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It girls: mas como é que elas fazem?

As it gils tornam as calças curtas desejáveis ao passo que em nós ficam grotescas, parecem calças de pijama. Nelas, os choques cromáticos parecem uma obra de arte, em nós são devaneios. Porque é que as jovens com estilo têm tudo de bom e nós... não?!
Por Máxima, 06.12.2016
Elas têm um ar jovem em camel ou em caqui
Estas são duas cores bem conhecidas pelas simples mortais como falsas amigas. Com um belo casaco ou uma bela capa de pelo de camelo imaginamo-nos uma Catherine Deneuve da época do filme Bela de Dia e acabamos com ar de senhora fatigada. Imaginamo-nos resplandecentes qual Veruschka-Saint Laurent em 1970 com um casaco safari ou uma camisa em tom verde acinzentado. E ficamos com um ar apagado… Não há hipótese: estes dois terrores cromáticos estão de volta no verão, o camel mais na camurça, o caqui em tudo e mais alguma coisa.
 
Como é que elas sobrevivem? As seguidoras da moda não têm estas preocupações. Elas brilham em qualquer dos casos, sem ganhar uma ruga nem carregar na maquilhagem ou na coloração do cabelo.
Porque, evidentemente, está fora de questão parecer ‘pintada de fresco’ (é foleiro). Nem ultrabronzeada e loura (é demasiado fácil). A it girl chique é, aliás, pálida e tem cabelo castanho, e ponto final. A observação científica do fenómeno desvenda o mistério: elas usam truques que afastam o perigo do rosto. Um toque de pastel (o azul-céu é ótimo para o caqui), de brilho ou de néon (amarelo-limão ou laranja) próximo do queixo faz milagres: camisa, um lenço minúsculo agaiatado no pescoço, blusão de capuz (por baixo do casaco)…, e é essa a maquilhagem! A camisola às riscas azuis/caqui, à marinheiro twistée (é assim que elas dizem entre si), à Sonia Rykiel, é também um excelente aliado para o bom aspeto.
 
‘‘Os nossos filhos não as queriam nem para jogar andebol.’’ Elas têm sempre a T-shirt ideal
É um pesadelo! Logo quando começávamos a ter um stock invejável de T-shirts "loose" cinzentas e brancas, ficamos a saber que a tunisina preta canelada, fina e justa e de manga comprida é o máximo. É a sucessora – mas isso também nos tinha escapado – da T-shirt de malha para usar sob as camisolas, também ela fina e justa e muito em voga este inverno. A prova? A Mamy de Isabelle Marant em malha de seda está esgotada quase em todo o lado.
Quanto às T-shirts com motivos, com mensagens ou logotipos desportivos, tipo Adidas antigas, estão a voltar em força…
 
Porquê esta nova tendência? Como é que uma peça de roupa que põe tão admiravelmente em evidência os nossos pneuzinhos se pode tornar um "básico de luxo" (dixit uma elegante e-shop). E a outra – que os nossos filhos não queriam nem para jogar andebol – reincarnar em must citadino? As jovens com estilo têm uma obsessão: "desdramatizar" (ou "suavizar") as indumentárias. Numa situação em que nós teríamos cometido o erro trágico de vestir uma parte de cima sexy ou elaborada, a tunisina serve-lhes portanto para desdramatizar a saia lápis ou a midissaia ampla, ou seja, para tornar uma menos evidente e a outra menos simplória. Um pouco como a camisa de ganga no ano passado. E a verdade é que resulta! A T-shirt desportiva faz o mesmo serviço com uma saia leve por baixo do joelho, preta ou branca.
Mas isso já é muito à frente: corremos o risco de incompreensão por parte das pessoas que só agora é que começam a digerir os Stan Smith na cidade…
 
Elas não parecem uns palhaços com calças curtas largas
Este híbrido, uma espécie de saia-calça mas mais comprida, vai estar por toda a parte na próxima estação. As fashionistas já este inverno as adotaram com elegância. Nelas, curiosamente, resulta numa silhueta minimal de liana delgada. Em todas as outras, resulta numa aparência muitas vezes grotesca, por mais adequados que sejam o calçado (raso) e a parte de cima (camisa/T-shirt). Ou então numa aparência demasiado conceptual, tipo samurai, caso tenhamos feito uma conjugação demasiado austera ou monocromática.
 
