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“As mulheres enfrentam uma narrativa cultural que põe o trabalho e a família um contra o outro”

Na sequência do artigo 'O tempo das mulheres estica?' publicado na Máxima de outubro de 2019, falámos com Laura Vanderkam, uma autora especialista no tema de gestão do tempo.

28 de outubro de 2019 | Carolina Carvalho

Laura Vanderkam (lauravanderkam.com) é autora de livros sobre gestão de tempo e produtividade (por exemplo, Off the Clock: Feel Less Busy While Getting More Done, de 2018, e Juliet's School of Possibilities, de 2019, ambos editados pela Penguin Random House) e desdobra o seu conhecimento e estudo do tema em diferentes formatos, dos artigos de imprensa tradicional aos podcasts e palestras, o que a fez tornar-se uma verdadeira especialista e guru nestes assuntos. Por isso a Máxima entrevistou-a.

Porque é que a gestão do tempo é um problema e especialmente para as mulheres?

O tempo continua a passar, independentemente do que fazemos. Por consequência é muito fácil perder tempo despercebidamente – tanto para os homens como para as mulheres. O problema que as mulheres, em particular, enfrentam é que a maioria da narrativa cultural muitas vezes põe o trabalho e a família um contra o outro como se estivessem em competição pelo tempo das mulheres. No caso dos homens, é mais provável acreditarem que o trabalho para pagar as contas é como contribuem para as suas famílias, por isso há menos conflito de tempo óbvio.

A gestão de tempo é um problema transversal às mulheres na sociedade. Considera que este é um problema mais pessoal ou cultural?

A maioria das pessoas diria, provavelmente, que quer mais horas no dia. Mas como não vamos tê-las, eu acho que este desejo não ajuda nada! Em vez disso, eu creio que monitorizando o nosso tempo conseguimos encontrar formas de redistribuir horas de coisas das quais não queremos saber para coisas de que queremos saber.

Este problema é universal. Quais os maiores erros que as pessoas cometem quando tentam ter mais tempo e quais seriam as soluções?

Quando as pessoas querem mais tempo, elas tendem a focar-se em gastar menos tempo em coisas que não gostam de fazer. É por isto que tantos artigos sobre a gestão do tempo têm como solução fazer pequenos "cortes" que tiram pedaços de tempo às atividades do dia a dia. Mas o que ganhamos se passarmos menos cinco minutos a vestirmo-nos? O que vamos fazer com esse tempo? É eficiente focarmo-nos nas atividades em que queremos investir mais tempo. Quando enchemos a nossa vida com estas atividades, tudo o resto leva menos tempo, naturalmente.

Partilhe três ideias que aprendeu de pessoas que entrevistou ou da pesquisa que fez ao longo dos anos?

Sejam conscientes do vosso tempo. Estudem a vossa agenda e pensem como gostariam de organizar o vosso tempo. Pensem em cada semana antes de entrarem nela!

Pensem em termos de 168 horas e não de 24 horas. Vivemos a nossa vida em semanas, não em dias, e ao pensar em semanas conseguimos ver tempo mais abundantemente! As coisas não têm de acontecer ao mesmo tempo, todos os dias, para contarem nas nossas vidas.

Planeiem uma agenda ampla. Isto afasta-nos dos atrasos quando as coisas correm mal e ajuda-nos a estar preparados para aproveitar oportunidades quando aparecem.

Qual o feedback que as pessoas lhe dão?

Muitas pessoas ficam entusiasmadas por encontrarem mais tempo para as coisas de que gostam. Considero que a chave é livrarmo-nos da narrativa de estar sempre "ocupada". Nós temos tempo para o que é importante para nós.

Laura Vanderkam.
1 de 6 Laura Vanderkam.
168 Hours. You Have More Time Than You Think, de Laura Vanderkam (Penguin Random House).
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Eu Sou o Meu Maior Projeto: Conselhos e Estratégias para Planear a sua Carreira, de Maria da Glória Ribeiro (Manuscrito).
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Hábitos Atómicos: Pequenas Mudanças, Grandes Resultados, de James Clear (Lua de Papel).
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