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Amar em Nova Iorque, o último projeto de Peter Lindbergh

Peter Lindbergh desafiou a Dior e, como num encontro entre dois apaixonados tendo Nova Iorque por cenário, a magia aconteceu. O resultado é um livro de imagens recheado de histórias.

16 de dezembro de 2019 | Carolina Carvalho

A primeira vez que Peter Lindbergh (Leszno, Polónia, 1944 - Paris, 2019) visitou Nova Iorque foi na década de 1970. Lindbergh tinha cerca de 30 anos e viajou acompanhado da primeira mulher que ficou de tal forma arrebatada pela cidade que quase não falou durante a semana da visita. Ele olhava para os anúncios das grandes marcas que coloriam as ruas e pensava que nunca iria conseguir fotografar uma daquelas campanhas. Nessa altura, o seu interesse pela fotografia era recente. Antes, Peter Lindbergh estudou na Academia de Belas-Artes de Berlim, tendo depois partido à descoberta das inspirações do seu ídolo, Van Gogh. E foi quando, em 1971, se mudou para Düsseldorf que a fotografia lhe captou a atenção. Dois anos mais tarde Lindbergh tinha o seu próprio estúdio e, em 1978, estava de partida para Paris para se dedicar à carreira de fotógrafo.

O resto da carreira está imortalizado nas suas imagens de assinatura única: uma forma crua e despojada de captar a beleza natural das mulheres. Peter Lindbergh fotografou a primeira capa de Anna Wintour para a Vogue americana, em novembro de 1988, e é o autor da icónica fotografia de grupo a preto e branco captada na rua no Meatpacking District de Nova Iorque, em 1989, com Naomi Campbell, Linda Evangelista, Tatiana Patitz, Christy Turlignton e Cindy Crawford, a qual contribuiu também para reter o registo de beleza de uma década e para lançar o fenómeno das supermodelos.

Mais de quatro décadas após a primeira viagem, Nova Iorque transformou-se no estúdio ao ar livre para um trabalho de sonho que é o seu último projeto bibliográfico. O conceito, da autoria do fotógrafo, consistia em fotografar o legado de sete décadas da maison Christian Dior, em Times Square, e a marca não hesitou em enviar os seus tesouros para o outro lado do oceano. Pela lente de um dos colaboradores mais queridos da marca francesa, que já tinha fotografado campanhas e musas da Dior, brilham criações de Alta-Costura no corpo de modelos icónicas e em diálogo com a azáfama da cidade que nunca dorme. O resultado é o livro de dois volumes editado pela Taschen e lançado em novembro: Peter Lindbergh - Dior.

O livro Peter Lindbergh - Dior, da autoria de Peter Lindbergh e de Martin Harrison, editado pela Taschen (€150), é uma edição composta por dois volumes com uma caixa. No volume 1 constam 165 imagens nunca publicadas da sessão que lhe deu origem, em Nova Iorque, e uma introdução do historiador de arte e de fotografia Martin Harrison. O volume 2 é uma homenagem à relação entre Lindbergh e a Dior através de uma seleção de 100 imagens, assinadas pelo fotógrafo, de criações da marca francesa originalmente publicadas em revistas de prestígio.

Capa do livro Peter Lindbergh ‒ Dior, da editora Taschen. O livro é composto por uma caixa com dois volumes.
1 de 6 Capa do livro Peter Lindbergh ‒ Dior, da editora Taschen. O livro é composto por uma caixa com dois volumes.
Imagem do interior do livro Peter Lindbergh ‒ Dior, da editora Taschen.
Foto: Peter Lindbergh
2 de 6 Imagem do interior do livro Peter Lindbergh ‒ Dior, da editora Taschen.
Imagem do interior do livro Peter Lindbergh ‒ Dior, da editora Taschen.  A modleo Alek Wek com o famoso Bar Suit.
Foto: Peter Lindbergh
3 de 6 Imagem do interior do livro Peter Lindbergh ‒ Dior, da editora Taschen. A modleo Alek Wek com o famoso Bar Suit.
Imagem do interior do livro Peter Lindbergh ‒ Dior, da editora Taschen.
Foto: Peter Lindbergh
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Imagem do interior do livro Peter Lindbergh ‒ Dior, da editora Taschen.
Foto: Peter Lindbergh
5 de 6 Imagem do interior do livro Peter Lindbergh ‒ Dior, da editora Taschen.
Imagem do interior do livro Peter Lindbergh ‒ Dior, da editora Taschen.
Foto: Peter Lindbergh
6 de 6 Imagem do interior do livro Peter Lindbergh ‒ Dior, da editora Taschen.
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