Livros

Caça aos ovos Fabergé (em dois preciosos livros)

São joias com história e estima-se que haja 43 espalhados pelo mundo. Os ovos Fabergé são raros, caros e cobiçados, mas com dois recentes livros que celebram a arte de Fabergé e da Rússia é possível vê-los em primeiro plano, como numa visita guiada pelos autores.
Por Carolina Carvalho, 29.01.2018

Quase como uma lenda de um período histórico distante conta-se, entre tantas histórias e memórias da Revolução Russa de 1917, que as damas da corte escondiam os seus objetos mais valiosos nos forros dos vestidos na preparação de uma fuga. Contudo, entre uma sumptuosa coleção de joias, pedras preciosas e outros pequenos tesouros, as peças que se destacam com um lugar especial na história são os ovos Fabergé.

Em 1882, Peter Carl Fabergé ficou com o negócio de joalharia do pai e transformou-o num embaixador das artes decorativas russas. A tradição dos ovos, que se tornaram ícones da própria marca, como também da história da Rússia, começou em 1885 quando o czar Alexandre III encomendou um ovo-joia para oferecer à mulher no vigésimo aniversário de casamento. O Ovo Hen foi o primeiro de uma série de 50, dos quais crê-se que apenas 43 sobreviveram à revolução de 1917. A tradição de oferecer um ovo Fabergé na Páscoa passou também para o czar seguinte, Nicolau II, que por sua vez encomendava dois ovos, um para oferecer à mulher e outro para a mãe. O mestre joalheiro tinha total liberdade criativa e apenas a única condição de que cada ovo contivesse uma surpresa no interior.

 

Na sequência do centésimo aniversário da Revolução Russa de 1917, no passado mês de outubro de 2017, surgiram dois livros que celebram a arte e a história através da casa e das obras Fabergé que merecem destaque. O primeiro livro, com lançamento previsto para fevereiro, chama-se Fabergé: Theasures of Imperial Russia, por Géza Von Habsburg, Tatiana Muntyan, Valentin Skurlov, Ulla Tillander-Godenhielm e Kieran McCarthy (Rizzoli Electa), €83,30 (aproximadamente). Esta edição dedica-se ao Museu Fabergé, onde se encontra a maior e mais completa coleção da marca, com mais de 500 peças, incluindo nove ovos imperiais, peças de arte aplicada dos séculos XIX e XX ou pratas. Este museu abriu em novembro de 2013 no Palácio Shuvalov, à beira do rio Fontanka, em S. Petersburgo. O livro é ilustrado com fotografias das peças e do próprio palácio. Um dos autores, Géza von Habsburg, é considerado uma referência no que toca a Fabergé e é autor e coautor de nove livros sobre a marca, bem como curador de várias exposições.

O segundo livro, Fabergé and the Russian Crafts Tradition (An Empire’s legacy), é de Margaret Kelly Trombly (Thames & Hudson), €33,70 (aproximadamente). Esta edição foi lançada em outubro e acompanha uma exposição com o mesmo nome que está patente no Walters Art Museum (Baltimore, Estados Unidos da América) até 24 de junho, e ambas assinalam o centésimo aniversário da revolução de 1917. As obras de arte russa deste museu (que conta com dois ovos Fabergé imperiais) são apenas uma parte da coleção de arte reunida pelo próprio fundador, Henry Walters, um magnata americano dos caminhos de ferro, que além de colecionador de arte também era filantropo.

 

Hoje, estes ovos são peças de coleção, raras e de valor incalculável. Estão espalhados pelo mundo em diferentes coleções e podem ser vistos ocasionalmente em exposições. Além do valor que os ovos Fabergé têm enquanto joia, acresce ainda o facto de serem peças históricas e únicas, de tal forma desejados que o cinema já lhes dedicou um papel de destaque no enredo de, pelo menos, quatro filmes. Em 007 Operação Tentáculo (1983) é uma imitação de um ovo Fabergé que faz arrancar a 13.ª aventura de James Bond no cinema, neste filme protagonizado por Roger Moore. Em Ocean’s 12 (2004) o "gang" de Danny Ocean desenvolve um plano para roubar um ovo Fabergé em exposição em Itália de tal forma complexo que até Julia Roberts está envolvida. Depois foi a vez de Antonio Banderas e Morgan Freeman se lançarem na missão de roubar dois ovos Fabergé no filme Parceiros no Crime (2009). Até Audrey Hepburn tentou roubar estes ovos-joia no filme Love Among Thieves (1987).

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