Música

The Saxophones: amor, um barco e uma mão cheia de baladas

Sentados num banco da Praça da Alegria, numa tarde de sol e frio, é desta maneira que descobrimos mais sobre o disco de estreia dos The Saxophones, que atuaram nessa noite no Teatro São Jorge (no Super Bock em Stock).
Por Rita Silva Avelar, 07.12.2018

Sorridentes e felizes por estarem em Lisboa, e ainda inebriados pela aura mística da cidade do Porto (onde atuaram, um dia antes do concerto na capital), é assim que encontramos Alexi Erenkov e Alison Alderdice. A música levou-os a formar o duo The Saxophones e, lemos-lhe nos sorrisos cúmplices, foi também ela que os juntou no amor, muito provavelmente. Depois de em 2016 terem lançado o EP If You’re on the Water, Alexi compôs as letras do álbum de estreia dos The Saxophones quando os dois decidiram passar um inverno inteiro dentro de um barco, em São Francisco. O álbum Songs Of The Saxophones é uma viagem pelo que aí vem, mas com miragens do passado. Uma mistura entre o nostálgico e o futurista, que nos faz fechar os olhos e procurar com atenção as melodias de cada um dos instrumentos, seja a flauta, o vibrafone ou a bateria.

Alexi e Alison: como é que se conheceram? Foi a música que vos juntou?

Alexi: Foi há treze anos. Conhecemo-nos num campo de férias musical para adultos! Chama-se Jazz Camp West e fica na Califórnia.

Alison: É o sítio perfeito para músicos de todas as idades e géneros. Há músicos e dançarinos.

Alexi: Fica no Parque Nacional de Redwood, por isso há aulas de música no meio das árvores, pianos no meio da floresta. É mágico, e um sítio bastante romântico em geral.

Em que momento começaram a fazer música juntos, e quando surgem os The Saxophones?

Alison: Nos primeiros anos não éramos, ainda, os The Saxophones, mas houve um momento em que atuamos juntos (não me lembro se fui eu no concerto do Alexi, ou ele no meu!). Eu cantei uma música do George Benson, e acho que o Alexi tocou saxofone.

Alexi: Só ao fim de três anos é que a convenci a estar na banda, The Saxophones (risos) porque eu fazia o projeto sozinho. E eu sempre gostei de tocar com amigos muito próximos… A Alison não tocava bateria nesses primeiros tempos, as minhas canções eram tão simples que precisei de convencê-la de que não precisava de uma baterista eufórica (risos).

O que vos inspira a compor?

Alexi: Eu sempre compus, claro que muitas das músicas ficaram só no "armário". Todas as músicas deste álbum foram escritas num curto espaço de tempo, e são completamente novas. Depois desse processo, junto-me com a Alison e alinhamos a bateria. É tudo natural.

O amor é a resposta, também na música?

Alison: Sim! E o Richard, que toca o baixo connosco, teve uma grande influência no processo de gravação do disco (e ele é alguém de quem gostamos muito, um amigo muito chegado!). Eu não consigo imaginar como é que possam existir pessoas, com/ou numa banda, que não estejam ligadas emocionalmente de alguma maneira. Porque se não for divertido, não vale a pena. Para isso arranjávamos todos trabalhos em full-time.

As composições do novo álbum têm uma riqueza muito grande de instrumentos, da flauta ao saxofone, da guitarra à bateria. Como reuniram tudo no álbum de estreia Songs Of The Saxophones?

Alexi: E gravámos músicas que tinham ainda mais instrumentos, como a tuba. Podem existir vários instrumentos, mas prefiro sempre ter um que sobressai e transmite a emoção que quero ter em cada música.

Alison: Isso é verdade, mas também penso que durante o processo de gravação aconteceu o Richard ir sugerindo instrumentos que não nos ocorreram, como os vibrafones ou os sintetizadores.

Alexi: Sim, porque se fosse por mim talvez só existisse voz, guitarra e um pouco de flauta…

Alison: Se não fosse eu a convencê-lo a tocar saxofone neste álbum, por exemplo, esse som não estaria lá (risos). E eu adoro o som do saxofone.

As melodias dos The Saxophones remetem para outras décadas. Sentem-se verdadeiros time travelers?

Alexi: Ouvimos músicas de todas as épocas, e o melhor é que não ficamos obcecados por um único género musical. Por vezes gosto da bateria, de ouvir Roy Orbison, mas também gosto do som de flautas, logo, de ouvir Henry Mancini. Por isso escolho elementos de várias décadas e géneros, e quando tudo isso se junta fica uma colagem de vários sons.

Alison: Esteticamente, tanto eu como o Alexi gostamos de coisas de diferentes áreas. Por exemplo, falando de cidades, adoramos sítios que tenham elementos novos e antigos misturados. Adoramos Lisboa por isso! Não somos nada super modernos, de todos, o nosso apartamento está decorado conforme a decoração vitoriana antiga. É natural que a nossa música tenha todas essas influências.

O facto de o álbum soar a várias épocas, provaca também várias reações diferentes nas pessoas?

Alison: É engraçado, porque temos recebido mensagens tão diferentes, de facto. No outro dia alguém escrevia um comentário (as pessoas acham que não os vemos, mas vemos, claro) que dizia que uma das nossas músicas tocou no seu casamento. E outra dizia que queria que gostava que a mesma música fosse tocada no seu funeral! É incrível. Ainda me recordo de alguém que se mudou para uma cidade diferente, onde se sentia sozinho, e que encontrou neste álbum uma companhia crucial.

 

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