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Projeto de portuguesa ajuda mulheres a criarem o seu próprio negócio em São Tomé e Príncipe

Joias de vidro reciclado garantem a subsistência de famílias na Ilha do Príncipe enquanto preservam e protegem o meio ambiente.
Por Aline Fernandez, 13.03.2018

Estrela Matilde, alentejana de 32 anos, vive desde os 26 na Ilha do Príncipe, em São Tomé. Mudou-se com o objetivo de implementar projetos de desenvolvimento sustentáveis numa ilha com cerca de 8 mil habitantes, marcada pelo isolamento económico e social, e com obstáculos permanentes relacionados com as ligações aéreas e marítimas, escassez de recursos técnicos e humanos e um mercado local de pequena dimensão. O desenvolvimento de novos negócios era assim um desafio.

Contudo, no espaço de um ano, Estrela e um grupo de mulheres ativas da comunidade de Porto Real organizaram-se numa cooperativa feminina aliada à valorização de resíduos, obtiveram formação na criação de joias, no Gana, e estabeleceram parcerias com o Governo Regional a fim de recuperarem um centro de compostagem abandonado e criarem uma fábrica de reciclagem para produção de joias artesanais. A portuguesa também contou com o apoio da Fundação Príncipe Trust, Organização não Governamental de conservação.

Estas mulheres são as responsáveis pelo processo de transformação do vidro em joias de cores vibrantes e dificilmente replicadas. Hoje, este é o negócio que sustenta financeiramente mais de dez famílias da comunidade e espera-se que o número aumente.

"Trabalhar com estas mulheres é também apostar na melhoria das condições de vida das crianças, pois são as mulheres as principais responsáveis pela sua subsistência, educação e saúde. É uma aposta na construção de um futuro melhor para todos", lembra Estrela.

Ideia premiada

A criação da Cooperativa de Valorização dos Resíduos fez Estrela Matilde receber o Prémio Terres de Femmes Portugal, um galardão que distingue mulheres e projetos singulares em prol do ambiente, da Fundação Yves Rocher e Yves Rocher Portugal.

Estrela foi a vencedora da 9.ª edição e receberá um donativo de €10.000, assim como a distinção de eco-cidadã do ano. A portuguesa também entrou na corrida ao Prémio Internacional que disputará com outros dez países, no valor de €5.000, sujeito a votação online. O Prémio Terres de Femmes Portugal também atribuiu uma Menção Especial no valor de €3.000. A vencedora desta categoria foi Cristiana Costa, com o seu projeto Näz.

O projeto Näz

Natural de Sintra, Cristiana, de apenas 23 anos, decidiu investir no interior do país e criar a sua marca, Näz, na cidade da Covilhã. Formada em Design de Moda, especializou-se na área têxtil e focou a sua investigação na criação de alternativas sustentáveis ao consumo de vestuário, como reciclar e utilizar excedentes de produção.

A Näz trabalha diretamente com fábricas de reciclagem e tecelagem, a fim de desenvolver novos fios para tecidos inovadores. Mais do que uma marca sustentável, o projeto que Cristiana lidera assume-se como um compromisso social que procura aliar-se a empresas portuguesas na área têxtil e contribuir para o seu crescimento com o desenvolvimento de novos produtos.

Com um ateliê na Covilhã, a marca Näz também é comercializada em lojas na cidade de Lisboa e do Porto, e tem vindo a ganhar espaço internacional com a entrada dos produtos na Feira Internacional de Berlim Ethical Fashion Show.

O Prémio

As dezenas de projetos submetidos à 9.ª edição do Prémio Terre de Femmes Portugal foram avaliados por um júri nacional independente constituído por representantes da Liga para a Proteção da Natureza, da Secretaria do Estado do Ambiente e do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Organizado em onze países há 17 anos, a Fundação Yves Rocher já distribuiu um total superior a €1,8 milhões em donativos aos projetos premiados.

Criada em 1991, a Fundação Yves Rocher – Instituto de França nasceu da iniciativa de Jacques Rocher, filho de Yves. O objetivo foi contribuir para o desenvolvimento de ações ecológicas locais e globais de conservação da natureza, solidariedade e educação ambiental. Com ações em mais de 50 países, hoje a Fundação conta com quatro grandes projetos: Terre de Femmes, que apoia mulheres envolvidas e criadoras de comunidades ativas; Plantons pour la Planète, que promove a plantação de árvores por todo o mundo; Plantes et Biodiversité, para a preservação de espécies vegetais, únicas e vitais a todos; e Photo, Peuples et Nature, que conta com o trabalho de fotógrafos sobre o tema pessoas e natureza.

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