Vogue Eyewear reforça a ligação à nova geração de designers na ModaLisboa
A ModaLisboa volta a afirmar-se como um dos principais palcos para a nova geração do design nacional. Nesta edição, a Vogue Eyewear reforça a sua presença no evento ao lado de dois nomes emergentes da moda portuguesa: Ana Rita de Sousa, fundadora da marca ARNDES, e Bárbara Atanásio.
A marca de eyewear volta a integrar os seus óculos nos looks apresentados na passerelle, consolidando uma colaboração que procura dar visibilidade a novos talentos e reforçar a ligação entre criatividade, estilo e autoexpressão.
Ao longo das últimas edições da semana de moda lisboeta, a Vogue Eyewear tem vindo a posicionar-se como um parceiro próximo de designers em ascensão, acompanhando o seu percurso criativo e contribuindo para ampliar o alcance das suas coleções junto de novos públicos. Nesta edição da ModaLisboa, a marca apresenta também a nova coleção SS26 (primavera-verão 2026), marcada por silhuetas arrojadas, cores vibrantes e novas interpretações de estilos intemporais. Os modelos voltam assim a surgir como complemento de styling nas apresentações das designers Ana Rita de Sousa e Bárbara Atanásio.

Crédito: Luis Gala @galagalinha

Crédito: Luis Gala @galagalinha
A ligação não é nova. A designer Ana Rita de Sousa, responsável pela marca ARNDES, colabora com a Vogue Eyewear há já várias edições, integrando regularmente os modelos da marca nas suas coleções apresentadas em passerelle.
Já Bárbara Atanásio volta a contar com os óculos da marca pelo segundo ano consecutivo, reforçando uma parceria que acompanha o crescimento da designer na Workstation da ModaLisboa, plataforma dedicada a designers emergentes.
Enquanto Bárbara Atanásio apresenta nesta edição a coleção “Fica-te mal”, um projeto que reflete sobre a herança invisível de normas sociais transmitidas entre gerações, ARNDES continua a explorar a experimentação de materiais e a construção de silhuetas que dialogam com o corpo.
Estivemos à conversa com as duas designers para conhecer melhor os processos criativos por detrás das coleções que apresentam nesta edição da ModaLisboa.
A designer Ana Rita de Sousa, fundadora da ARNDES, apresentou nesta edição da ModaLisboa uma nova etapa do percurso criativo da marca.

