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Máxima

Beleza

Eu e a minha pessoa!

Adoptar as técnicas de marketing dos vendedores, ser-se um caixeiro viajante de si próprio, cuidar da boa reputação...

Eu e a minha pessoa!
Eu e a minha pessoa!
31 de dezembro de 2010 às 13:35 Máxima

Já pensou em criar a sua própria marca? Hum... de roupa? De panos de cozinha serigrafados, de T-shirts? Não, de modo algum! A marca Eu, Moije, a Perso SA, a Myself Incorporated, a que faz de si no trabalho e na vida uma jovem profundamente diferente das dúzias de congéneres (de clones?) da mesma idade e do mesmo meio! A sua marca, portanto! Um pouco como alguns jeans conseguiram sobressair num mercado basicamente bastante denim...

Vindo dos Estados Unidos, o personal branding (ou desenvolvimento da sua marca pessoal) é efectivamente um conceito de formação profissional bastante agressivo. A ideia? “Conhecer-se melhor, dar-se a conhecer.” Traduzindo: descobrir o seu valor acrescentado e vendê-lo às suas redes, aproveitando nomeadamente as fabulosas oportunidades que a Net proporciona.

A CULTURA DA AUTOPROMOÇÃO

É um saber que alguns meios da arte ou da moda dominam já com naturalidade e sucesso. Basta ver como uma blogger de 13 anos, Tavi Gevison – aquela miúda excêntrica de óculos! –, criou, em apenas alguns meses, uma marca de minifashion internacionalmente reconhecida.

Do outro lado do Atlântico, sob o impulso de gurus como Peter Montoya e William Arruda, a cultura da autopromoção dos empregos “comuns” – no YouTube, o vídeo da minha cativante intervenção no congresso dos periodontistas de Chicago! – está já muito implantada. Em França, a julgar pela proliferação de especialistas, de livros how to dedicados ao assunto ou de sites e de blogs, a era do self marketing para todos ou como aprender a autopromover-se, a posicionar-se, obter o seu referenciamento... já teve o seu início...

ENCONTRAR A SUA 'BASELINE'

“Eu não sou nem um iogurte nem um detergente”, somos nós tentadas a replicar vivamente! No entanto, quando se retira a conotação um pouco calculista da atitude, a ideia de “se viver como uma marca viva” é, segundo a formadora Fadhila Brahimi, interessante. Em primeiro lugar, porque a época, mais individualista do que nunca, adora as “pessoas que têm uma especialidade a mais”. E fazer valer o que se tem é indispensável para projectar a imagem.

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É uma das oito leis do personal branding elaboradas por Peter Montoya*, essa a que se chama da distinção. Quando o financeiro e patrão da imprensa Mathieu Pigasse se afirma fã dos Clash, isso parece não ter importância nenhuma mas diferencia-o dos seus pares mais formatados... É o “banqueiro rock’n’roll”, ele encontrou a sua “base line”. Qual é a sua?

O personal branding e a sua simplicidade absolutamente anglo-saxónica são igualmente um bom antídoto para a nossa postura da falsa modéstia. Segundo os personal branders, a arte do pitch, esse exercício de apresentação oral rápida, cativando e valorizando, deve ser urgentemente dominada. Não saber ou não querer falar de si próprio é penalizante num mundo de comunicadores desenfreados!

A ARTE DO STORYTELLING

Evidentemente que há quem faça personal branding espontâneo. Kate Moss não precisou de ninguém para criar a sua marca, meio-glamour meio-destroy, aquela que tão bem faz vender as outras. Igualmente Richard Branson ou Steve Jobs, patrões carismáticos dotados de todo um folclore perso. Não se tem necessariamente uma lenda a oferecer como eles, mas histórias, certamente! Pode ser o seu safari ao Botswana ou o aniversário do seu mais pequeno, pretexto para metáforas e variações existenciais que personalizam o discurso... A isso se chama storytelling, uma técnica (vinda da publicidade e da política) para fazer vibrar as pessoas, que em seguida vos compram muito mais facilmente.

E que o nosso natural pudor reprova, normalmente... Nessa mesma atitude, outros encontram, sozinhos, o seu packaging ideal: Dutronc com os seus imutáveis havanos e Ray-Ban que soube criar uma espécie de logótipo pessoal que desafia o tempo. Mireille Mathieu (com o penteado à tigela) ou Amélie Nothomb (o chapéu gótico) fixaram a sua identidade visual sem tirarem nenhum curso. Podemos seguir-lhes o exemplo sem mudar de look de dois em dois dias no escritório porque isso, dizem-no os especialistas, confunde a mensagem...

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CONSTRUIR A SUAIDENTIDADE DIGITAL

Mas para todos os outros, para aqueles que não sabem vender-se instintivamente, o personal branding traduz-se concretamente em quê? No cruzamento do balanço de competências ultrafavorecido, do desenvolvimento pessoal, até mesmo do relooking ou do apoio ao tomar da palavra, ele recorre a várias disciplinas.

Nesse sentido, não é uma coisa nova. Há séculos que os políticos, os actores ou os gestores de topo recorrem a eminências pardas para melhorar a sua imagem e fazer com que se fale deles. O que é inédito é o facto de ter passado a ser acessível a todos. “A Internet permite hoje democratizar o personal branding”, explica o especialista Olivier Zara, criador do site CV 2.0 (um programa completo!). “Já não há desconhecidos. A Internet é uma praça pública mundial na qual se vai construir a sua imagem de marca. Construir a sua identidade digital é um elemento determinante do seu sucesso futuro.”

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UM PERFIL REFERENCIADO POR TODA A PARTE

Uma necessidade que passa a ser ensinada nas escolas comerciais ou na faculdade: “Mostre as suas competências.” O primeiro reflexo de qualquer interlocutor hoje em dia é, na verdade, “googlar” (45 por cento dos recrutadores americanos já o fazem). Se ainda está a retocar o seu CV em papel, a interrogar-se sobre se há-de entrar para o Facebook ou se nunca ouviu falar de redes sociais como a LinkedIn, a Viadeo ou a Ziki, a sua marca está morta mesmo antes de ter nascido!

Os que têm uma (e a mimam) subscrevem serviços que referenciam automaticamente o seu perfil em todos os sítios possíveis. Ou em sites que criam a sua reputação online (os famosos “limpadores” da Net, que escamoteiam fotos ou informações comprometedoras). Quem é que disse deixe-nos o seu cartão?

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