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Raríssimas: da investigação do Ministério Público à demissão de Paula Brito e Costa

A fundadora da Raríssimas acaba de anunciar que vai sair da associação depois das denúncias de gestão danosa. A associação sem fins lucrativos e destinada a apoiar portadores de doenças raras já está sob investigação do Ministério Público.
Por Carlota Morais Pires, 12.12.2017

Na passada noite de domingo, uma reportagem produzida pela TVI juntou depoimentos de ex-funcionários da instituição para mostrar como Paula Brito e Costa usou fundos da Raríssimas para sustentar vários luxos, das peças de roupa às despesas de um carro topo de gama. Um dia depois, uma petição pública dirigida a Marcelo Rebelo de Sousa, a António Costa e Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia da República, exigia a demissão de Brito e Costa. Com quase 1800 peticionários em pouco mais de quatro horas, o documento considerava inadmissível que a fundadora da associação se mantivesse em funções até serem averiguadas todas as provas expostas pela jornalista Ana Leal.

Agora, Paula Brito e Costa acaba de confirmar ao jornal Expresso que vai mesmo demitir-se da Presidência da Raríssimas, associação de solidariedade que fundou. "A minha presença já está a afetar a instituição e tenho de sair. Esta é uma cabala muito bem feita. Deixo à Justiça o que é da Justiça, aos homens o que é dos homens e ao meu país uma das maiores obras, mas mesmo assim vou, saio. Presa só estou às minhas convicções", avançou a Presidente da Raríssimas em entrevista ao semanário. 

Segundo a investigação da TVI, a presidente da Raríssimas receberia um salário base de 3 mil euros mensais, aos quais se somavam 1300 em ajudas de custo mais 816,67 euros para um plano poupança-reforma e 1500 euros para deslocações. Ao valor total acresce-se a despesa do aluguer de um carro de luxo por 921,59 euros por mês, além de compras pessoais, que Paula Brito e Costa pagava com o cartão de crédito da associação. Entre as testemunhas contactadas pela TVI estão dois ex-tesoureiros da associação, uma antiga dirigente e uma ex-secretária. Entre as provas que corroboram os depoimentos estão vários documentos que mostram transações ilícitas que terão beneficiado Paula Brito e Costa.

No caso, que já está a ser investigado pelo Ministério Público, estão também envolvidos Manuel Delgado, atual secretário de Estado da Saúde (que alegadamente recebeu 3 mil euros mensais para fazer a consultoria da instituição durante um ano, recebendo um total de 63 mil euros), e Sónia Fertuzinhos, deputada do Partido Socialista, que chegou a fazer uma viagem para a Noruega paga pela Raríssimas.

O Ministério nega conhecer o caso mas, para já, admite avançar para uma inspeção global com carácter de urgência.

 

 

 

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