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Harvey Weinstein considerado culpado de violação

O produtor foi considerado culpado de duas acusações e pode vir a ser condenado a prisão perpétua.
Por Máxima, 24.02.2020

O produtor de Hollywood foi considerado culpado de violação por um júri nova-iorquino. O júri composto por sete homens e cinco mulheres demorou cinco dias a chegar à decisão. 

O produtor foi considerado culpado de duas acusações, tendo outra três caído. De acordo com o jornal The New York Times, Weinstein foi considerado culpado de ter perpetuado um crime sexual e de violação, mas foi absolvido das acusações de comportamento sexual predatório. 

Seis alegadas vítimas de abuso sexual testemunharam contra o homem de 67 anos.

O júri considerou provado que Miriam Haleyi, uma assistente de produção da empresa de Weinstein foi forçada a receber sexo oral ao produtor em 2006, e a aspirante a atriz Jessica Mann, foi violada num quarto de hotel de Manhattan em 2013. 

Sobre as acusações de que é alvo, Weinstein, detido em maio de 2018, sempre negou os alegados abusos e garantiu que todas as relações sexuais que teve com estas duas mulheres foram consensuais. 

Ao júri do Supremo, Haleyi, agora com 42 anos, contou que tentou fugir. "Disse-lhe que não queria que aquilo acontecesse. ‘Isto não vai acontecer, estou com o período’". Depois disso, segundo diz, Weinstein tirou-lhe o tampão e fez-lhe sexo oral enquanto a agarrava. Questionada pela defesa do ex-produtor de Hollywood, Miriam Haleyi admitiu ter aceitado viagens para Los Angeles e Londres já depois do alegado ataque. Defendeu que precisava de trabalho.

Jessica Mann, que acusa Weinstein de violação, assegurou em tribunal que começou uma relação "degradante" com o antigo produtor que não envolveu relações sexuais até ao dia em que este a terá violado. 

"Eu sei que a minha relação com ele foi complicada. Isso não altera o facto de que ele me violou", disse depois de ser interrogada pela defesa de Weinstein. O seu testemunho foi interrompido quando a mesma não conseguiu continuar a ler um email que escreveu em 2014 onde apelidava Weinstein de ser um "pseudo-pai" para ela. A defesa sugeriu, repetidamente, que a mulher decidiu ter relações sexuais de livre vontade para subir na carreira.

O julgamento ocorre cerca de dois anos após o jornal The New York Times e de a revista The New Yorker terem publicado, em outubro de 2017, reportagens a denunciar o escândalo sexual no meio cinematográfico norte-americano.

Foi a partir dessas reportagens que se gerou o movimento coletivo espontâneo de denúncia e partilha #MeToo.

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