Crédito: Luis Gala @galagalinha
A ARNDES tem vindo a afirmar-se na ModaLisboa com um processo criativo muito assente na experimentação e na relação entre materiais e forma. Como é que nasce a coleção que apresentas nesta edição?
A ARNDES continua a desenvolver-se como uma linha contínua. Mais do que partir de um tema fechado, cada coleção surge como mais um momento dentro de um percurso que está sempre em construção. O processo tem um papel central e a experimentação continua a ser o ponto de partida.
Gosto de pensar o desenvolvimento das peças quase como um ambiente laboratorial, onde há espaço para testar materiais, observar como reagem e perceber que formas podem surgir dessa relação. A coleção nasce muito desse movimento entre explorar, ajustar e perceber o que faz sentido naquele momento.
O contexto é sempre o presente, a atmosfera do agora, mas com uma intenção de que as peças possam existir para além dele.
Referes frequentemente que uma coleção é um percurso e não apenas um tema. Como é que esse processo de construção se materializa nas peças desta estação?
Para mim, o processo é aquilo que realmente conduz o resultado. As decisões são tomadas de forma consciente e intencional, mas há sempre espaço para algo mais intuitivo ou inesperado entrar no caminho. Muitas vezes, um material sugere uma determinada forma, ou um gesto durante a construção abre uma nova possibilidade.
As peças acabam por nascer desse diálogo constante entre intenção e descoberta. Às vezes, o próprio resultado obriga a repensar o caminho e a reorganizar as ideias até encontrar uma solução que faça sentido. No fundo, cada peça carrega um pouco desse percurso.
Nesta coleção, falas de texturas ricas e complexas, com origens muito distintas. Como é que trabalhas essa convivência entre materiais naturais, nobres ou mais banais para criar harmonia nas silhuetas?
A coleção constrói-se muito a partir da relação entre diferentes texturas. São materiais com origens diversas e, muitas vezes, com uma cronologia difícil de definir — alguns mais clássicos, outros mais inesperados.
Interessa-me essa mistura. Os materiais têm pesos e densidades diferentes e, quando se encontram, criam contrastes que acabam por gerar equilíbrio. O trabalho passa muito por observar como convivem entre si e por encontrar uma forma de os fazer dialogar de maneira harmoniosa dentro das silhuetas.
O teu trabalho explora muitas vezes a relação entre o corpo e a peça, com formas que dialogam com o movimento. De que modo essa dimensão está presente na coleção que vais apresentar agora?
A relação com o corpo está sempre muito presente no meu processo. As peças são pensadas a partir dele, da sua estrutura, da forma como se move e de como ocupa o espaço. Ao mesmo tempo, interessa-me perceber até que ponto a peça pode ir além dessa relação mais direta.
Gosto de pensar que a roupa não se limita apenas a vestir o corpo, mas que também pode criar um pequeno espaço à sua volta, quase como uma extensão.
Nesta coleção, isso aparece em silhuetas que acompanham o movimento, mas que também o prolongam ou o reinterpretam de forma subtil. Há sempre uma curiosidade em explorar esse limite entre o corpo e aquilo que existe para lá dele.
A sustentabilidade e o uso de materiais reaproveitados têm sido uma constante no teu percurso. De que forma essa preocupação continua a informar o teu processo criativo nesta nova coleção?
Essa preocupação faz parte da forma como penso e desenvolvo as coleções. Não surge como uma imposição, mas como algo bastante natural dentro do processo. Interessa-me criar peças com qualidade, que possam existir durante muito tempo e que estabeleçam uma relação duradoura com quem as usa.
Muitas vezes, o trabalho começa a partir de materiais que já existem, tecidos que ficaram por utilizar ou peças clássicas que acabam por ser reinterpretadas e transformadas. Para além de ajudar a reduzir desperdício, esse ponto de partida também traz novas possibilidades ao processo criativo, porque cada material tem características próprias e acaba por influenciar a forma como as peças vão sendo
construídas. No fundo, trata-se de encontrar um equilíbrio entre a dimensão estética e uma forma mais consciente de produzir.
Nesta edição da ModaLisboa, voltas a contar com óculos da Vogue Eyewear para complementar os looks na passerelle. De que forma este tipo de acessório ajuda a construir a identidade final das silhuetas que apresentas?
Sinto que os óculos da Vogue Eyewear estão bastante alinhados com o tipo de pessoa que a ARNDES veste. Existe uma proximidade na atitude e na forma como ajudam a completar a presença do cliente da marca.
Ao mesmo tempo, trazem uma dimensão muito ligada ao quotidiano, ajudando a mostrar como as peças podem existir para além do desfile e fazer parte do dia a dia. Os óculos acabam por reforçar o look, dando-lhe mais força e personalidade, contribuindo para construir uma imagem final mais completa.
Bárbara Atanásio apresentou a coleção “Fica-te mal”, um projeto que reflete sobre a herança invisível de normas sociais transmitidas entre gerações.

