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Celebridades

Olivia Wilde fala de sexo, relações e "O Convite": “As pessoas esquecem-se que merecem mais”

A realizadora do filme-sensação do momento explica porque quis fazer um filme sobre casais. A Máxima esteve numa conferência com uma das mulheres mais poderosas de Hollywood por estes dias. Uma atriz, cada vez mais cineasta, com muito para dizer.

Olivia Wilde
Olivia Wilde Foto: Getty Images
13 de julho de 2026 às 11:52 Rui Pedro Tendinha Adicione como fonte preferencial no Google

Uma comédia sexual com perspetiva feminina. O female gaze de O Convite é de Olivia Wilde, realizadora e protagonista. O filme é já um sucesso de crítica e começa a ser falado para a temporada dos prémios. Um remake de Sentimental, de Cesc Gay, êxito comercial espanhol estratosférico que em Portugal passou despercebido.

Penélope Cruz, Edward Norton, Seth Rogen e, claro, Olivia Wilde. Dois casais entre os quarenta e os 50 numa dinner party que acaba por ser uma escalada de confissões. De um lado, os anfitriões, um casal em crise; do outro, uma parelha que assume o seu lado libertino. Entre diálogos com a neurose destes dias - fala-se de perimenopausa, sexo, muito sexo e orgasmos ruidosos, sobretudo das mulheres - surge ainda uma sugestão de sexo em grupo. É como que um jogo de libertação. Edward Norton e Penélope Cruz atiçam o casal de classe média americana, preso a sonhos frustrados e a uma vida em marasmo. Desmontam tabus, ideias preconcebidas de monogamia e abrem horizontes, seja com uma canção de Sade ou com um exemplo de como a psicoterapia muda tudo.

Olivia Wilde
Penélope Cruz e Olivia Wilde em "O Convite" Foto: Courtesy of A24

Numa conferência de imprensa a que a Máxima conseguiu acesso em exclusivo, a realizadora Olivia Wilde, desde Londres, confessava que quis abrir o filme com uma citação de Oscar Wilde: “Devemos estar sempre apaixonados. Por isso, nunca devemos casar”, um pouco como uma explícita anuência ao cinema de Woody Allen.

“Agora que vi o filme bastantes vezes com público, estou menos cínica e espero que as pessoas olhem para essa citação de outra forma. Acho que talvez o casamento possa funcionar se todo o processo for à base da reinvenção, para que não perca o romantismo. Fiquei muito comovida ao ver a reação de certas pessoas, sobretudo de quem viu o filme sem o parceiro e agora quer revê-lo acompanhado. Este filme talvez possa reparar relações.”

A par disso, o apelo de O Convite é fazer do eterno feminino não um discurso de recados, mas sim uma reflexão fresca sobre as inibições nas dinâmicas entre homens e mulheres, sem culpas nem culpados, mas com um sentido de humor franco e capaz de integrar diversas camadas melodramáticas.

E se a pegada feminina é explícita, tal como acontecia em Booksmart e Não te Preocupes, Querida, os anteriores filmes de Olivia Wilde, não é de espantar que nos créditos surja uma dedicatória à malograda Diane Lane.

“A Diane evocava aquele tipo de mulher idiossincrática, vulnerável e empática, que agia por instinto e impulso. Uma atriz absolutamente inteligente e complexa. Durante anos, as mulheres eram descritas por Hollywood através de um arquétipo de pouca inteligência, algo que a Marilyn fez muito bem, mas depois a Diane mudou tudo com a Annie de Annie Hall. A minha personagem não existiria sem ela. Uma vez fiz um filme com ela e lembro-me de me ter dito para ter sempre o coração debaixo da manga. O Convite é o meu filme mais pessoal e vulnerável. Pensei nela o tempo todo. Estava ansiosa por lhe mostrar o filme. Soube que ela tinha morrido quando estava na mesa de montagem. Tinha de lhe dedicar o filme”, vinca a realizadora-atriz.

Com um sorriso autêntico, diz também que este é mais um filme sobre relações do que sobre sexo.

“O sexo, na cultura americana, é desvalorizado como forma não verbal de comunicação e de confiança. Devíamos falar mais de sexo. É preciso termos coragem de dizer aos nossos parceiros como estamos a evoluir sexualmente. Também é importante continuar a explorar o nosso erotismo e não confundir intimidade com cumplicidade. Muitos dizem que estão casados e que fundiram as suas vidas numa só e que isso é intimidade. Não é. Estou fascinada com a noção daquelas pessoas que estão tecnicamente juntas mas que, na verdade, são estranhas umas às outras.”

Olivia Wilde
Edward Norton, Penélope Cruz, Olivia Wilde e Seth Rogen naquele que já é considerado um dos filmes do ano Foto: Courtesy of A24

E acrescenta: “Há muita gente numa relação que desconhece o valor da sua individualidade, bem como o valor da sua autonomia e responsabilidade para ser feliz. As pessoas esquecem-se que merecem mais. Tenho 42 anos, já estive em várias relações, e este é um tema que me interessa muito, sobretudo no que toca às mulheres. Estou muito ligada à ideia de que é importante continuar a evoluir e a explorar.”

Olivia Wilde fala como uma terapeuta, mas percebe-se que está feliz pelo sucesso global do filme, comprado pela A24 depois de uma sessão de entusiasmo absoluto no Festival de Sundance. Mas também fala como cineasta:

“Fui profundamente inspirada por Mike Nichols e pela forma como ele era um perito nas relações entre seres humanos e nas suas texturas. Parte de ser ator passa por pensar na forma como a tua personagem interage com as outras. E foi por aí que também me tornei cineasta: quis criar filmes que permitissem aos atores fazer depender tudo das relações e das suas complexidades, ou seja, deixar-lhes a tarefa de revelar todas as definições e especificidades dessas relações. Penso muito no que Wong Kar-wai fez em Disponível para Amar, ao não deixar que percebêssemos verdadeiramente o filme até os atores nos revelarem o seu significado. Afinal, são os atores que descascam os seus corações através das personagens.”

Para já, o verão continua bem spicy para ela: é a estrela de I Want Your Sex, de Greg Araki, já programado para agosto, e em breve volta a assumir a realização com Naughty, projeto que já está em desenvolvimento.

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