Será que as podemos dominar como elas? Há que dizer a verdade: este ovni da moda resulta decididamente melhor se se for alta e esbelta. Se não, podemos fazer um pouco de batota: o 7/8 ligeiramente évasé em baixo é uma versão menos perigosa, que torna as pernas longilíneas. Usa-se com escarpins "kitten heels" (5/6 cm) bicudos abertos atrás ou com botins, uma camisola um pouco sobredimensionada que tape a cintura e, para já, fica bastante melhor. Particularmente com um belo sobretudo ou uma gabardina pelos ombros, uma artimanha que podemos ir buscar às seguidoras da moda para ter um ar altivo em trinta segundos.
Elas têm um truque que lhes dá charme
Versão fashion da "consciência coletiva" tão cara a Émile Durkheim, as jovens na moda têm todas elas uma intuição genial que se transforma na sua assinatura da estação em curso. Trata-se muitas vezes de um pormenor que dá à sua aparência um je-ne-sais-quoi de "so" inverno ou primavera 2015. Nós já vimos que a forma como se usa a mala (neste momento pequena e com a corrente ou a alça fina atravessadas no corpo) vai variando e é crucial. Os colarinhos são um aspeto que também tem a sua importância. Já se usaram abotoados até acima, ao estilo mórmon. No último inverno, foram substituídos pela gola alta, invariavelmente usada desenrolada (o que é efetivamente bastante mais gracioso). Ou a camisola de baixo enfiada sob a camisa: Leandra Medine, no seu livro Man Repeller, utiliza-a sistematicamente em vermelho por baixo de uma camisa branca…
 
Como encontrar a assinatura da primavera?
Só a observação assídua de centenas de fotografias de street style à saída dos desfiles ou então uma ousadia estilística pessoal forte podem ajudar. Como não temos mais nada que fazer, já reparámos que o cinto do casaco-quimono (ah, o quimono!), da gabardina, das calças (todas essas calças afuniladas de cabedal vendidas com um cinto largo e leve sem fivela) se passa a usar enrodilhado à frente, de forma desenvolta.
O blusão de ganga ou de cabedal atado à volta da cintura "desdramatiza" (outra vez!) eficazmente as saias e os vestidos compridos ultrachiques e glamorosos. E os atacadores dos ténis muito compridos (que, já agora, vão passar a ser estrelas) enrolam-se à volta do tornozelo, como nas alpercatas dos anos 1930. As sobrancelhas mais escuras do que o cabelo são também um valor seguro. E, para "acalmar" as ultramini do próximo verão, recomenda-se desde já os sapatos rasos, as espartanas ou os dérbis masculinos, para contrastar com a ultrafeminilidade…
 
Elas não sabem o que é o stress matinal do "não tenho nada para vestir" 
As mulheres comuns passam frequentemente um quarto de hora em frente do seu guarda-roupa nos dias "sem"… Apesar das prateleiras a transbordar, é a penúria, e nada condiz com nada. Um pouco pressionada pelas horas (escola, escritório, etc.), a pobrezinha acaba por sair com a eterna camisolinha cinzenta/saia justa preta e botins rasos, deixando atrás de si um quarto devastado pelas suas dúvidas. As jovens com estilo, mesmo no sexto dia da Fashion Week, estão sempre radiosas, conjugando estampados improváveis ou misturando peças surpreendentes.
 
Perfeitas meninas de escola
Qual é o segredo delas? É muito simples: ainda que o finjam nas entrevistas, as fashionistas nunca improvisam. Tal como perfeitas meninas de escola que preparam as suas coisas na véspera, elas possuem uma espécie de "biblioteca" de conjuntos que "condizem" ("que colam bem", em nova linguagem da moda). Algumas, fica-se a saber no blogue modepersonnelle.com, até fotografam a silhueta perfeita com os seus smartphones para não se esquecerem. Outras têm tudo na cabeça. É uma prática fácil de adotar em existências mais banais e dá muito jeito. No início da estação, obrigamo-nos a pensar em dez looks e estamos prontas para o que der e vier. Um "uniforme" mais ou menos sempre parecido (como Carine Roitfeld e a sua saia lápis e estiletos, numa opção mais para o dia a dia), mas de muito boa qualidade é também uma solução.
É-se "a rapariga que só usa azul-marinho e preto com uma camisa de homem impecável": já não é falta de imaginação mas um parti pris estilístico. Um par de óculos de sol de excelente qualidade no nariz, no inverno como no verão, é também um hábil indicador de segurança rock, mesmo que sintamos precisamente o contrário.
 
