Celebridades
Na Rota do Ouro: Telma Santos
Fomos conhecer e fotografar cinco atletas que integram a delegação portuguesa aos Jogos Olímpicos antes de partirem para do Rio de Janeiro e dedicamos-lhes o artigo Na Rota do Ouro na edição de agosto da revista. No dia em que cada uma delas se estreia na competição recuperamos os seus testemunhos.
Diz que a vida no desporto a fez crescer como pessoa e é por isso que Telma Santos recorda o jogo que fez contra uma atleta do Uganda que jogava descalça e conta que no final lhe ofereceu os seus ténis. A atleta de Peniche descobriu ainda em criança que não só gostava de badminton como tinha uma habilidade especial para o desporto. Licenciou-se em desporto e hoje concilia a vida de atleta no Centro de Alto Rendimento das Caldas da Rainha com o trabalho como instrutora de fitness num ginásio. Durante o último ano foi operada ao joelho, recuperou e ainda se conseguiu qualificar para os seus segundos Jogos Olímpicos quando já parecia impossível.
Como descobriu a vocação para o badminton
"Foi através do meu tio. Eu estava na escola primária e ele tinha-se qualificado para os Jogos Olímpicos de Barcelona e ofereceu-me uma raquete. Fiquei com curiosidade em experimentar e quando experimentei acertei logo nos volantes e isso incentivou-me a continuar. Normalmente quando somos crianças é muito difícil acertar no volante. Quando temos êxito naquilo que fazemos é mais fácil querermos continuar, quando falhamos é mais difícil. Logo do início tive essa habilidade para a raquete. Tinha oito anos."
Fez história no badminton para Portugal?
"Já tivemos, desde Barcelona, atletas nos Jogos Olímpicos, mas não tínhamos conseguido vencer uma ronda no maior evento multidesportivo do mundo e eu consegui fazer esse feito. Venci a minha primeira ronda e disputei o acesso à ronda seguinte com a campeã do mundo de juniores.
Houve uma mulher que já foi em 2008 [aos Jogos Olímpicos]. Eu sou a segunda mulher, mas este ano sou a única."
As exigências da modalidade e do desporto no geral
"O Badminton é muito exigente, tanto a nível físico com mudanças de direcção, há muita velocidade, muita agilidade… e em termos mentais e psicológicos também é muito importante, porque tanto estamos lá em cima como vimos cá para baixo e é preciso termos uma força mental e trabalharmos muito para conseguirmos ter um equilíbrio ao longo da época. É uma vida que escolhemos e depois temos o retorno, com aquilo que alcançamos. O que me custa bastante é acordar cedo para ir treinar, mas tem de ser."
As experiências que se vivem pelo mundo
"Cresci muito como pessoa, por aquilo que já vivenciei nos outros países. Considero-me uma pessoa muito humilde, mas tornou-me uma pessoa com mais sentimento e com vontade de viver mais as coisas hoje. O futuro é hoje para mim. Já estive em países muito bons, mas já estive em países como o Uganda o Irão… No Irão vê-se uma descriminação em relação à mulher e o Uganda é muito pobre. No primeiro jogo que eu fiz joguei contra uma atleta que estava descalça e no final ofereci-lhe os meus ténis. Fui carregada de roupa e voltei com uma mala muito leve porque deixei lá tudo… No Irão tinha de usar a burka e sempre de rabo tapado. Tinha de cumprir as regras das mulheres de lá."
As vitórias celebram-se com a família
"Tenho um pai que só me viu jogar duas vezes na vida e a minha mãe também, porque sofrem muito e têm medo de passar para mim o nervosismo então optam por não me ver jogar. É gratificante quando chego a casa e lhes dou os troféus e eles é que montam tudo. Gosto de ver a felicidade deles."
Por: Carolina Carvalho. Fotografia de Gonçalo F. Santos. Realização de Susana Marques Pinto
*Leia também as entrevistas a Ana Rente, Sara Carmo e Victoria Kaminskaya.
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