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Alimentos que curam!

E se lhe disséssemos que não é preciso fazer das tripas coração para viver mais e com saúde? Que há uma forma simples de começar a sentir-se melhor e afastar o fantasma das doenças? Este é o princípio de uma nova revolução, a de alimentos inteligentes, com a chancela do Instituto Europeu de Oncologia. E para fazer parte dela basta seguir alguns princípios básicos
Por Máxima, 28.12.2016
Diospiro, para melhorar a visão
Costuma dizer-se da cenoura. Mas o epíteto de amiga dos olhos, que a tradição lhe confere, não é desta um exclusivo. Garante a ciência que também o dióspiro, fruto de uma árvore que se pode orgulhar de ter sido das poucas espécies que sobreviveu à bomba atómica em Nagasaki, no Japão, por ocasião da II Guerra Mundial, tem uma ação na retina, com vantagens para a visão. E tudo graças ao retinol, um dos seus princípios ativos, assim como ao betacaroteno, que lhe dá, a ele e à cenoura, a cor laranja. Mas não são apenas estas vantagens que lhe garantem um lugar na lista de alimentos smart. Estudos recentes conferem- lhe ainda um papel na prevenção e no tratamento da aterosclerose cerebral, diabetes e hipertensão, que por sua vez protegem contra o AVC.

Cebola, para evitar o enfarte

Faz chorar quem a descasca, é certo. E deixa marca no hálito de quem a come, sobretudo crua. Mas não há que a excluir da ementa só por isto. É que as suas vantagens ultrapassam, em muito, um qualquer eventual momento embaraçoso. De resto, é o mesmo responsável pelo choro e pela halitose que confere à cebola e às suas camadas um papel importante na proteção do cancro do estômago. E não só. Comer uma cebola por semana pode reduzir até 20% o risco de enfarte.

Chocolate, para ter mais anos de vida

Sobre este já muito se falou. E continua a falar. Mas a ciência já deu várias provas de que o consumo de chocolate faz bem à saúde. Não é todo o tipo de chocolate ou tão-pouco nas quantidades muitas vezes desejadas, mas a revolução Smart Food não tem dúvidas em elegê-lo como um dos alimentos capazes de ajudar a prolongar os anos de vida com saúde. E é o coração quem mais ganha com 30 a 40 gramas diários de chocolate (um ou dois quadrados), desde que seja preto (com pelos menos 70% de cacau). Redução da tensão arterial e do colesterol são alguns dos benefícios encontrados, aos quais se junta uma melhoria na elasticidade dos vasos sanguíneos e da circulação do sangue. Quercetina, catequina, procianidina e teobromina são os nomes complicados dados às substâncias responsáveis por estas vantagens. Mas não se preocupe em fixá-los. O importante mesmo é a luz verde dada ao consumo deste doce. Desde que com conta, peso e medida, claro. 


Morango, para combater a falta de memória

É vasta a lista de compostos que fazem do morango um fruto a ter em conta no cardápio. Para quem o consome (e para os que não o fazem, mas deviam), basta apenas a certeza de que, todos juntos, dão origem a uma combinação perfeita capaz de reduzir as gorduras que se encontram no sangue, também conhecidas por colesterol. E, aqui, fala-se do mau, o LDL, cujos valores o consumo de morangos ajuda a baixar. Ganha então pontos no combate à aterosclerose, mas mais recentemente os estudos feitos confirmam também o seu papel na luta contra a falta de memória. Ainda que a investigação esteja, aqui, apenas a começar, tudo indica que ajuda a preservar os neurónios contra a ação do tempo.

Malagueta, para reduzir o apetite

Chama-se capsaicina a substância química responsável pelo ardor sentido quando consumimos alimentos temperados com malagueta ou colorau picante. E, garantem as investigações feitas, ativa os genes da longevidade. Boas notícias, portanto, para os amantes do picante, que não se ficam por aqui. É que parece conseguir também enganar uma série de neurónios, reduzindo o apetite. De resto, a relação entre os sabores mais fortes e a perda de peso foi confirmada cientificamente mais do que uma vez. Como se tudo isto não fosse já suficiente, a investigação foi mais longe, comprovando a ação da malagueta e do colorau sobre o colesterol e os triglicéridos.


Abacate, para ter uma sensação de saciedade

Há quem o tema devido aos elevados valores de gordura na sua composição – qualquer coisa como 23 gramas em cada cem. Mas há gorduras e gorduras, o que significa que destas não se deve fugir, uma vez que são gorduras monoinsaturadas, o mesmo é dizer, gorduras boas. E é por isso que o abacate é um dos elementos que integram a dieta Smart Food. Se dúvidas houvesse, a ciência mostrou que não só é capaz de reduzir os níveis de colesterol como ainda proporciona uma sensação de saciedade.


Alho, para prevenir problemas de estômago

A revolução Smart Food decidiu colocar o alho na lista de alimentos smart com efeitos protetores. Mais precisamente, efeitos antibacterianos, que nos garantem proteção contras as infeções. O Fundo Mundial de Pesquisa do Cancro acredita que o alho é capaz de tornar mais lenta a proliferação no estômago de um microrganismo responsável por vários problemas. Logo, a sua relação com a prevenção do cancro do estômago e do cólon tem vindo a ganhar créditos.
 

Noz, para combater a gripe e não só

Os frutos secos são conhecidos pelas suas propriedades positivas e, neste grupo, destaca-se a noz que, saída da casca, nos pode ajudar. Possui ómega 3, ácidos gordos polinsaturados que já são reconhecidos pelos benefícios à saúde do coração e a estes junta-se a relação com a hiperglicemia. Um estudo recente confirma que bastam duas porções semanais para reduzir em 24% a incidência de diabetes. Depois, há ainda a sua ação na luta contra o Alzheimer, doença que afeta, só em Portugal, 11 mil pessoas (4,7 milhões em todo o mundo). E uma outra, importante para quem tem os olhos postos na linha: a sensação de saciedade que provoca. Como se isto não fosse suficiente para convencer os mais reticentes, as nozes (sobretudo as nozes-pecãs) e os frutos secos em geral são ricos em vitamina E, que reforça as defesas imunitárias, ajudando a proteger das constipações e das gripes.

Açafrão, para travar o cancro

Há mais de cinco mil anos que o Oriente usa e abusa do açafrão. E com reflexos nos dados da saúde e doença por essas paragens: menos diabetes, menos Alzheimer e menos obesidade. A curcumina, o pigmento que lhe dá cor, tem a capacidade de suspender os estados inflamatórios. A investigação prossegue, mas para já sabe-se que pode ajudar na luta contra o cancro.


*Por Carla Marina Mendes, originalmente publicado na edição da revista Máxima nº338
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