Elas usam sempre as suas peças excêntricas
Cada uma de nós sonha com essas famosas peças marcantes que são a glória de um guarda-roupa. A prova de que conhecemos bem o risco é que as compramos frequentemente em saldo. E acabamos por usá-las uma vez, no dia em que, por milagre, a nossa moral e os nossos cabelos estão bem-dispostos. Aparentemente, as seguidoras da moda não têm estes estados de alma, basta ver Anna Dello Russo.
 
Será que existem instruções de utilização?
Mesmo que ninguém sonhe em parecer-se com a supracitada, um pouco de ousadia seria por vezes agradável. Mas também não se trata aqui de saltarmos sobre a primeira saia em linho metalizado que nos aparece à frente. Qual é a regra de ouro? Visualizar – antes de sucumbirmos – três conjuntos em que imaginamos, sem nos rirmos, o objeto obscuro do nosso desejo pulsional combinado com as roupas que já temos. Nenhum? É mau presságio. Começar por peças marcantes fáceis (calçado, joias, até mesmo calças estampadas) é também um bom teste.
 
Estágios de sobrevivência na Islândia. Elas estão equipadas com um sistema térmico fora do normal
Já falámos muitas vezes da capacidade das jovens in para saírem de pernas nuas no inverno. Esta mania não é recente: já vimos isso muitas vezes com geada, os pés nus em sublimes chinelas de couro monásticas, usadas com um casaco comprido bem grosso, ou mesmo de pele evidentemente; igualmente, o colete de tecido, curto ou comprido, sem mangas (esse mistério) ou o casaco curto com um enorme decote e sem nada por baixo (que tiveram algum sucesso em meados de fevereiro)… Enquanto nós sufocávamos com as imponentes camisolas de lã grossa, no escritório ou em casa, elas ostentavam-nas aparentemente sem o mínimo incómodo… No verão, pelo contrário, podemos vê-las a passear anormalmente cobertas: vestido saariano em camurça com mangas, saia comprida, botas com atacadores, perneiras de cor, etc.
 
Será que devemos seguir este exemplo? É óbvio que as seguidoras da moda, na sua relação com o frio, devem ter feito estágios de sobrevivência na Islândia ou na Finlândia, países em que com 14 °C já se anda de costas ao léu. Também é frequente vê-las sair de um automóvel e entrarem num lugar aquecido, o que torna mais aceitável os seus sapatos de inverno abertos à frente e/ou atrás. Limite-se, pois, esse exercício para as saídas à noite quando não se tem esse modo de vida. Quanto à camisola grossa, impossível no escritório sobreaquecido, existe um modus operandi que muda tudo: usa-se como casaco no exterior e lá dentro tira-se deixando ver uma camisola de malha fina, um pouco como os grandes casacos de pelo de animal no "Astérix legionário". No verão, o problema é menor: como muitas vezes ele não existe (lembremo-nos do dilúvio em agosto do ano passado…), estar muito tapada ou usar botas acaba por ser uma bênção.
 
Elas consideram o acessório essencial
Bijutarias chiques elegantemente retorcidas no pulso com o fato de banho, peitilho a cobrir a sweat cinzenta, corrente gigante usada como colar sob o colarinho da camisa de ganga, um brinco único e anéis em todos os dedos à noite, punhos em cada um dos braços nus…, e nunca mais acabávamos de enumerar as suas invenções.
Evidentemente que, com o nosso colar de penduricalhos com os nomes dos filhos ou o nosso eterno cordão dos anos 1970, não lhes chegamos aos calcanhares.
Haverá truque? Há, sobretudo, nas mulheres que estão convencidas de que o acessório é essencial. E que é parte integrante da sua aparência, enquanto nós pegamos ao acaso nuns brincos para "rematar" a toilette. Claro que ter algumas peças que se destaquem (que não têm necessariamente de ser peças de joalharia) ajuda muito… 
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