Moda

Tomas Maier sai da Bottega Veneta

Após 17 anos como diretor criativo da Bottega Veneta, Tomas Maier abandona a Casa italiana.
Por Andreia Rodrigues, 14.06.2018

Tomas Maier tinha já no seu currículo a colaboração com marcas como a Hermès, Guy Laroche ou Sevillon quando assumiu, em 2001, o cargo de diretor criativo da Bottega Veneta. A marca, então comandada por Tom Ford e marcada pelas vendas baixas, rapidamente começou a crescer. Em 2012, tornou-se mesmo a segunda maior marca do grupo Kering, com a Gucci a ocupar o primeiro lugar.

Nos últimos anos, no entanto, as vendas voltaram a baixar, com uma quebra de 9% em 2016, número que não melhorou em 2017. A diminuição do turismo na Europa é um dos fatores apontados para este insucesso, mas, na Ásia, que representa 40% das vendas totais da marca, também não registou melhorias. Outro dos motivos apontados relaciona-se com o movimento do maximalismo, com os logótipos das marcas a regressarem, visíveis e vistosos, algo que não faz parte do ADN da Bottega Veneta.

Em outubro de 2016, quando foi nomeado chefe executivo da Bottega Veneta, Claus-Dietrich Lahrs enfatizou a necessidade de investir nas lojas da marca já existentes e diversificar a oferta, já que 85% das vendas corresponde a produtos em pele. Para tal, fez vários esforços, entre eles o relançamento da clutch tornada famosa pela atriz Lauren Hutton no filme American Gigolo, de 1980. Na mesma altura, a atriz foi nomeada embaixadora da marca.

Mais recentemente, apostaram na abertura de lojas pop-up em Los Angeles e Nova Iorque. No entanto, as últimas coleções não criaram excitação nem trouxeram o tão indispensável sentimento de novidade, quer para os críticos como para os consumidores de marcas de luxo, o que veio chamar a atenção para a necessidade da Bottega Veneta se reinventar.

Depois de 17 anos, o chairman da holding francesa Kering, François-Henti Pinault, anunciou ontem (13) a saída de Tomas Maier do seu cargo como diretor criativo. "Estou-lhe profundamente grato [a Maier] e agradeço-lhe pessoalmente pelo trabalho realizado e pelo sucesso excecional que nos ajudou a alcançar", afirmou Pinault, acrescentando que a Bottega Veneta é o que é hoje "muito devido ao grande nível criativo de Tomas", que a colocou de volta no patamar das marcas de luxo.

Até ao momento, a Kering ainda não anunciou quem irá suceder a Tomas Maier, mas os fashion experts apontam Phoebe Philo, que deixou a Céline há seis meses. Recordamos que, na altura da saída de Phoebe Philo, Luca Solda, chefe de bens de luxo na Exane BNP Paribas, disse ao Business of Fashion que "Phoebe provou ser um talento excecional no que diz respeito à criação de carteiras de grande sucesso", pelo que seria uma boa aposta para marcas como a "Chanel e Bottega Veneta", cujos "ícones parecem cansados". Resta-nos aguardar pelas cenas dos próximos capítulos para saber o que irá suceder ao criador alemão.

Recorde na fotogaleria as carteiras mais icónicas da Bottega Veneta. 

 

 

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