Viagens & Gourmet

Quando a rainha Santa regressou à Torre de Palma

Passámos um dia no Alentejo a acompanhar a escritora Isabel Stilwell num passeio especial que traçou os passos de Isabel de Aragão.
Por Aline Fernandez, 13.03.2020

Para celebrar a história da rainha santa Isabel de Aragão, o Torre de Palma Wine Hotel, em Monforte, criou uma experiência que uniu história e gastronomia. A escritora e jornalista Isabel Stilwell, autora do livro Isabel de Aragão – Entre o Céu e o Inferno (Manuscrito) iniciou o programa com uma visita guiada à capela da Rainha Santa Isabel, em Estremoz, partilhando todo o seu conhecimento e paixão sobre a monarca.

De lá, os participantes seguiram ao longo de 35 quilómetros até Monforte, na herdade de Torre de Palma. "No século XIV, a rainha Santa Isabel, decidiu, para apaziguar as relações da família, passar para as mãos de Pedro Afonso, filho bastardo de D. Dinis, a herdade de Torre de Palma", conta Isabel Rebelo, proprietária do hotel.

No restaurante, o Basilii, o chef Filipe Ramalho serviu um almoço com pratos inspirados no receituário da época. Foi preciso uma pesquisa prévia, que o chef no seu quinto ano ao leme do restaurante levou a cabo sem problemas. "Tive a sorte de ter um grande apoio, que foi o Livro de Sent Soví, que me ajudou nas inspirações", o livro de receitas medieval, de autor anónimo e escrito em valenciano, que remonta ao século XIV. "Quando cheguei a esse livro comecei a ver que existiam uma série de produtos que eram iguais aos que nós temos aqui no Alentejo", contou o chef, explicando que escolheu as receitas de acordo com os ingredientes.

Antes de avançar para o menu provámos uma infusão para abrir o apetite, uma tradição entre os séculos XIII e XIV, com gengibre, grão de coentro, açafrão, cardamomo e canela para suavizar os sabores. "Aconselhavam sempre a tomar uma infusão para preparar o estômago para receber alimentos tão fortes ou com muitas especiarias", explicou o chef e acrescentou: "Foi feita com todas as ervas da nossa horta." As beringelas eram muito comuns na época, por causa da influência dos mouros, cogumelos era o que não faltava e o molho verde era "o clássico" da altura. "No caso do peixe, escolhi o peixe-galo porque era o mais consumido na altura. Hoje em dia não é tão comum e é um pouco mais caro", explica Filipe. O molho também tinha uma peculiaridade. "Eles não engrossavam os molhos com farinha. Usavam frango cozido. A textura não é tão pesada."

Para acompanhar o cabrito também foi servido um caldo invulgar. É a receita de um "comprimido" que o médico receitava ao rei D. Jaime. "Eu vi aquilo e pensei: ‘Dava um excelente tempero’ e ficava espetacular no cabrito", contou Filipe Ramalho à Máxima. Para encerrar, a sobremesa "Comida dos Anjos", que normalmente levava requeijão na Catalunha, "mas como nós estamos no Alentejo decidi adicionar o tabefe [soro do leite coalhado]", explicou o chef. Usou ainda água de rosas e água de flor-de-laranjeira. "Também muito utilizadas na altura para curar as maleitas que existiam", contou-nos.

Eventos como esse são organizados esporadicamente no hotel. Para aproveitar as experiências ao máximo, pode ainda usufruir a estadia no Torre de Palma Wine Hotel, e descobrir as novidades dos seus quartos, renovados e redecorados recentemente. 

O quê? Torre de Palma Wine Hotel. Onde? Herdade de Torre de Palma, 7450-250 Monforte | Alentejo. Reservas: 245 038?890 ou reservas@torredepalma.com.

Tags: torre de palma rainha isabel de aragão santa alentejo monforte capela estremoz isabel stilwell resturante basili chef filipe ramalho isabel rebel
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