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Gracinha Viterbo: “Um objeto não tem de ser caro para trazer magia a um lugar”

O Cabinet of Curiosities, a nova loja da designer de interiores, é um regresso ao tempo em que cada peça trazida de longe era um tesouro. Aqui, encontram-se peças exclusivas e únicas no mundo, de flores a móveis e tecidos.
Por Aline Fernandez, 07.11.2018

Quem procura peças especiais de design e decoração só tem de passar pelo Cabinet of Curiosities, no centro do Estoril, em Cascais. Numa casa de traça antiga, a designer de interiores Gracinha Viterbo traz para as suas vitrinas os achados que recolhe nas viagens que faz pelo mundo, dispondo-os de uma maneira que também nos cativa. Os achados raros, exóticos, curiosos, ou simplesmente ‘fora da caixa’ estão divididos de forma temática, como num museu privado.

No piso térreo há a florista Fresca e no primeiro andar saletas e pequenos quartos transformados em The Gallery, The Spring Room ou The Chair Room, e o The Cabinet of Curiosites, propositadamente escuro, mas iluminado aqui e ali, onde cada peça escolhida surpreende ou diverte. No sótão e no Closet, Gracinha expõe a sua coleção de turbantes e outros acessórios para a cabeça.

No Cabinet of Curiosities pode-se comprar um postal ou flores, mas também levar uma cadeira. Pode-se escolher tecidos a metro, forrar uma sala inteira ou até fazer cortinas com detalhes de costura. Ali, também é possível descobrir os serviços da equipa de projeto de interiores, liderada por Gracinha Viterbo, e solicitar à Viterbo Interior Design o desenho total dos interiores de uma casa.

A Máxima conversou com Gracinha Viterbo sobre esta novidade e redescobriu um percurso também ele curioso, dedicado à decoração e ao design de interiores.

De onde surgiu o Cabinet of Curiosities?

Há muito tempo que levo comigo esta ideia no bolso. E de volta a Portugal, depois de um tempo a viver na Ásia [foram três anos em Singapura], onde fui implementar e consolidar a presença do Atelier Viterbo Interior Design naquele mercado, volto para um novo capítulo. O espaço é onde residia o nosso escritório e pareceu-me tão claro que era o lugar perfeito para o conceito. É uma loja e muito mais, com peças que tornam uma casa especial e onde também se encontra o presente diferente e perfeito. O Cabinet of Curiosities é muito mais que uma concept store, cabe a cada um que aqui entrar definir o que para ele significa. É mágico.

A ideia de um Cabinet of Curiosities evoca imediatamente o sabor do longínquo e o saber do mundo, transporta-nos de rajada para o fascínio do exótico, que se vivia num tempo em que a globalização era uma utopia e que cada objeto trazido de longe era um tesouro. Leva-nos também diretos ao colecionismo com cheirinho a Proust ou a Baudelaire, a chinoiserie ou a japonismo, a gravuras de botânica e a borboletas espetadas com alfinetes. Numa era onde o facilitismo do design para massas e modas vem confrontar a vontade de individualidade das pessoas, senti a necessidade de criar um lugar onde se descobre o que se procura e nunca se encontra.

As peças aqui à venda são achados que recolhe nas viagens que faz pelo mundo. Podemos encontrar itens de quais países especificamente?

Não só de viagens no estrangeiro mas também com foco, mesmo muito, em Portugal e nos seus artesãos e artistas. Nestes quase 20 anos de carreira em arquitetura de interiores e decoração, e quase, quase 50 anos de existência do Atelier Viterbo Interior Design, os contactos com mestres de ofício e com jovens artistas e artesãos desta nova geração são muitos. Eu gosto de reunir uma curadoria de peças únicas ou coleções feitas em exclusivo para o Cabinet, que façam a diferença na identidade e no mood de uma casa. Também gosto de dar palco a estes talentos variados que vou encontrando e com os quais me identifico.

Além de Portugal, são muitos os países, mas posso enumerar alguns, no nosso continente quase todos, Espanha, Bélgica, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Suécia, Dinamarca, Holanda, Irlanda, e nos outros continentes: Marrocos, Tunísia, Turquia, muitos de África, Índia, vários da Ásia e das Américas, como Brasil, Estados Unidos ou Colômbia.

É uma curadoria cuidada e que nunca se repete. Não volto a ter os objetos que já tive para que sejam realmente especiais para quem os levou. Costumo dizer que os objetos do Cabinet são improváveis e estão à espera da sua alma gémea. Compro para vários budgets porque acredito que um objeto não tem de ser caro para trazer magia a um lugar ou momento.

Há algum país que a tenha impressionado especialmente na procura destas peças?

Não consigo escolher um. Quando viajo o meu marido já sabe que gosto de me perder no lugar e ir ver o que há atrás de uma porta, depois doutra e doutra. Não gosto de comprar em lojas nem em feiras industriais do meu sector, gosto de conhecer quem faz, ver como faz e presenciar o amor e o talento que cada artista injeta em cada uma das suas peças. Gosto de criar uma relação com os artesãos e com os artistas com quem trabalho, e que estejam abertos às minhas ideias também. Há sempre uma pequena troca cultural. Aprendi muito ao longo destas duas décadas por causa desta minha curiosidade. Sou incapaz de ter um objeto que não tenha uma história ou uma alma por detrás do mesmo. Preciso dessa consciência viva na escolha e no ato da compra.

Se pudesse ter apenas uma peça do Cabinet, qual seria e porquê?

Sou colecionadora de Arte, de objetos variados. Gosto de ver os objetos juntos em grupo, quase como uma paisagem. E deste capítulo de objetos, que tenho para esta estação no Cabinet, escolheria uma coleção de esferas de pedras e mármores antigos, com bases todas diferentes, que comprei num antiquário numa das minhas viagens. Nunca me canso de olhar para elas, são muito especiais.
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