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O arco-irís que Jean-Charles Castelbajac desenhou para a Benetton

A Máxima viajou até Milão para conhecer, em primeira mão, a mais recente coleção da Benetton. Pelas mãos de Jean-Charles Castelbajac, assistimos ao renascer da marca italiana que pôs a moda a falar de questões humanitárias nos anos oitenta e noventa.
Por Rita Silva Avelar, 21.02.2019

Luciano Benetton (Treviso, Itália, 1935), o fundador da United Colors of Benetton, quis resgatar a essência da marca italiana. Depois de numa tarde do verão passado se ter encontrado com o designer Jean-Charles Castelbajac (Casablanca, Marrocos, 1949), Luciano não teve dúvidas de que o criador marroquino era a escolha que faria a Benetton levitar de novo e encontrar as suas origens criativas e disruptivas.

A marca com que Luciano sonhou desde os 11 anos, tem na sua génese a manufactura das malhas (e a sua qualidade inigualável, que é feita com fios 100% italianos). A consciência ambiental e humanitária corre no ADN da Benetton desde a sua fundação em 1965, por Luciano, a sua irmã Giuliana e os seus dois irmãos, Gilberto e Carlo.

A coleção The Rainbow Machine para o outono/inverno 2019 foi apresentada no primeiro dia da semana de moda italiana, em Milão (na verdade, a Benetton sempre apresentou as suas coleções um dia antes deste certame, mas nunca foi considerada parte integrante do mesmo, até agora). Este, que foi o primeiro desfile oficial da marca, homenageou a produção industrial com a instalação de máquinas a meio da passerelle; a cor e a criatividade. As cores primárias do arco-íris - amarelo, vermelho, verde, azul, com alguns toques de preto – surgiram em peças volumosas, com estampados de personagens do mundo da animação como o Looney Tunes, ou ovelhas. Castelbajac resgatou as cores vibrantes da Benetton, os padrões esbatidos e também deu destaque ao logo da marca, em estampados oversized em peças como camisolas ou calças. Outra das preocupações de Castelbajac foi a luta contra o desperdício, aproveitando restos de tecidos para juntar a camisolas, uma ideia que lhe surgiu durante a produção nas fábricas.

O arco-irís que Jean-Charles Castelbajac desenhou para a Benetton: as peças

A direção das campanhas da marca voltam também a estar nas mãos do artista plástico, publicitário e fotógrafo Oliviero Toscani (Milão, Itália, 1942), responsável pelas polémicas e criativas campanhas da Benetton nos anos oitenta e noventa, que trouxeram ao contexto da moda temas como a multiculturalidade, a religião, a sexualidade, a raça, a pena de morte ou doenças como a SIDA. A primeira campanha de Oliviero, em 1982, mostrava duas crianças abraçadas, uma caucasiana e uma negra, o que desde logo deu a conhecer o poderoso laço criativo que resultava da aliança entre visionário publicitário, Toascani, e o empreendedor fundador da marca, Luciano. Quem não se recorda da Unhate, que mostrava beijos entre Barack Obama e Hu Jintao ou entre Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, por exemplo? Ou a imagem de um bebé acabado de nascer? Ou da fotografia das duas mulheres com sinais de violência doméstica? Entre muitas outras.

Nesta temporada, a integração é o tema mais pertinente que Luciano, Oliviero e Jean-Charles querem projetar nas novas peças da marca, de forma universal. Esta é, sem dúvida, uma nova fase para da United Colors of Benetton e um regresso às origens.

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