Crédito: Luis Gala @galagalinha
A coleção que apresentas nesta edição chama-se “Fica-te mal”, uma expressão carregada de julgamento social e cultural. Como surgiu este ponto de partida e o que procuras explorar através dele?
O ponto de partida surge do poema Ortofrenia, de Mário Cesariny. Ortofrenia é a arte de corrigir as tendências morais ou intelectuais. Essa ideia de correção ficou-me muito presente, sobretudo naquilo que herdamos de forma imaterial: os tiques e trejeitos que passam de geração em geração, mas que nem sempre são bem aceites. Existe muito a lógica do “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”, e sobretudo a forma como certas frases atravessam gerações e acabam por moldar comportamentos.
“Fica-te mal” é uma dessas expressões, aparentemente banal, mas que funciona como um mecanismo de ajuste social. A coleção parte dessa tensão entre o gesto espontâneo e a correção que o interrompe, explorando a forma como essa linguagem se instala no corpo e influencia a maneira como nos apresentamos.
Quando descreves a coleção, referes que “fica-te mal” é uma técnica herdada, uma espécie de correção social que atravessa gerações. Como é que essa ideia de herança – mais cultural e comportamental do que material – se traduz nas peças e nas silhuetas que vimos na passerelle?
A forma como um conceito inspira uma coleção é sempre muito intuitiva e acaba por se refletir nas decisões formais. Desta vez, o processo partiu sobretudo da forma e dos materiais, através da exploração de novos moldes e de matérias que os acompanhassem. Interessava-me trabalhar a ideia de correção e de ajuste: peças que parecem ter sido modificadas, alteradas ou adaptadas ao longo do tempo. As silhuetas, por vezes, deslocam-se ligeiramente do esperado, como se estivessem em constante processo de adaptação, refletindo essa herança invisível de gestos e comportamentos que aprendemos quase sem nos aperceber.
O teu trabalho tem sido marcado pelo uso do upcycling, pela desconstrução e por uma certa ironia visual. Como é que esses elementos se manifestam nesta coleção?
Esses elementos continuam muito presentes. O upcycling surge como uma forma natural de trabalhar com materiais que já têm uma história, o que dialoga bem com o tema da herança. A desconstrução aparece na forma como as peças são montadas ou ajustadas, e a ironia surge de forma subtil, em detalhes ou combinações inesperadas que questionam essa ideia de correção e de “forma certa” de vestir.
Muitas das tuas propostas exploram a memória e o quotidiano, transformando elementos familiares em algo inesperado. Que referências ou gestos do dia a dia inspiraram esta coleção?
A coleção parte muito de referências familiares, como fotografias antigas ou peças de roupa que atravessaram gerações. Há também gestos muito simples do quotidiano, como vestir um casaco grande ou ajustar uma peça ao corpo. Essas pequenas ações carregam muitas vezes memória e afeto, e interessava-me trabalhar essa proximidade. Silhuetas como grandes casacos que quase nos abraçam aparecem muito como esse lugar de conforto e lembrança.
Existe também uma dimensão quase performativa no teu trabalho, onde a roupa ajuda a construir personagens. Que tipo de figura imaginaste para este desfile?
Uma figura que assume o erro sem o tentar corrigir. Há uma certa descontração nesse gesto, quase como uma reconciliação com aquilo que herdámos. A personagem vive nesse equilíbrio entre memória e presente: transporta referências do passado, mas reinterpreta-as e assume a sua própria identidade. É vista como rebelde, mas, no fundo, é apenas ela mesma.
Nesta edição, voltas a contar com óculos da Vogue Eyewear como complemento dos looks apresentados na passerelle. De que forma este acessório contribui para reforçar a atitude ou a narrativa das personagens que criaste?
Os óculos acabam por funcionar como um elemento que reforça a personalidade. Para além da função estética, ajudam a construir uma atitude, quase como um filtro entre o corpo e o olhar exterior. Ao mesmo tempo, acrescentam uma camada de caráter, sublinhando essa ideia de identidade construída através de pequenos gestos e detalhes.

Crédito: Luis Gala @galagalinha

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Vogue Eyewear leva a criatividade para além da passerelle
Nesta edição da ModaLisboa, a presença da Vogue Eyewear estende-se também para além da passerelle. Antes dos desfiles, a marca transforma o Creator’s Room — espaço de encontro entre convidados e designers — numa experiência de convívio e descoberta, com música ao vivo, exposição de modelos da nova coleção e momentos de partilha entre criadores, convidados e membros da Vogue Eyewear Squad.
Mais do que um simples momento de espera antes dos desfiles, a iniciativa pretende celebrar a criatividade que rodeia a semana de moda lisboeta e reforçar a ligação da marca à nova geração de designers portugueses.