Os melhores perfumes desta Primavera
A brisa primaveril faz-se sentir através dos mais suaves acordes. Notas florais, intensas e frescas, apuram os sentidos, numa combinação perfeita dos melhores aromas da estação.
Aos olhos da maioria dos mortais, um perfume não passa de uma mera junção de ingredientes, combinados perfei tamente para ir ao encontro do seu gosto pessoal. Outros podem até ver a complexidade que implica uma
fórmula olfativa. Mas poucos, raros narizes apurados, veem as fragrâncias como elas realmente são: obras de arte, criações românticas de beleza ímpar. Pierre-Alain Blanc, mestre per fumista da Firmenich (a maior empresa privada do mundo, na indústria dos perfumes e sabores), resume numa frase a maior ambição destes artistas: "Os perfumistas não querem um bom produto, já há muitos desses. Querem um produto excecional!" Em conversa com a Máxima, Chandler Burr, jornalista, curador de arte olfatória e, até 2010, crítico de perfumes no New York Times, confirma-o. "A habilidade que os artistas olfatórios têm de criar peças de grande arte original todos os anos, é o que mais me surpreende na indústria. Tal como na pintura, na música e na arquitetura, os
verdadeiros grandes trabalhos são relativamente poucos. É normal. Mas quando chegam, é o maior prazer que
podemos imaginar." E é cada vez maior o esforço pela singularidade, o que não implica, no entanto, os ingredientes mais raros, exclusivos e nobres da perfumaria. Não é o elevado custo ou o facto de uma fragrância ser enquadrada no rótulo "de nicho" que a torna especial. Alberto Morillas, um dos maiores perfumistas da atualidade, considera que "a criação tem a ver com concretizar peças bonitas, com muita personalidade, e sem ter de utilizar ingredientes raros e excecionais. É como comer caviar e foie gras – bem, na realidade, eu não gosto de foie gras –, mas demasiado caviar também se torna aborrecido, não é? Um bom tomate, apesar de simples, também é muito bom, certo?". Burr apoia esta ideia, atribuindo a atração pelos elevados preços à psicologia humana, mas vê igualmente na simplicidade das construções do século XXI uma chave para o seu sucesso, destacando Daisy de Marc Jacobs e Modern Muse de Estée Lauder como os exemplos mais recentes. Sobre uma outra tendência, que remete para o uso de ingredientes conventuais, confessa-se surpreendido por não ser um adepto de incensos e fragrâncias eclesiásticas, mas é precisamente para uma delas que vai um dos seus maiores elogios: "Avignon, um trabalho de 2002 do artista superlativo Bertrand Duchaufour, é um dos trabalhos de arte olfatória mais bem executados e perfeitos tecnicamente. Completamente estonteante e, espantosamente, muito século XXI. Messe de Minuit, de Jacques Flori, é ligeiramente mais tradicionalista no estilo, mas ainda assim perfeitamente usável." É precisamente esta capacidade de surpreender que distingue os
grandes perfumes. A perfumista Natalie Lorson explica por outras palavras a beleza implícita na poética combinação dos ingredientes: "As moléculas são indispensáveis porque nos ajudam a criar uma estrutura etérea, acrescentam brilho, corpo e rasto. São os mensageiros das emoções."