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Quando a moda cria ligações: o UModa levou talento, sustentabilidade e emoção ao Espaço Guimarães

A 11.ª edição do UModa transformou o Espaço Guimarães numa passerelle de criatividade, onde jovens criadores da Universidade do Minho apresentaram coleções que refletem a forma como nos ligamos – e desligamos – das pessoas, das memórias e do mundo que nos rodeia.

12 de junho de 2026 às 10:12 Máxima Adicione como fonte preferencial no Google

A moda tem a capacidade rara de transformar ideias abstratas em algo tangível. Pode dar forma a emoções, traduzir estados de espírito e contar histórias sem recorrer a palavras. Foi precisamente essa dimensão emocional e criativa que esteve em destaque na 11.ª edição do UModa, o desfile de moda promovido pela Universidade do Minho, que este ano encontrou no Espaço Guimarães um novo palco para mostrar o talento emergente da moda portuguesa.

Realizado a 29 de maio, o evento reuniu estudantes da Licenciatura em Design e Marketing de Moda da Universidade do Minho e levou ao público cinco coleções originais desenvolvidas em torno do tema “(Des)ligar”. Mais do que um exercício académico, o desfile afirmou-se como uma montra do trabalho desenvolvido pelos futuros profissionais do setor, aproximando-os da comunidade e do universo profissional da moda.

A moda como reflexo das relações humanas

A edição deste ano partiu de um conceito tão simples quanto universal: a forma como criamos, mantemos ou rompemos ligações ao longo da vida. Inspirados pela metáfora de um fio condutor, os jovens criadores exploraram temas como a memória, os afetos, a identidade e a transformação das relações humanas.

Dessa reflexão nasceram cinco coleções distintas – DNA, Arcanum Cordis, Nós, The Body Keeps the Score e Superconexão –, cada uma delas interpretando o conceito de ligação sob uma perspetiva própria. Entre encontros e despedidas, presença e ausência, proximidade e distância, os projetos revelaram a diversidade criativa dos estudantes e a capacidade da moda para comunicar ideias complexas através de formas, texturas e silhuetas.

O resultado foi um conjunto de propostas que demonstram não apenas domínio técnico, mas também uma forte componente conceptual, cada vez mais valorizada numa indústria em constante evolução.


Criatividade com consciência

Num momento em que a sustentabilidade ocupa um lugar central na indústria da moda, os estudantes foram desafiados a integrar práticas mais responsáveis nos seus processos criativos. Todas as coleções tiveram como ponto de partida a reutilização de materiais e técnicas de upcycling, recorrendo a tecidos reaproveitados para dar origem a novas peças.

Esta abordagem permitiu demonstrar como a inovação e a criatividade podem caminhar lado a lado com uma utilização mais consciente dos recursos. Ao transformar materiais existentes em propostas contemporâneas, os jovens designers mostraram que a sustentabilidade não é uma limitação, mas antes um ponto de partida para novas possibilidades criativas.

A preocupação ambiental surge, assim, integrada de forma natural num projeto que procura preparar os estudantes para os desafios atuais da indústria, incentivando uma visão mais responsável do design e do consumo.

Um palco para a nova geração de criadores

Ao longo das suas várias edições, o UModa consolidou-se como uma importante plataforma de lançamento para jovens talentos. Mais do que a apresentação de coleções, o projeto proporciona aos estudantes uma experiência prática que envolve todas as etapas do processo criativo e de produção de um desfile.

Para Inês do Amaral, docente responsável pela unidade curricular, o evento representa um momento particularmente relevante do percurso académico dos alunos. É a oportunidade de apresentar o trabalho desenvolvido à comunidade e de demonstrar a criatividade, o rigor e a visão que caracterizam as novas gerações de profissionais da moda.

Este ano, o desfile ganhou também uma nova dimensão ao realizar-se, pela primeira vez, no Espaço Guimarães. A iniciativa reforçou a ligação entre a academia e a comunidade, permitindo que um público mais vasto tivesse contacto direto com o trabalho dos estudantes e com as tendências que estão a marcar o futuro do setor.


Moda, comunidade e colaboração

A escolha do Espaço Guimarães como anfitrião da 11.ª edição do UModa reflete uma visão cada vez mais abrangente dos centros comerciais enquanto espaços de encontro, cultura e partilha de experiências. Ao acolher o evento, o centro comercial abriu portas à criatividade emergente e contribuiu para dar visibilidade a projetos que cruzam talento, inovação e sustentabilidade.

O sucesso do desfile resultou também do envolvimento de vários parceiros que ajudaram a tornar possível esta experiência. Entre eles destacou-se a KIKO Milano, cuja colaboração foi fundamental na preparação dos modelos, através da disponibilização de maquilhadores que contribuíram para dar vida ao conceito visual das diferentes coleções apresentadas em passerelle.

Num setor onde a colaboração entre instituições de ensino, marcas e entidades privadas assume um papel cada vez mais importante, iniciativas como o UModa demonstram o valor de criar pontes entre diferentes áreas e gerações.

Mais do que um desfile, a edição deste ano confirmou que a moda continua a ser uma poderosa ferramenta de expressão, capaz de unir criatividade, consciência e comunidade num mesmo espaço. E, para os jovens criadores que apresentaram o seu trabalho em Guimarães, foi também mais um passo numa caminhada que poderá vir a marcar o futuro da moda nacional.