Viagens & Gourmet

O paraíso do abacate em Lisboa

Chama-se Avocado House e, tal como seria de esperar, neste restaurante o protagonista é o abacate. Além de deliciosa, a experiência neste espaço tem um cariz social: dois dos empregados de mesa são portadores de deficiência auditiva.
Por Rita Silva Avelar, 02.08.2019

Num mundo onde a comida tem que ser, quase de forma obrigatória, "instagramável", a pergunta que se impõe é se o que chega ao prato só é visualmente bonito ou de facto saboroso. O Avocado House, o primeiro espaço de restauração em Lisboa onde tudo anda à volta do abacate, passou nesse teste. Mafalda Leitão e Rui Barata, amigos e sócios neste projeto, escolheram o número 21 da rua da Esperança, uma antiga farmácia no bairro histórico da Madragoa, para dar vida ao projeto com que Mafalda, empresária de profissão e criativa por natureza, idealizou. "Os portugueses não têm muito hábito de comer abacate ao pequeno-almoço. O meu filho, que tem 24 anos, viveu no Rio de Janeiro e começou a comer abacate com ovos ao pequeno-almoço, e tornou-se um hábito lá em casa, até porque ele fazia abacate de várias maneiras" conta. Outras das razões foi o facto de Mafalda ter vivido em Amesterdão aos 19 anos, durante um estágio, e ter conhecido vários amigos que comiam abacate.

"Estive um ano a estudar e a testar receitas na minha casa, inicialmente tinha mais de 70 pratos na carta." Mafalda não só pensou nas receitas originais, como na decoração e até no design das fardas de todos os funcionários. Antes de abrir, estudou os restaurantes de abacate no mundo, como o Avobar em Londres, o Avicado Appetit, em Nova Iorque, o The Avocado Show em Amesterdão e o Avocado Bar Roma, em Roma. "Quis ter vários upgrades em relação a eles, quis que a comida fosse saborosa e não só "instagramável", ter uma decoração fresca e leve, à volta do verde, ter um horário alargado que fecha à meia-noite, e ter uma carta específica só para a noite. Há pessoas que vêm só depois de jantar beber um copo". Na esplanada interior, um mural de abacates gigantes, pintado pela artista Denise Prino, chama à atenção pela explosão de cor e originalidade. Há, também abacateiros em todos os cantos e no fim da refeição, com a conta, é entregue um caroço de abacate para o que o cliente possa plantar (caso queira). Além disso, o espaço também é sustentável, evitando-se o plástico e o desperdício. O espaço também tem merchandising, com artigos alusivos ao fruto.

Na carta, saltam à vista as entradas improváveis de tempura de abacate com maionese de beterraba (€6,90), os spring rolls com abacate, cenoura, hortelã, coentros, pak choi, noodles de arroz, romã e manga (€5). Nas saladas, há que provar a Ahimsa bowl com mix de quinoa, abacate, mistura de vegetais, espinafres, abóbora, molho garam masala e tofu grelhado (€10,80). Há ainda os indispensáveis: as panquecas e as tostas. Sugerimos a Yummy Avo, com manteiga de amendoim, banana, abacate, nozes, sementes de abóbora e ganache (€6,70) e a tosta Earthy Brekkie, com cogumelos salteados, ovos escalfados, húmus de abacate, mix de rebentos, tomate seco, manjericão, salada e limão (€7,20).

Além destas propostas, há ainda hambúrgueres, tártaros e ceviches e, à noite, tacos (servidos apenas depois das 19h), como o Ai Caramba! com feijão preto mexicano, milho, carne picante, jalapeños e salada ou o Tatacos, com  filet mignon grelhado com feijão em salsa e guacamole. Chegando às sobremesas, entre o Cheesecake Avo, o House Sweet e o bolo do dia, qualquer uma destas sugestões vai tornar o fim da refeição num momento prazeroso.

E, para acompanhar, há sumos do dia, chás, lattes e smoothies. Além da carta de cocktails, que inclui propostas como o AvoGang com gin Bombay Sapphire, xarope de abacate, sumo de lima e puré de abacate – ou o AvoKini – espumante e puré de abacate.

Há um outro aspecto de revelo no Avocado House, o de responsabilidade social, que Mafalda decidiu privilegiar através da inclusão. A decisão recaiu no apoio a duas pessoas com surdez, integrando-as ativamente no atendimento direto ao cliente. Em cima de todas as mesas há um pequeno livro ilustrado que serve para que os clientes possam comunicar com facilidade com os empregados de mesa portadores de deficiência auditiva.

O espaço está aberto ao longo do dia e entre os pratos há opções verdadeiramente diferentes, aptas para vegetarianos, veganos, e intolerantes ao glúten ou lactose.

Onde? Rua da Esperança, 21, Lisboa. Reservas 21 390 0270

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