A filigrana feita à mão tem um papel muito especial porque traz a tradição para um contexto completamente diferente.
Que silhuetas definem esta coleção?
No início são mais livres e experimentais. Depois tornam-se mais definidas e seguras. A coleção acompanha esse crescimento.
Qual é o teu momento preferido do desfile?
Quando o público começa a perceber a história que o desfile está a contar.
Qual é, para ti, o propósito de um desfile hoje?
Contar uma história e criar um universo.
Como destacar uma marca no meio de tanto ruído?
Tendo um ponto de vista claro e não tendo medo de experimentar.
Como vês a moda portuguesa neste momento?
Muito viva. Há uma geração nova muito interessante e Portugal tem algo muito forte: a ligação entre criatividade e saber fazer. Ao mesmo tempo, também é um meio difícil e nem sempre conseguimos fazer tudo aquilo que gostaríamos, seja por falta de recursos ou de estrutura. Mas é precisamente isso que também torna tudo entusiasmante: fazer parte de uma área que ainda está a crescer e juntar-me a outras pessoas com vontade de criar, experimentar e fazer diferente dentro de uma indústria que continua a desenvolver-se em Portugal.
Podem uns ténis contar a história de uma Itália que quase nunca aparece na moda?
Num mercado saturado de colaborações, a união entre a Veja e a Magliano lembra-nos que ainda é possível surpreender - quando para lá da forma há conteúdo.
Talentos portugueses estreiam-se na semana de Moda da Copenhaga, guiados por Marques'Almeida: "As áreas criativas são muito segregadas"
O Portugal Fashion dá novo salto na internacionalização da moda nacional e leva-a à fashion week de Copenhaga num showroom-instalação pensado pela talentosa dupla portuguesa de designers.
Moda em campo. Como Naomi Osaka está a mudar as regras do estilo no ténis
A tenista japonesa tem sido uma força transformadora, não só no desporto, como também no mundo da moda. A atleta trouxe para os courts looks arrojados e inesperados, quebrando as barreiras entre desporto e alta-costura.