Lifestyle

Um mundo de sabores no Clube Lisboeta

É um restaurante mas funciona como passaporte: no Clube Lisboeta a ideia é dar a voltar ao mundo sem sair da mesa. Embarcamos na viagem com Karin Gama, a chef ao leme deste novo restaurante lisboeta.
Por Rita Lúcio Martins, 17.10.2018

É discreta e franzina à primeira vista, sorridente e luminosa no primeiro contacto. Karin Gama é o talento que se movimenta na cozinha do Clube Lisboeta. É também ela quem, no final da refeição, vem até à mesa perguntar se estava tudo bem. Como não? Melhor só mesmo se tivéssemos apanhado um voo intercontinental para experimentar in loco alguns dos pratos e ingredientes que inspiram a sua cozinha.

Formada pela escola Le Cordon Bleu College of Culinary Arts em Londres e com passagens por restaurantes de referência internacionais, Karim encontrou na gastronomia uma espécie de segunda vida: "Depois de trabalhar como publicitária por quase sete anos, fui viver em Londres e foi lá que me apaixonei pelo ramo da culinária. Em 2009, fui treinada pelo Le Cordon Bleu e de lá consegui um estágio no Viajante, do Nuno Mendes, o primeiro restaurante por onde passei. Em seguida, trabalhei como ajudante de pastelaria em dois restaurantes do grupo Gordon Ramsay: Claridge’s e Savoy Grill. O meu último trabalho em Londres foi no Barbecoa, do Jamie Oliver, como subchef de pastelaria. De volta ao Brasil, em 2011, por motivos financeiros, voltei para o mercado de trabalho como marketeer numa grande empresa de televisão. Mas o amor pela cozinha me fez largar tudo e viver como freelancer, dando aulas de culinária e fazendo eventos particulares por muitos anos, até ter a oportunidade de fazer a abertura do restaurante da Bela Gil, onde fui subchef por quase um ano. De lá, montei o meu negócio de catering natural e saudável, que era o que vinha fazendo até ser convidada pela Andreia Duarte a trabalhar como a chef do Clube Lisboeta." Do Brasil veio para Lisboa, confecionar aquela que considera ser a "comida do futuro". E quando fala em futuro, Karin, na verdade, quer dizer saúde: "Eu já atuo no ramo da culinária natural e saudável há pelo menos quatro anos, desde que iniciei uma jornada pessoal no caminho do yoga e da meditação. Este ‘olhar para dentro’ me fez dar muita importância a uma alimentação mais consciente e que priorizasse o bom funcionamento do nosso corpo. Desde então, busco trabalhar o máximo possível dentro de uma culinária sem químicos, conservantes e agrotóxicos, com ‘comida de verdade’. Como costumo dizer, na minha culinária gosto de descascar mais e desembalar menos."

A filosofia revela-se primeiro na ementa e depois no prato, onde não faltam muitos legumes e outros ingredientes frescos que conferem o desejável equilíbrio aos pratos. A carta organiza-se em quatro secções que, não por acaso, também são quatro destinos: "Portugal, por ser a sede do restaurante, oferecendo assim as melhores opções de se trabalhar com os produtos frescos e locais; Brasil, por trazer os sabores de minha infância e poder prestar homenagem às receitas de minha família; Grécia, por ter ingredientes mediterrânicos frescos e naturais, que combinam com o verão; e Tailândia, por trazer na sua culinária os aromas que mais gosto de utilizar: pimenta malagueta, coentros, erva-príncipe, gengibre, etc.", adianta Karin, que assim explica a génese de pratos que, apesar dos escassos meses de vida do restaurante, já são receitas de sucesso. Falamos, por exemplo, do Polvo com Arroz Negro e Pesto de Ervas (Portugal, €10), do Tachinho de Ovos, Molho de Tomate Caseiro e Queijo de Cabra (Grécia, €12) ou da Casquinha de Siri (Brasil, €12), só para nomear alguns. "Pesquiso muito nos meus livros de culinária, que fiz questão de trazer do Brasil (trouxe duas malas extras apenas de livros), assim como em sites de culinária em que confio. É claro que sair para comer, conhecendo de perto o trabalho de outros colegas, também nos ajuda a manter atualizados. Assim como visitar feiras e mercados locais nos facilita a fechar este quebra-cabeças de informações e sabores do mundo", acrescenta, quando lhe perguntamos mais acerca da construção da carta.

Uma das especificidades deste clube é o horário alargado (das 8h00 à 01h00). Todos os dias, além do menu executivo disponível ao almoço e da referida carta pensada para o jantar, serve-se um brunch, até às 17h. "Todos os pratos que saem da cozinha do Clube Lisboeta passam pelo nosso conceito de culinária natural, com menos coisas já compradas prontas, industrializadas, mas sim confecionadas na casa, sempre com o critério de focar no ingrediente mais integral possível, ou seja, menos refinado e multiprocessado e com aditivos químicos que acabam gerando tantas doenças." E porque equilíbrio é mesmo a palavra de ordem, aqui não há necessidade de dispensar a sobremesa. Sobretudo se a escolha recair no Raw Cheesecake Vegan de Mirtilo e Limão (€7) que, só por si, é razão mais do que suficiente para voltar.

 

Clube Lisboeta – Rua da Escola Politécnica, 90 (Príncipe Real). Tel.: 92 562 61 05

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